Para mais tarde recordar

quinta-feira, junho 30, 2011

Estive a ver agora a reportagem sobre o funeral do Angélico. Não me espanta ver por ali centenas de pessoas, neste tipo de funerais é normal, a malta tem que lá estar, e isso tanto se passa em Portugal como na Espanha, como em qualquer país.
Agora o que espanta nestes casos é ver as pessoas a dizerem aos repórteres "Não o conheci, só o via na tv, mas tive que vir vê-lo ao vivo e a o cores." Estas respostas só me lembram as carpideiras e as falsas beatas, que em vez de mostrarem alguma solidariedade para com os que sofrem, vão ver as lágrimas ao vivo e a cores porque isso é que é bonito.
Ir ver-se o nível de berros, de choros e desmaios, se existem muitos olhos vermelhos. Ter-se a certeza de que o morto está mesmo morto, vê-lo bem com estes olhinhos que a terra há-de comer. Já agora estar de olho na câmara de tv, porque elas andam aí e é sempre bom aparecer na televisão. É bonito, fica bem.
E não esquecer de contar à vizinhança tudo o que viu, porque isto de se ir ver a desgraça alheia é bonito e fica bem (vai-se a ver, pelo caminho ainda se pedem uns autógrafos e tiram-se umas fotos às escondidas que podem vir a dar jeito, e fica sempre bem guardar estes momentos para mostrar aos que não puderam ir prestar o seu carpideirismo ao local.

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