Pavões

quinta-feira, abril 28, 2011

Existe alguém que não tenha ouvido ontem os pavões a pupilar no Palácio de São Bento?? Mesmo que não tenham ouvido, ficam a saber que o som irritante dos pavões se chama pulpilar. Ou seja, o pavão não ronca, não grasna, não rosna, mas pupila...Mas adiante.


Ontem no facebook (que se está a diabolizar para a nossa esplendorosa e trabalhadora classe política, disseram-me algo como "faz um post sobre pavões!!!" E assim sendo, segue o bendito post sobre os pavões.
O problema de escrever sobre os pavões, foi basicamente encontrar um contexto ou uma semelhança com algo, de forma a que os ditos encaixassem aqui, porque não tenho por hábito debitar texto sobre documentários National Geographic e semelhantes. Como não tenho muito o hábito de fugir a desafios, fiz uma pesquisazita sobre as bichezas na wikipedia e afins, e descobri a fórmula mágica para escrever sobre os pavões, fazendo uma pequena comparação entre outras aves raras que por aqui andam.


Os pavões:
São vaidosos.
São emproados.
Emitem uns ruídos que irritam o comum mortal.
Dão nas vistas.
Exibem rituais estranhos de acasalamento: mostram aquelas penas que podem ter cerca de 2 metros para a pavoa ficar doida e pensar algo como: "este é o pavão, dos meus sonhos!!Vamos fazer muitos descendentes!!"
Durante o acasalamento ninguém os cala. Pupilam que se fartam.
O pavão não gosta que invadam o seu território. Se algum outro pavão comete esse acto,andam ambos à luta e se porventura o primeiro sai derrotado, volta para o seu território mas não desiste da conquistar o que considera seu.




E quais é que serão as aves raras que se assemelham com os pavões?? 


Os políticos, está claro.


São vaidosos: já viram algum político de cabelo despenteado, de dente amarelo, ou de camisa com nódoas??'Não pois não?Eu pelo menos nunca vi, nem o camarada Jerónimo se apresenta nesses preparos.


São emproados: claro que são. Para quem tenha dúvidas, veja os próximos debates para as legislativas. É um emproamento e uma luta de galináceos que é um drama e uma angústia ver tal disputa pelo território.


Emitem ruídos que nos irritam: a mim aquela história do "Oh Sôtor, Oh Sr Engenheiro, não diga isso, isso é uma falácia, votem em mim porque prometo este mundo e outro" etc, são ruídos irritantes,é um barulho que me dá cabo do nervoso.


Dão nas vistas: em plena campanha eleitoral é vê-los com o séquito e todos os que acreditam no seu ruído, juntamente com bandeiras, megafones, fanfarras e pavões pequenos que também pupilam por vontade própria, ou porque o pavão mor manda pupilar.


Exibem uns rituais estranhos de acasalamento: não têm penas de dois metros, mas têm muita palavrinha bonita para nos enganar, um sorriso para a senhora de 90 anos, para a desempregada desdentada, para a mãe com o bebé que chora desalmadamente com medo do pavão e das suas penas, e claro para a gaja boa que por acaso passa por ali.E nós quer queiramos ou não acabamos sempre por acasalar com o políticos...e somos todos bem fornicados por eles.  


Durante os rituais de acasalamento ninguém cala um político. Todos temos que saber da sua presença.Até chegam a ficar roucos de tanto quererem mostrar que pretendem ou estão a acasalar connosco.

Os políticos não gostam que invadam o seu território. Nenhum gosta, seja governo ou oposição, e quando um deles perde a disputa pelo território, volta para o seu canto e passa os próximos quatro anos a congeminar a melhor forma de voltar a disputar pelo lugar que outrora foi seu. E note-se que esta luta é cíclica. 


Feito o post sobre os pavões, resta-me dizer que estou a imaginar os cinco líderes políticos com aquelas penas no rabiosque a pupilarem uns contra os outros. O que é mesmo certo é que um deles vai acasalar com 10 milhões de Portugueses, quer queiramos quer não...quando isso acontecer, ir-se-à ouvir algo semelhante a "Pronto, pronto, aguenta, não chora..."são só mais quatro anos a acasalar ao meu jeito....


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