Sobre o suícidio

terça-feira, dezembro 13, 2011




Apenas isto.
E pouco mais:
Não nos conhecemos a nós mesmos e não conhecemos os outros. Não sabemos se a pessoa que mostra um ar de felicidade suprema realmente o é.
Não sabemos o que prepassa na cabeça de muitas pessoas que aparentemente têm tudo para serem felizes, ou para caminharem para essa felicidade.
Não sabemos que factores determinam o acto de acabar com a própria vida.
Falamos e opinamos dizendo "Ah e tal, não entendo tinha tudo para ser feliz", ou " realmente tinha uma vida um bocado infeliz mas deixou a família, a esposa, o marido, o filho", ou "não tinha motivos nenhuns para isso".
Não sabemos o que leva alguém a cometer este acto, sabemos contudo que tem muito sofrimento no assunto.Sofrimento da pessoa que o faz, sofrimento da família de quem faz

Há cerca de dois anos pensei em cometer suícidio, em acabar com tudo, mandar tudo ao ar, esquecer,fazer a verdadeira apologia do "quero que metade do mundo se mate, e que a outra metade se foda."
Desistir de mim, dos outros, de tudo. Desaparecer deste mundo de uma vez por todas, acabar pura e simplesmente. E lembro-me perfeitamente que em Dezembro de 2009 (sensivelmente por estes dias), olhei para uma caixa de Diazepam novinha em folha e pensei "porque não"? Agarrei na caixa, abri-a e pensei outra vez "e porque não?Estou farta da minha vida, estou farta de sofrer, estou farta de viver, estou farta de ver sofrimento, não aguento mais isto, não consigo fazer o que me prupôs", e mais e mais e mais. E fiquei muito tempo a olhar para os comprimidos, com as lágrimas a cair pelo acto de egoísmo que ia cometer, mas com uma vontade tão grande de o fazer e de acabar comigo, de ir embora deste mundo.
Mas não o fiz, não sei se desisti de o fazer, sei que não o fiz por causa dos meus pais e muito principalmente por causa da minha mãe.
Se o fizesse estava a cometer como eu digo um acto de egoísmo, a pensar somente em mim e a esquecer os outros. Os meus pais e neste caso particular a minha mãe não mereciam o meu acto de egoísmo.Então arrumei a caixa e adormeci a chorar, a questionar-me do porquê, do porquê de tudo.  

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