Gentes

sábado, abril 16, 2011

Para quem não sabe São Martinho do Porto é uma terra de elites. É frequente encontrar-se por lá a partir desta altura alguns colunáveis, pessoas que de facto nasceram em berço, daquelas que têm 7 e 8 apelidos. 
Também em São Martinho do Porto (tomaria que fosse só no Algarve, mas esta maleita encontra-se em todo o lado), se juntam com estas pessoas os chamados novos ricos e os falsos ricos (estes devem ter sensivelmente o mesmo saldo no banco que eu). O chato destas misturas é ter que ouvir um você em tom muito nasalado, observar um ar de soberba e de arrogância em pessoas ou que de repente se viram com os bolsos cheios de notas (não as do monopólio), e pensaram que o dinheiro compra a educação que tem a pessoa que curiosamente já nasceu com um bom saldo na conta, e que logicamente dispensa tratar o "comum mortal" como um subalterno.
Querem saber como descobrir um novo rico ou alguém que considera como tal? Tenham em atenção os pontos abaixo:
Roupa com o logotipo da marca bem à vista e de marcas de classe média-alta alta.
Exibição do Iphone e do Ipad para toda a gente ver, porque estas coisas têm que ser bem observadas.
Um histerismo em massa com o você para aqui e para ali (é de ficar de boca aberta quando o você venha cá passa a um vem já aqui ou levas).
Um olhar para o comum mortal que trabalha com laivos de arrogância e soberba.
Um pedir desconto numa reserva de forma histérica (então e o desconto???).
O fazer um empregado de café dar 50 voltas com o pedido.
O falar alto numa mesa de café para toda a gente ouvir e dar conta da sua presença.
Almoçam sandes, lancham sandes e não é pela dieta.É mesmo por só puderem comer essas coisas. É sandes e bolos e sumos a dividir por duas pessoas, sempre com ar arrogante.
O mais bonito nesta classe é ver coisas como avós dizerem às crianças para serem chamadas de tias, avós dizerem ás crianças não podem comer X ou Y porque não têm dinheiro. 
Esta classe também tem o hábito de se pavonear com o que tem, para onde vai, as férias que fez, estar a falar ao telemóvel uns decibéis acima do tom normal de voz.
Esta classe pensa que por ter acordado um dia com notas no bolso se pode equiparar a quem nasceu com elas, pensa que ter aparência e um tom de voz típico a faz passar pelo mesmo nível de quem tem o nome, o berço e o dinheiro. 

Quem nasceu com tudo isso não mostra para toda a gente ver os topos de gama que tem, nem brada para onde foi nas últimas férias, e não trata de maneira arrogante quem está ali por acaso a trabalhar.
Usam roupas de marca sim senhora, mas não andam com logótipos a mostrar fluorescentes a mostrar a marca, nem dizem que é Lacoste, Burberry, Gant e afins, não andam com arsenal de gadegts  atrás para os outros verem, não fazem o empregado do café dar 50 voltas, é educado a pedir desconto e maravilha das maravilhas é cordial, bem- educado e simpático para o comum mortal como eu, que por acaso trabalha. 

E mais uma coisa: é feio exigirem serem tratados por doutores e engenheiros. Isso não é coisa de quem tem berço. 

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