sábado, abril 30, 2011

Os ombros suportam o mundo

"Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram. 
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança. 
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espectáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação."


Carlos Drummond de Andrade - Os Ombros Suportam o Mundo 


Existe a fase em que me sinto eléctrica e não gosto de me sentir eléctrica e de sentir a cabeça a matraquear ideias, a querer ocupá-la para fazer apenas uma coisa de cada vez,e não pensar em 1001 coisas.
A fase em que noto que o meu tom de voz de está mais acelerado e elevado e eu não quero sentir a minha voz assim.
A fase em que sinto o meu corpo e a minha mente com tanta adrenalina, que não me faz bem e ela tem que sair e eu tenho que explodir de alguma forma para a expulsar, porque esta adrenalina desgasta, não é uma adrenalina boa.
A fase em que eu peço a toda a gente que me chame a atenção para a electricidade e o estado ansioso, caso eu  não me consiga aperceber.
A fase em que tudo isto se mistura com a sacana da TPM que me faz andar ainda mais acelerada.


Depois,olha-se para a receita do médico e começa-se a tomar o Unilan conforme está indicado para esta fase. Quando começa a ir ao lugar como agora,surge a vontade imensa de deixar de conseguir fingir que estou a sorrir a toda a hora, em que arranjo sempre espaço para os outros em detrimento do meu.
É a fase em que só me apetece em mandar tudo ao ar e desaparecer por uns tempos, em escapar-me.
É a fase em que sei que quero concentrar-me em mim mesma, mas ao mesmo tempo em que sei que tenho que pensar em mim, tenho que levar à mesma comigo o peso do mundo.
É a fase em que sinto que não consigo aguentar, mas que sem saber como tenho que ir buscar força ao mais íntimo de mim para continuar por mim e pelos outros. Continuar por todos, continuar por mim e pelos outros.
Mas é mais uma fase que vai passar e eu vou continuar.
Ás vezes não sei se tenho uma fragilidade estranha, se tenho uma força bruta. Só sei que seja lá o que for que continue por cá porque eu preciso delas para me manter por aqui firme e hirta. Mas às vezes cansa tanto...

Only you

Muitas das citações que uso por acaso foram escritas por Fernando Pessoa. Não sei se as escreveu num momento de lucidez ou de loucura, se foram escritas por Pessoa, ou pelos heterónimos, mas vejo muito de mim nelas. Umas das citações preferidas é esta:

O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que  acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis."

Eu gosto de bons momentos. Até me atrevo a dizer que gosto dos bons pequenos momentos principalmente quando são doseados da intensidade e da adrenalina, que faz sempre falta a todos nós para vivermos, sentirmos que estamos vivos e agarramos a vida.

Há pouco ao lembrar-me da citação, passou-me pela cabeça quase de forma automática esta música, que para mim encaixa perfeitamente com a citação.



sexta-feira, abril 29, 2011

Chanel

Existem alguns anúncios maravilhosos. Daqueles que me fazem ficar colada na tv.
Um deles é o da Chanel, que Ritinha me deu a conhecer por completo.
Pessoalmente fico deslumbrada com tudo, mesmo com tudo.
Ele é música, é Joss Stone, ele é actores, ele é tudo.
Soberbo, para mim é soberbo.


PS: será que o moço vem incluído com o perfume??Promoção leve dois e pague um???

Saúde mental

Diz a Directora de Psiquiatria do Hospital São Francisco Xavier sobre o fecho do Miguel Bombarda e sobre a Saúde Mental em Portugal:


"(...)Em Portugal estamos muito longe de ter uma rede de tratamento na comunidade que ofereça cuidados adequados aos doentes mentais graves.Uma reforma dos serviços psiquiátricos necessita de um orçamento robusto para a criação dessa essa rede e ao longo destes 40 anos e de outros planos falhados de reforma da saúde mental, essa disponibilidade orçamental nunca existiu.Sem orçamento e sem recursos não há reforma.Das oito estruturas que devem existir na comunidade em alternativa ao Hospital Psiquiatrico, Portugal implementou apenas de 3 desses recursos e em muitos locais até menos.(...)Para onde foram os doentes asilados neste hospital e como foi efectuado esse processo de recolocação, sabendo-se que todos os estudos aponta para a necessidade de um trabalho rigoroso de avaliação das necessidades destes doentes, muitos deles já idosos e sem qualquer capacidade para voltar a família ou mesmo para serem reintegrados socialmente?Há relatos de transporte de doentes em carrinhas, durante semanas, transferidos do hospital Miguel Bombarda para o Hospital Júlio de Matos, provavelmente para viverem em condições idênticas ou piores, ao arrepio de todas as recomendações internacionais.Qual a taxa de morbilidade ,mortalidade e de suicídios nestes doentes do hospital Miguel Bombarda, transferidos compulsivamente para outros locais?(...)Num pais que esta mergulhado numa intensa crise social e económica, geradora de mais vulnerabilidade psicológica indutora de descompensações graves em pessoas com doença mental, não deixa de ser estranha a apressada saída do coordenador da saúde mental que liderava uma reforma, e o fecho de um Hospital Psiquiátrico, com património arquitectónico e um espolio importantíssimo, também totalmente negligenciado neste processo.Em nome da psiquiatria portuguesa tantas vezes muito avançada para a época quer pela moderna legislação dos anos 60, quer pela prática clínica a par da correntes cientificas europeias e sobretudo em nome dos doentes mentais graves silenciados pela natureza da sua doença, os responsáveis pela actual reforma têm de esclarecer publicamente qual o exacto ponto de situação da reforma psiquiátrica, com dados concretos, quais as estruturas que substituíram o Hospital Miguel Bombarda, o que foi feito com os doentes deste hospital, com os técnicos e entre muitos outros dados, o que planeiam fazer com o espolio do Hospital Miguel Bombarda.Em suma, como pensam organizar os serviços de psiquiatria, sem dinheiro, sem recursos, sem a mobilização dos técnicos e com um numero crescente de patologia mental e de doentes a precisarem de tratamento!"



