Amor

domingo, abril 08, 2012

Banalizaram o amor, a palavra amo-te, o verbo amar.
Banalizaram o sentimento, o verbo e a palavra mais profundos que existem dentro do ser humano.
Hoje pega-se num amo-te com a mesma facilidade com que se diz gosto. Ama-se uma camisola, tem-se amor a umas calças, amam-se as pessoas mesmo só gostando delas ou simpatizando.
Banalizou-se o que deve ser dito do mais profundo de nós. Tenho a sensação de que se usa o substantivo e o verbo por ser bonito, por ficar bem, por X ou Y gostar, não por ser realmente sentido, por vir dentro das nossas entranhas.
Como é que se pode dizer que se ama uma peça de roupa, quando só se gosta? Não se pode amar roupa, assim como não se pode amar um objecto. Pode-se amar a família, o mais que tudo, mas o acessório, o que não nos é essencial não se ama. Esse adora-se, gosta-se, admira-se, não se ama.
Faz-me confusão a banalização da palavra mais forte que existe, o facilitismo com que se diz só por ficar bem na fotografia, para ser bonito, ao corriqueiro que se diz amar.
Não amo camisolas e sapatos, livros e música. Gosto ou adoro, e para mim é assim que as coisas funcionam.
O verbo, o sentimento, e o substantivo tornaram-se quase que como corriqueiros nos dias de hoje. E eu não gosto mesmo nada de ver essa banalização.

Não banalizem a palavra, o sentimento, o verbo, porque todos precisamos dele, como é, com tudo, sem falsidades ou facilitismos, mas com sentimento.



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