Internamentos (continuação)

sexta-feira, agosto 27, 2010

Tenho a plena noção de que estes problemas são hereditários,não em termos de vir a "acordar" o gene da bipolaridade,mas por ser a família que herda isto. Por família entenda-se eu e a minha avó enquanto foi viva.O resto da família existe,mas é mais para telefonar e dizer eu ia mesmo vê-la no dia em que a minha mãe saí do internamento, e vir dizer umas coisas engraçadas.Embora as coisas tenham mudado um pouco desde a morte da minha avó eu é que sou a filha eu é que sou a família eu é que tenho que tomar conta,vigiar,aceitar e por aí adiante.

E é o que eu faço,o que eu tenho feito.Costumo dizer que como filha única sou a marquesa,e é-se marquesa para as coisas boas e para as menos boas.
Tomo um anti depressivo porque em Fevereiro deste ano tive a consciência de que necessitava de ajuda e a ajuda não passava de forma alguma por um psicólogo.Ou seja como o Teófilo disse no comentário: "Mais tarde ou mais cedo vamos pagar a factura de uma hereditariedade quer queiramos ou não". Infelizmente eu já me encontro a pagar a factura aos 29 anos de idade,ou se calhar ando a pagá-la desde miúda, porque nunca fui resguardada destas coisas,e vou continuar a pagá-la.
O Teófilo também me disse "Procura alguma coisa mais substancial para juntares a esses antidepressivos (...)Cuida de ti Inês."O que eu juntei ao anti depressivo que tomo uma vez por dia foi conseguir voltar a encarar as coisas de forma mais dura,mais racional como era antes.Neste momento não me encontro com as lágrimas nos olhos a escrever.Se não tivesse o meu anti depressivo provavelmente já teria os olhos inchados,mas não tenho.Se estou nervosa???Claro que estou...só de pensar que para a semana vou entrar numa ala psiquiátrica não me deixa alegre da vida apesar de já estar habituada...a minha directora ficou a olhar para mim abismada por eu não ter pedido folga amanhã para ir entregar a roupa à minha mãe,nem por ter entrado num pranto,por ter ficado serena com mais um internamento.
Com o meu anti depressivo noto hoje que me sinto de volta um pouco como era antes,a diferença é que antes a minha avó era o meu porto de abrigo e o meu anti depressivo,e agora eu tenho que me abrigar a mim própria.

You Might Also Like

11 comentários

Popular Posts

Subscribe