A Lei Nacional da Saúde Mental não protege nem doentes, nem familiares, nem a comunidade.
Como é que eu sei? Porque já a li, e por a ter lido, posso dizer que neste país para um doente mental ser internado e tratado de forma compulsiva tem que pôr em risco a sua vida ou a dos que a rodeiam. Depois vem toda a burocracia à portuguesa. E o mesmo acontece com a medicação compulsiva. Pode-se "obrigar" um doente a tomar a medicação, mas tem que estar tudo num pé de vento.


Falam em fechar os hospitais psiquiátricos para os doentes mentais viverem em sociedade, e criar uma rede de cuidados continuados nos hospitais distritais que também servem para internamentos de curta duração. E onde é que os hospitais distritais têm essas infra-estruturas??Não têm digo eu.Não têm nem infra-estruturas, nem camas, nem psiquiatras e enfermeiros em número suficiente para que o doente mental seja dignamente acompanhado tanto durante o internamento como cá fora. Essas ditas unidades não passam de um andar dividido em duas aulas, e nessas alas encontram-se pessoas das mais diversas idades, estratos sociais e patologias mais crónicas, menos crónicas, mais ou menos graves.Encontramos um esquizofrénico a dividir um quarto com um depressivo e um psicótico. As nossas psiquiatrias são o que eu chamo um regabofe, tudo ao molho e fé em Deus, com o pensamento de "vamos estabilizar a pessoa rápido para a mandar para casa, porque as camas nos corredores estão ocupadas,e há mais gente que precisa de se tratar".


Parece duro?É a nossa realidade.Vão fechar os hospitais psiquiátricos públicos, para que os doentes possam ser integrados em sociedade, e tenham acesso à suposta rede de cuidados continuados que não têm capacidade para fazerem face a tantos doentes. Como é que fazer com que o esquizofrénico que está internado há dezenas de anos, cuja família não existe ou não se interessa? Vão comprar-lhe um apartamento e dizer "agora safa-te porque estás no meio da selva???"
E quando são dados os máximos cuidados a nível psiquiátrico a um doente e falham os cuidados sociais?Falham porque a família não pode deixar de viver, falham porque a família não tem capacidades financeiras para colocar o doente numa casa de saúde? 
O que é que fazemos a esses doentes??
O que é que fazemos a nós quando deixamos de conseguir cuidar dos doentes e de nós mesmos??
Colocamos os doentes nas ditas unidades de cuidados continuados?
E depois o que se faz??


O que fazer a estes doentes???
Como é que vão ser integrados??
Não têm a noção de que ainda vão desestruturar ainda mais a vida destas pessoas??

quinta-feira, abril 28, 2011

Pavões

Existe alguém que não tenha ouvido ontem os pavões a pupilar no Palácio de São Bento?? Mesmo que não tenham ouvido, ficam a saber que o som irritante dos pavões se chama pulpilar. Ou seja, o pavão não ronca, não grasna, não rosna, mas pupila...Mas adiante.


Ontem no facebook (que se está a diabolizar para a nossa esplendorosa e trabalhadora classe política, disseram-me algo como "faz um post sobre pavões!!!" E assim sendo, segue o bendito post sobre os pavões.
O problema de escrever sobre os pavões, foi basicamente encontrar um contexto ou uma semelhança com algo, de forma a que os ditos encaixassem aqui, porque não tenho por hábito debitar texto sobre documentários National Geographic e semelhantes. Como não tenho muito o hábito de fugir a desafios, fiz uma pesquisazita sobre as bichezas na wikipedia e afins, e descobri a fórmula mágica para escrever sobre os pavões, fazendo uma pequena comparação entre outras aves raras que por aqui andam.


Os pavões:
São vaidosos.
São emproados.
Emitem uns ruídos que irritam o comum mortal.
Dão nas vistas.
Exibem rituais estranhos de acasalamento: mostram aquelas penas que podem ter cerca de 2 metros para a pavoa ficar doida e pensar algo como: "este é o pavão, dos meus sonhos!!Vamos fazer muitos descendentes!!"
Durante o acasalamento ninguém os cala. Pupilam que se fartam.
O pavão não gosta que invadam o seu território. Se algum outro pavão comete esse acto,andam ambos à luta e se porventura o primeiro sai derrotado, volta para o seu território mas não desiste da conquistar o que considera seu.




E quais é que serão as aves raras que se assemelham com os pavões?? 


Os políticos, está claro.


São vaidosos: já viram algum político de cabelo despenteado, de dente amarelo, ou de camisa com nódoas??'Não pois não?Eu pelo menos nunca vi, nem o camarada Jerónimo se apresenta nesses preparos.


