O meu diário #4

terça-feira, maio 18, 2010

17/03/00

Parece que tudo se desmorona à minha volta. O meu separou-se da minha madrasta, e o meu avô está pior, muito pior. Foi na 4feira para o hospital, porque se sentia muito cansado, lá teve outra trombose que o deixou todo apanhado. Tem um olho completamente fechado e o outro pisca muito. Não come, está a soro, come por uma seringa, não conhece as pessoas. O que mais me custa é que certamente ele não vai saber quem eu sou. O  pior é que ele pode ficar assim durante dias, meses, anos....Gostava  tanto de poder falar com alguém, alguém que me pudesse ouvir, compreender, animar, ajudar a ultrapassar este choque. 

Este excerto do meu diário foi escrito cerca de dois antes da morte do meu avô materno. Foi nessa altura que soube o que custa perder alguém que nos ajudou a criar, a crescer, a mantermos a humildade que devia ser uma característica comum a todas as pessoas. Apesar de o meu já estar doente, durante este tempo assisti ao desmoronar de um dos pilares da minha vida aos poucos e poucos. Fui assistindo à sua demência e provável Alzheimer até chegar ao ponto em que ele deixou de conhecer todas as pessoas e se tornou completamente dependente de outras pessoas para tudo. A morte do meu avô foi uma situação que tive que ultrapassar sozinha, pelos meus próprios meios.......mais uma altura em que eu tive que ser forte e aguentar tudo, porque eu tenho o dever e a necessidade de aguentar tudo, ou pelo menos fingir que o faço.....

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