o meu diário #3

sexta-feira, maio 14, 2010

Desta vez o meu diário vai introduzir um assunto que sempre quis abordar,na medida em que várias pesquisas para encontrar sites,blogues,fóruns que abordassem não só o ponto de vista do doente mental, mas também o da família.
Antes de transcrever o meu diário ressalvo a importância que o devido tratamento e a devida atenção que qualquer doença mental deve ter no nosso país, o que infelizmente não acontece.
Aos meus visitantes que estão a aumentar aos poucos,peço que deixem algum comentário acerca da relevância que é dada à doença mental no nosso país, independentemente de conviverem com esta ou não.

"23/1/99
Está tudo mal!Tudo uma merda como vem sendo habitual. O meu sábado foi terrível apesar de ter comprado o tal casaco.Se soubesse como a minha mãe estava nunca lho tinha pedido,nem tinha ido com ela para as Caldas. Neste momento ela está no quarto a chorar, eu já bati uma quantidade de vezes com as portas, não vou jantar, estou com uma pilha de nervos em cima.Tudo isto consequência de uma coisa: arroz de cão. Isso, arroz de cão, que a minha avó resolveu misturar com o arroz da minha mãe. Ela já não estava muito boa então com a cena do arroz passou-se, e eu também. Provavelmente a minha avó trouxe aquele arroz por ser mais barato, o que acabou por ser o problema, porque certamente ela não viu que aquilo era muito barato para ser arroz normal.
Ora como eu sou uma pessoa muito calma, e que hoje não está nada aborrecida com ela própria (que ideia), passei-me novamente com a minha mãe ( o resto da história não vale a pena contar porque começo a enervar-me de novo comigo própria). O pior de tudo é quando começo a perder a calma com a minha mãe,não tenho controlo em mim, torno-me numa espécie de monstro, torno-me violenta e com a violência vem a brutalidade e com a brutalidade eu chego ao ponto de quase agredir a minha mãe (infelizmente já o fiz e não foi nada agradável ter que me defender por ter aos mãos dela a apertarem-me o pescoço). Contudo não tem piada nenhuma ouvir a nossa mãe dizer que não pode viver comigo por causa do meu feitio, que não pode viver com ninguém, que só pode viver sozinha. Não tem piada nenhuma ouvir a minha mãe dizer que só gosto dela quando me compra coisas, que eu só lhe trago problemas com o tribunal e com o dinheiro. Porque ela me diz isso? Eu não tenho a culpa de ser gente, não tenho a culpa de ter nascido. Porque é que eu nasci? Será que vou passar os melhores anos da minha vida assim? Com brigas com a minha mãe e sem ninguém a que possa mostrar a pessoa  que sou realmente?"

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