São emproados: claro que são. Para quem tenha dúvidas, veja os próximos debates para as legislativas. É um emproamento e uma luta de galináceos que é um drama e uma angústia ver tal disputa pelo território.


Emitem ruídos que nos irritam: a mim aquela história do "Oh Sôtor, Oh Sr Engenheiro, não diga isso, isso é uma falácia, votem em mim porque prometo este mundo e outro" etc, são ruídos irritantes,é um barulho que me dá cabo do nervoso.


Dão nas vistas: em plena campanha eleitoral é vê-los com o séquito e todos os que acreditam no seu ruído, juntamente com bandeiras, megafones, fanfarras e pavões pequenos que também pupilam por vontade própria, ou porque o pavão mor manda pupilar.


Exibem uns rituais estranhos de acasalamento: não têm penas de dois metros, mas têm muita palavrinha bonita para nos enganar, um sorriso para a senhora de 90 anos, para a desempregada desdentada, para a mãe com o bebé que chora desalmadamente com medo do pavão e das suas penas, e claro para a gaja boa que por acaso passa por ali.E nós quer queiramos ou não acabamos sempre por acasalar com o políticos...e somos todos bem fornicados por eles.  


Durante os rituais de acasalamento ninguém cala um político. Todos temos que saber da sua presença.Até chegam a ficar roucos de tanto quererem mostrar que pretendem ou estão a acasalar connosco.

Os políticos não gostam que invadam o seu território. Nenhum gosta, seja governo ou oposição, e quando um deles perde a disputa pelo território, volta para o seu canto e passa os próximos quatro anos a congeminar a melhor forma de voltar a disputar pelo lugar que outrora foi seu. E note-se que esta luta é cíclica. 


Feito o post sobre os pavões, resta-me dizer que estou a imaginar os cinco líderes políticos com aquelas penas no rabiosque a pupilarem uns contra os outros. O que é mesmo certo é que um deles vai acasalar com 10 milhões de Portugueses, quer queiramos quer não...quando isso acontecer, ir-se-à ouvir algo semelhante a "Pronto, pronto, aguenta, não chora..."são só mais quatro anos a acasalar ao meu jeito....


terça-feira, abril 26, 2011

Do amor

"O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso «dá lá um jeitinho» sentimental."


Miguel Esteves Cardoso -  Último Volume

O MEC também se interroga sobre "Quem não dava a vida por amor?", cujo texto me escarrapacharam no facebook, e contra o qual não consegui argumentar, porque é verdade.
Toda a gente dava a vida por um amor, ou pelo menos diz que sim. A verdade é essa, e venha alguém dizer que não, porque eu não acredito. Até eu digo que dava a vida por um amor.
E se for um amor daqueles que dá jeito ter e manter?Daquele que já existiu mas pufff foi-se ou nem chegou mesmo a ser???
E distinguir a paixão do amor??
Porque a se paixão arrebata e faz mover montanhas, o amor esse é o que deve estar junto e depois da paixão, porque a paixão pode acabar mas o amor, esse se for verdadeiro, fica. E sim por esse amor vale a pena dar a vida, porque esse amor não  é o do "desenrasca aqui um bocadinho, que eu agora preciso", é um amor do "desenrasca-me para sempre que eu vou-te desenrascar também. Assim desenrascamo-nos um ao outro, hoje, amanhã e depois de amanhã".
É um desenrascanço até que a morte os separe, e esse desenrascanço sim vale a pena.




segunda-feira, abril 25, 2011

Gula

"A maioria das freiras não ia para os conventos por escolha espiritual. Como diz Alfredo Saramago: "As segundas filhas ricas, algumas herdeiras solteiras, viúvas, adolescentes órfãs mas com fortunas constituíam a população feminina dos conventos. Gente habituada a uma vida rica com os hábitos e costumes de uma classe privilegiada." 
Seja: eram meninas queques e tias. Sujeitavam-se, com maior ou menor resignação ou vontade, a vestirem-se e a portarem-se todas da mesma casta maneira. Tirando-lhes a liberdade, o ócio, os namoros, a roupa, os sapatos e os penteados e enchendo-lhes a vida de missas e obrigações, que podiam elas fazer?
Explodir na cozinha. É o único sítio onde podem exprimir-se; onde podem inventar; onde podem deliciar-se. Nem pensar em fazer sopas ou assados. Tinham empregadas para lhes fazerem as refeições. De resto, os salgados eram coisa de frades barrigudos. Não, as freiras portuguesas só podiam interessar-se pelo que é supérfluo, complexo e descaradamente sensual: os doces. Foi tal a concentração de inteligências, sexualidades, imaginações e perícias destas nossas irmãs nos doces que inventaram que se tornou uma banalidade dizer que a doçaria conventual portuguesa é a melhor do mundo.
(...) É nos nomes destes doces que as freiras, por assim dizer, levantam um bocado o véu. As receitas podem ser impenetráveis, mas os nomes puxam e chamam por nós.
As frustrações das mulheres que foram para freiras à força - e não há força como a ordem social - foram grandes geradoras de raivas de todas as espécies. Desde as raivas violentas às raivinhas. A relação entre as frustrações e o açúcar é tão estreita como o maior amor. O lugar-comum da mulher que trata um desgosto de amor com chocolate, bolos ou (nos filmes americanos) gelado, é o mais comum e verdadeiro de todos os lugares.
(...)
Imagine-se agora com uma mulher enclausurada. Para sempre. Tem fartura de açúcar, ovos e amêndoas. O que é que faz? Doces. Doces que levam muito tempo a fazer. Doces que pode comer. Doces que pode oferecer ou vender. Doces que dão prazer, que trazem elogios e são trocados por outros doces. Doces que se podem comer à mesa, numa atmosfera católica e portuguesa onde a gula gastronómica é mais uma prova de humanidade do que um pecado mortal. Que é, no máximo, uma marotice.
Os nomes da doçaria conventual são espantosos não porque evocam o amor, o namoro, o corpo e o sexo, mas porque, fazendo-o claramente, foram permitidos e adoptados por quem mandava nos conventos.
Há os sonhos, os suspiros e os ais. Há os beijos-de-freira. Há os namorados. Há as barrigas-de-freira, as barriguinhas-de-freira e os pescoços-de-freira. Há as ternuras, os mimos-do-confessor, as sestas. Há os papos-de-anjo e os toucinhos-do-céu. Há as raivas, os melindres e os mexericos-de-freiras.
Estes nomes são os que passaram. Imaginem-se agora os que não foram autorizados.
Se nos esquecermos, por um momento, que somos portugueses, as palavras "doçaria conventual" não nos deveriam excitar. Imagine-se "doçaria franciscana" ou "pastelaria carmelita". 
(...)
São descarados luxos. Não é só nos ingredientes (dúzias de ovos, quilos de amêndoas e de açúcar) mas no trabalho que dão, na perfeição técnica de que precisam e, sim, na astronómica concentração calórica que alcançam por centímetro cúbico, isto em doces tão irrecusavelmente deliciosos que é impossível não comer de mais.
Dir-se-ia que são o contrário da simplicidade e do sacrifício das freiras. Mas não são: são o resultado. Os doces conventuais são onde se soltam e concentram todos os desejos de liberdade e de prazer - toda a criatividade e toda a revolta - que não podem ser exprimidos e satisfeitos separadamente, de maneiras mais directas e mais fáceis.
Voltando aos nomes, em vez de tentar ver o que querem ou possam querer dizer, por que é que não nos ficamos por eles? Comparem-se os nomes da doçaria conventual portuguesa com os da doçaria secular. São, de longe, mais brincalhões, mais imaginativos e mais malandros. Os nomes em si dão prazer. Piscam-nos o olho. Sorrimos quando falamos em barriguinhas-de-freira e papos-de-anjo. Imaginamos freiras gulosas mas endiabradas, querendo tentar-nos com as suas guloseimas, fazendo-nos ceder, obrigando-nos a pecar gulosamente, deixando-nos a consciência pesada de culpas calóricas. Como é que 100 gramas de toucinho-do-céu conseguem transformar-se em mais um quilo de nós?(...)"
Miguel Esteves Cardoso in Público



Eu sou gulosa. Sou mesmo gulosa, sofro da síndrome do pecado da gula e sou capaz de enfardar doces até não poder mais. Ponham-me doces à frente que eu sou uma gaja muito feliz.
 
Basicamente,se as freiras não tinham os "doces carnais", inventaram os doces conventuais. Abençoado seja o celibato e a castidade, porque verdade seja dita ganhámos todos com isso. Doces bons, maravilhosos, calóricos, o pecado da gula elevado ao seu nível mais elevado.
Abençoadas sejam as freiras que me permitem pecar sem sentir remorsos...
Ainda bem que elas souberam ocupar os tempos mortos, porque fazem as pessoas muito mais felizes.

Mas entre estes nomes de doces fantásticos, maravilhosos, gulosos e pecaminosos, falta um muito importante...o beija-me depressa que são os docinhos pequeninos e maravilhosos que se encontram na belissíma e fantástica cidade de Templária.
E pegando no mote dos nomes dos doces e dos eventuais pecados, o nome beija-me depressa só me lembra para o pecado e a luxúria entre frades e freiras.
Encontravam-se os dois junto à Ponte Velha e diziam um ao outro algo como:
"Anda cá rápido!!"
"Para quê????"
"Oh pá!!!Beija-me depressa antes que aquela freira cusca que anda de olho em ti nos apanhe e nos denuncie!!!"

As freiras do Convento de Santa Iria deviam ser tramadas...E os Cavaleiros Templários não lhes deviam ficar atrás....malandros!!!! 

sábado, abril 23, 2011

Escapes

Apesar de ter a sorte de estar a trabalhar,de não passar o dia todo em casa,de conseguir ter o meu espaço apesar de tudo,de vez em quando vem aquela vontade assolapada de pegar no saco de viagem e partir sem destino.Pura e simplesmente ir,desligar-me do mundo por uns dias e depois voltar a ligar-me.
Como tal é impossivel,mais cedo ou mais tarde iriam sempre encontrar-me e trazere-me logo de volta para a minha vida de por acaso filha e mãe,recepcionista simpática e mulher/rapsriga sempre com um sorriso ns cara,bem-disposta, que arranja sempre tempo para os outros e acaba por se esqueçer dela.
E quando me lembro de mim mesma,de que preciso do meu escape mesmo que seja mental,que preciso de vez em quando que me oiçam,me aconselhem,me emprestem um ombro,há sempre alguém que me recrimina por querer escapar de vez em quando,porque provavelmente não vêem ou não querem ver que eu preciso de me escapar e de me abstrair do que me rodeia de vez em quando,para depois voltar com mais força.Os meus escapes sejam fisicos ou mentais são necessários para mim e para manter o Tico e o Teco funcionais.

sexta-feira, abril 22, 2011

O coelhinho da páscoa

A Páscoa é uma festividade pagã. As origens estão lá.
Como é que eu tenho a lata de afirmar isto? Por causa do coelho e dos ovos, e do que li.
Numa época da abstinência (façam o favor de ler o Chocolate da Joanne Harris, em que padre dá em doido por causa do jejum), como é que carga de água se põe um coelho e ovos no meio da coisa?? 
Mas como existem sempre pessoas que saciam a minha curiosidade, lá descobri o significado do coelho com a Páscoa: a fertilidade do bicho!!Nem mais nem menos, a fertilidade do dito.

"A figura do coelho está simbolicamente relacionada à esta data comemorativa, pois este animal representa a fertilidade. O coelho se reproduz rapidamente e em grandes quantidades. Entre os povos da antiguidade, a fertilidade era sinónimo de preservação da espécie e melhores condições de vida, numa época onde o índice de mortalidade era altíssimo. No Egipto Antigo, por exemplo, o coelho representava o nascimento e a esperança de novas vidas.
Mas o que a reprodução tem a ver com os significados religiosos da Páscoa? Tanto no significado judeu quanto no cristão, esta data relaciona-se com a esperança de uma vida nova. Já os ovos de Páscoa (de chocolate, enfeites, jóias), também estão neste contexto da fertilidade e da vida.A figura do coelho da Páscoa foi trazido para a América pelos imigrantes alemães, entre o final do século XVII e início do XVIII."
"Historiadores encontraram informações que levam a concluir que uma festa de passagem era comemorada entre povos europeus há milhares de anos atrás. Principalmente na região do Mediterrâneo, algumas sociedades, entre elas a grega, festejavam a passagem do inverno para a primavera, durante o mês de Março. Geralmente, esta festa era realizada na primeira lua cheia da época das flores. Entre os povos da antiguidade, o fim do inverno e o começo da primavera era de extrema importância, pois estava ligado a maiores chances de sobrevivência em função do rigoroso inverno que castigava a Europa, dificultando a produção de alimentos."
E anda a malta preocupada com jejuns e comer peixe, e não pecar, e ser abstémio de tudo e mais alguma coisa, quando tudo o que se relaciona com este festejo é pagão e exige festa e regabofe.
Por alguma coisa eu sempre torci o nariz a esta história de comer peixe durante todas as sextas-feiras na Quaresma...cheirava-me a esturro, é o que é.


Eu não resisti a pôr isto...é mais forte do que eu. Como a Páscoa tem origens pagãs, e o coelho simboliza o nascimento e a fertilidade, o vídeo está perfeitamente adequado.


Já agora façam o favor de gostar do estabelecimento blogosférico no facebook...

quinta-feira, abril 21, 2011

Frase de Anatomia de Grey no terceiro episódio da 6ª temporada:
"Tenho um filho doente mental.Não posso pensar só em mim".

Frase da Inês: 
"Tenho uma mãe doente mental.Não posso pensar só em mim".

E é isto...

Pessoas

"Hoje em dia as pessoas apaixonam-se por uma questão prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão mesmo ali ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato. Por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria."

Miguel Esteves Cardoso "Último Volume"

Eu costumo dizer que sou muita prática, mas quando li esta citação passei a pensar que nestas coisas não sou mesmo nada prática.
Se o MEC está a satirizar a paixão e o amor?? É provável que sim.
Mas também é provável que as pessoas se apaixonem e juntem as escovas de dentes porque dá jeito. 
Parece-me que o amor e a paixão estão a funcionar como uma moeda de troca para ter o outro lado da cama quente, partilhar uma refeição, dividir as contas de casa, e sim mostrar à sociedade a outra pessoa por quem se está apaixonada, como se o outro fosse um troféu há muito desejado, como a taça de Portugal. "Achavam que eu ia ficar sozinho????Eis o troféu!!!!" 

Então aonde é que ficam as histórias de amor e de paixão completamente arrebatadoras???
É assim que a coisa funciona??
Como uma moeda de troca??
É o interesse e o mostrar o detentor da outra escova de dentes que são os valores máximos para quem se apaixona??

Se assim que funciona, não vou ser prática e vou ser uma desapaixonada.



quarta-feira, abril 20, 2011

Hora do Vitinho (81)

A minha pessoa acha que esta música com uma boa pessoa são capazes de fazer maravilhas.
Mas sou eu a achar.
(Amanhã não há posts com palavrões...pelo menos directamente relacionados com eles.)


terça-feira, abril 19, 2011

O poder terapêutico dos palavrões

Eu já estava desconfiada de que dizer palavrões ou escrevê-los é melhor do que fazer yoga e essas coisas zen.
Mas existem sempre pessoas que fazem a apologia do não dizer palavrões porque é feio. Cada um tem a sua opinião e destressa da forma que quer e entende.
Eu faço figuras de ursa a dançar em casa (nem a minha rica mãe vê), e digo uns belos palavrões, em voz alta ou em voz baixa, mas é um facto de que depois me sinto mais leve, e até parece que saiu uma coisa ruim do meu corpinho.
E se eu já desconfiava do poder terapêutico do palavrão, hoje fiquei com a certeza.
A revista visão publicou o resultado de um estudo, em que se concluiu que o palavrão alivia mesmo a dor.
O que é que a dor tem a ver com o stress??
Já este blog diz o seguinte:


"(...)Falar palavrões pode ajudar a diminuir a sensação de dor física, segundo um estudo da Escola de Psicologia da Universidade de Keele, na Inglaterra, publicado pela revista especializada NeuroReport.No estudo, liderado pelo psicólogo Richard Stephens, 64 voluntários colocaram suas mãos em baldes de água cheios de gelo, enquanto falavam um palavrão escolhido por eles.Em seguida, os mesmos voluntários deveriam repetir a experiência, mas em vez de dizer palavrões, deveriam escolher uma palavra normalmente usada para descrever uma mesa.Enquanto falavam palavrões, os voluntários suportaram a dor por 40 segundos a mais, em média. Seu relato também demonstrou que eles sentiram menos dor enquanto falavam palavrões.O batimento cardíaco dos voluntários também foi medido durante a experiência e se mostrou mais acelerado quando eles falavam palavrões. Os cientistas acreditam que o aumento do ritmo de batimentos cardíacos pode indicar um aumento da agressividade, que, por sua vez, diminuiria a sensação de dor. Para os cientistas, no passado isso teria sido útil para que nossos ancestrais, em situação de risco, suportassem mais a dor para fugir ou lutar contra um possível agressor.O que está claro é que falar palavrões provoca não apenas uma resposta emocional, mas também uma resposta física, o que pode explicar por que a prática de falar palavrões existe há séculos e persiste até hoje, afirma o estudo."(A prática de) Falar palavrões existe há séculos e é quase um fenômeno linguístico humano universal", diz Stephens. Ela mexe com o centro emocional do cérebro e parece crescer no lado direito do cérebro, enquanto que a maior parte da produção linguística ocorre do lado esquerdo. Nossa pesquisa mostra uma razão potencial para o surgimento dos palavrões, e porque eles persistem até hoje."Um estudo anterior, da Universidade de Norwich, mostrou que o uso de palavrões ajuda a diminuir o estresse no ambiente de trabalho.
Tem tudo a ver....não ficam stressados, enervados,e aborrecidos quando têm uma dor???
Eu fico fodida, mesmo fodida quando me dói alguma coisa, entro em stress. 

Digam palavrões pela vossa saúde!!


segunda-feira, abril 18, 2011

Hora do Vitinho (80)

Apesar de a minha música de eleição ser o Mrs Jones (já aqui está e dá um bom post), o wonderful tonight é uma cover muito boa.
A junção das duas línguas e das duas vozes é soberba.


Etimologia de uma palavra portuguesa

A palavra caralho segundo o nosso dicionário, é o substantivo masculino de pénis e uma expressão designativa de admiração, surpresa, espanto, indignação, etc.
Mas eu fui mais longe...
Posso afirmar que o caralho tem uma história do caralho, segundo as pesquisas que eu andei a fazer. O caralho é muito velho, e por tal facto tem alguma razão de ser a expressão "vai para o caralho mais velho."
Vamos encarar este post como uma aula de História, mais propriamente da história do caralho.
A palavra caralho refere-se aos cestos da gávea, que estão em cima dos mastros dos navios.
Era no caralho que se encontravam os marinheiros que gritavam o famoso mote "terra à vista!!!"


Como o caralho se encontrava na área mais instável do navio (em cima do mastro), este era o local para onde os marinheiros iam quando castigados, permanecendo no caralho durante horas ou dias se necessário.
Quando saíam do caralho os marinheiros vinham de tal forma enjoados e mal dispostos que se mantinham sossegados durante uma série de dias.


Supõe-se que a origem da expressão "vai para o caralho", tenha tido a sua origem nos marinheiros que se portavam mal e eram castigados: subiam o mastro e iam para o caralho.


Actualmente usamos o caralho das mais diversas maneiras, para expressarmos:



  • O nosso agrado: "isto é bom como o caralho."
  • Quando não entendemos o que outra pessoa diz: "Mas que caralho é que estás a dizer?"
  • Quando estamos aborrecidos com alguém: " vai para o caralho."
  • Quando um assunto não nos interessa: " não quero saber nem pelo caralho."
  • Se estamos interessados em determinado assunto: "isso interessa-me como o caralho."
  • Enunciando a beleza e a formusora da mulher: "essa gaja é boa como o caralho."
  • Quando encontramos alguém que não vemos há muito tempo: "onde é que tens andado caralho?"
Entre outras expressões da nobre Língua Portuguesa.




Para mais informações vão ao google e escrevam a palavra caralho.


A propósito de caralho, como eu sou natural da terra dos caralhos, deixo aqui uma breve resenha sobre os caralhos das caldas



          " Este artesanato surgiu no final do século XIX. Os primeiros modelos foram criados por Maria dos Cacos, (barrista e feirante), e posteriormente por Manuel Mafra. Só depois, o humor de Maria dos Cacos e o naturalismo de Manuel Mafra foram recriados por Rafael Bordalo Pinheiro.
           O Rei D. Luís I de Portugal presenteava os seus amigos com as peças humoristicas das caldas. A criatividade de Rafael Bordado é seguida pelo seu filho Manuel Gustavo e pelo seu rival Costa Motta Sobrinho, nomes que ressaltam na cerâmica das Caldas das primeiras décadas do século XX.
           Nos últimos anos os caralhos perderam popularidade e são muito poucos os ceramistas que os fabricam. Artesanato grosseiro ou arte provocatória, a verdade é que as “malandrices” são uma espécie de louça em vias de extinção (...)
           
Este post do caralho só ia ficar completo com este vídeo extremamente elucidativo.


Lembrem-se que o caralho é nosso, faz parte da nossa história. Por isso não tenham receio em usá-lo e não o deixem entrar em extinção, porque o caralho é nacional, e tudo o que seja nosso e seja nacional é bom!!!



(se houver material e imaginação suficientes ainda saí daqui uma rubrica)

This is for my people







Ora bem...apesar de os rascunhos existirem desde 2009, tiveram um interregno de uns bons meses, e voltaram a serem executados a 18 de Abril de 2010. Nesse dia recuperei o que tinha escrito no ano anterior e transpus tudo para um super-hiper-mega-gigante post do mês de Abril do ano passado.
Quero com isto dizer que o meu estabelecimento blogosférico faz um aninho de actividade, com coisas mais sérias, outras nem tanto. Mas continua por aqui e eu também faço intenções de continuar da mesma maneira.
O meu obrigada a quem perde um pouco do seu tempo a ler-me e a comentar-me, a quem por aqui passa, e continuem por cá porque eu gosto de vos ver aqui.
E this is for my people. 

domingo, abril 17, 2011

Hora do Vitinho (79)

Pegaram no musicão da Irene Cara e fizeram magia.

Opinanços

Ora bem....apesar de por vezes acharmos que não, vivemos todos em democracia. Temos todos direito a opinar sobre este e aquele assunto, temos direito a divergir das opiniões de outros bem como a contestá-las. Isso para mim é um direito e um dever de todos nós. No dia em que isso for proibido eu vou estar bem fodida da vida, principalmente em épocas como a que estamos a viver, porque opino e falo que me desunho e critico e argumento (quem tem o meu facebook sabe bem do que falo).
Se eu vivo num país democrático, tenho direitos e deveres para com a sociedade, também considero que os tenho no país e na sociedade da blogosfera.
Assim sendo, estive para aqui a matraquear ideias, e uma vez que este pobre e humilde estaminé está prestes a fazer um aninho, pus-me a pensar se devo ou não criar uma página no facebook aqui para o dito cujo.
Que conste que se eu tenho o meu perfil grego ali em cima, pessoas minhas conhecidas sabem da existência dos rascunhos da Inês e vêem aqui dar uma vista de olhos.

Então façam o obséquio de opinar ali no canto superior direito e cliquem de vossa justiça...
Os rascunhos já têem direito a um facebook, ou nem por isso???
Vá...ide opinar clicando nas respectivas opções.
E sim....vou deixar a mesma pergunta no meu facebook.


Músicas




A mensagem desta música deveria ser um guia para todos nós. 

"Well, there's a bridge and there's a river That I still must crossAs I'm going on my journeyOh, I might be lostAnd there's a road I have to followA place I have to goBut no one told me just how to get thereBut when I get there I'll know'Cause I'm taking it...Step by stepBit by bitStone by stoneBrick by brickStep by stepDay by dayMile by mileGo your own wayAnd this old road is rough and ruinSo many dangers along the waySo many burdens might fall upon meSo many troubles I have to faceBut I won't let my spirit fail meBut I won't let my spirit goUntil I get to my destinationI'm gonna take it slow Because I'm taking it...chorusSay baby, don't give upYou've got to hold on to what you've gotOh, baby, don't give upYou've go to keep on movingDon't stopYeah, yeahI know you're hurtingI know you're blueI know you're hurtingBut don't let the bad things get to youI'm taking it...chorusC'mon baby, gotta keep movin"

sábado, abril 16, 2011

Três

Eu sei que três é a conta que Deus fez.
A Wikipedia diz entre outras coisas que "o número três tem uma grande importância simbólica de união e equilíbrio, aparecendo na Santíssima Trindade, nos três poderes, sendo recorrente sua presença na literatura e nas artes.Três também é um número chave da democracia (...)"
Mas na minha opinião, acho que há coisas que são feitas a três, onde há sempre um desgraçado que fica a perder, ou que fica menos bem na história.


Esta imagem apareceu-me numa pesquisa de imagens em que pus a palavra life....Devo deduzir que a vida às vezes é complicada, mesmo para os cães....

Gentes

Para quem não sabe São Martinho do Porto é uma terra de elites. É frequente encontrar-se por lá a partir desta altura alguns colunáveis, pessoas que de facto nasceram em berço, daquelas que têm 7 e 8 apelidos. 
Também em São Martinho do Porto (tomaria que fosse só no Algarve, mas esta maleita encontra-se em todo o lado), se juntam com estas pessoas os chamados novos ricos e os falsos ricos (estes devem ter sensivelmente o mesmo saldo no banco que eu). O chato destas misturas é ter que ouvir um você em tom muito nasalado, observar um ar de soberba e de arrogância em pessoas ou que de repente se viram com os bolsos cheios de notas (não as do monopólio), e pensaram que o dinheiro compra a educação que tem a pessoa que curiosamente já nasceu com um bom saldo na conta, e que logicamente dispensa tratar o "comum mortal" como um subalterno.
Querem saber como descobrir um novo rico ou alguém que considera como tal? Tenham em atenção os pontos abaixo:
Roupa com o logotipo da marca bem à vista e de marcas de classe média-alta alta.
Exibição do Iphone e do Ipad para toda a gente ver, porque estas coisas têm que ser bem observadas.
Um histerismo em massa com o você para aqui e para ali (é de ficar de boca aberta quando o você venha cá passa a um vem já aqui ou levas).
Um olhar para o comum mortal que trabalha com laivos de arrogância e soberba.
Um pedir desconto numa reserva de forma histérica (então e o desconto???).
O fazer um empregado de café dar 50 voltas com o pedido.
O falar alto numa mesa de café para toda a gente ouvir e dar conta da sua presença.
Almoçam sandes, lancham sandes e não é pela dieta.É mesmo por só puderem comer essas coisas. É sandes e bolos e sumos a dividir por duas pessoas, sempre com ar arrogante.
O mais bonito nesta classe é ver coisas como avós dizerem às crianças para serem chamadas de tias, avós dizerem ás crianças não podem comer X ou Y porque não têm dinheiro. 
Esta classe também tem o hábito de se pavonear com o que tem, para onde vai, as férias que fez, estar a falar ao telemóvel uns decibéis acima do tom normal de voz.
Esta classe pensa que por ter acordado um dia com notas no bolso se pode equiparar a quem nasceu com elas, pensa que ter aparência e um tom de voz típico a faz passar pelo mesmo nível de quem tem o nome, o berço e o dinheiro. 

Quem nasceu com tudo isso não mostra para toda a gente ver os topos de gama que tem, nem brada para onde foi nas últimas férias, e não trata de maneira arrogante quem está ali por acaso a trabalhar.
Usam roupas de marca sim senhora, mas não andam com logótipos a mostrar fluorescentes a mostrar a marca, nem dizem que é Lacoste, Burberry, Gant e afins, não andam com arsenal de gadegts  atrás para os outros verem, não fazem o empregado do café dar 50 voltas, é educado a pedir desconto e maravilha das maravilhas é cordial, bem- educado e simpático para o comum mortal como eu, que por acaso trabalha. 

E mais uma coisa: é feio exigirem serem tratados por doutores e engenheiros. Isso não é coisa de quem tem berço. 

sexta-feira, abril 15, 2011

Precisa-se de matéria-prima para construir um país

"A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve.E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.

Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.
O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro.
Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.

Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.

Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escolados filhos ....e para eles mesmos.

Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.

Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito;
- Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.
- Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos.
- Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.
- Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é "muitochato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.
- Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns.



Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser "compradas", sem se fazer qualquer exame.
- Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar.
- Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.
- Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.

Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.
Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.

Não. Não. Não. Já basta.
Como "matéria prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.
Esses defeitos, essa "CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA" congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essafalta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte...

Fico triste.
Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.

E não poderá fazer nada...
Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve Sócrates e nem servirá o que vier.

Qual é a alternativa?
Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror?

Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados... igualmente abusados!

É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...
Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer.
Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.

Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos:


Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e, francamente, tolerantes com o fracasso.
É a indústria da desculpa e da estupidez.

Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido.

Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.

E você, o que pensa?.... MEDITE!"

EDUARDO PRADO COELHO In Público

Roubado

Roubado daqui.


"Já perdoei erros quase imperdoáveis,

tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas
que eu nunca pensei que iriam me decepcionar,
mas também já decepcionei alguém.

Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
e amigos que eu nunca mais vi.

Amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
e quebrei a cara muitas vezes!

Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).

Mas vivi!
E ainda vivo!
Não passo pela vida.
E você também não deveria passar!

Viva!!

Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é "muito" para ser insignificante."



                                                                                                                               Augusto Branco 


Eu já ri, já chorei, já caí já me levantei.
Já me dei sem querer nada em troca e já desesperei por nada receber.
Errei, acertei, gostei, odiei.
Já chorei por ver um sorriso, já ri de tanto chorar e já chorei de tanto rir.
Amaldiçoei e abençoei a minha vida, a minha história, o que foi, o que sou o que seria.
Já perdi, já ganhei, saí derrotada mas também vitoriosa.
Quis o mundo, e quis desistir do mundo.
Já sonhei, já desesperei por os sonhos não passarem disso mesmo, sonhos.

Já lutei, já me agarrei às minhas forças porque "enquanto houver estrada para anda a gente vai continuar", e eu vou andando e andando, caindo e levantando, rindo e chorando, sonhando e acordando, querendo e desejando, porque nestas histórias de se viver a última cartada não é a nossa, é a do destino. Por mais que joguemos, a última jogada não é a nossa. Contudo está nas nossas cartas, nas nossas mãos o necessário para fazermos do tempo que cá andamos um bom jogo, e que saímos vitoriosos dele, mesmo que a última cartada não seja a nossa.

O ditado diz que a vida são dois dias.Um dia já se foi no momento em que nasci, o segundo não sei quando vai acabar. Sei contudo, que gosto do segundo dia da minha vida, e que do segundo dia da minha vida, quero viver e ir vivendo, quero ir rindo e chorando, sentir as minhas emoções e dar de mim a quem de mim merece e precisa. Quero viver a adrenalina, quero sentir a calma. Quero dançar e cantar, rir e falar. Quero ler e escrever, quero sonhar quero aproveitar e desfrutar dos pequenos e dos grandes momentos que o segundo dia me dá.

E já diz a música "life is life"


© Brainstorming
Maira Gall