quinta-feira, maio 31, 2012

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E por vezes a confiança que temos em nós parece esvair-se como a areia se esvai pelas nossas mãos.
E pronto é isto....momento de baixa-autoestima, e de um déficit de confiança elevado.

terça-feira, maio 29, 2012

Situação caricata no trabalho

Senhores - "Bom dia!! A senhora está a vender zon??"
Inês - Bom dia. Desculpe??"
Senhores - "Zon??Não vende zon aqui??"
Inês - "Não".
Senhores - "Não vende??Ali está escrito Zon."
Inês - "Não é zon, é zone."
Senhores - "Ah é zone??"
Inês - "Sim, PortugalWestZone. Vendemos passeios turísticos.
Senhores - "Ahhhh pois vendem. É que pareceu-me ver zon."



Já no estabelecimento hoteleiro tive a minha dose de situações caricatas. Não tivesse eu na empresa cujo logo consta ali em baixo, uma situação semelhante, seria estranho. De notar que a situação caricata surgiu por a empresa ter um ponto de venda em São Martinho em plena marginal. E quem está no ponto de vendas é a minha pessoa.


segunda-feira, maio 28, 2012

Enjoy yourself (It's later than you think)

You work and work for years and years, you're always on the go
You never take a minute off, too busy makin' dough
Someday you say, you'll have your fun, when you're a millionaire
Imagine all the fun you'll have in your old rockin' chair


Enjoy yourself, it's later than you think
Enjoy yourself, while you're still in the pink
The years go by, as quickly as a wink
Enjoy yourself, enjoy yourself, it's later than you think


You're gonna take that ocean trip, no matter come what may
You've got your reservations made, but you just can't get away
Next year for sure, you'll see the world, you'll really get around
But how far can you travel when you're six feet underground?


Your heart of hearts, your dream of dreams, your ravishing brunette
She's left you and she's now become somebody else's pet
Lay down that gun, don't try my friend to reach the great beyond
You'll have more fun by reaching for a redhead or a blond


Enjoy yourself, it's later than you think
Enjoy yourself, while you're still in the pink
The years go by, as quickly as a wink
Enjoy yourself, enjoy yourself, it's later than you think


You never go to night clubs and you just don't care to dance
You don't have time for silly things like moonlight and romance
You only think of dollar bills tied neatly in a stack
But when you kiss a dollar bill, it doesn't kiss you back


Enjoy yourself, it's later than you think
Enjoy yourself, while you're still in the pink
The years go by, as quickly as a wink
Enjoy yourself, enjoy yourself, it's later than you think







Acabei de ouvir há pouco no último episódio do Dr house (não vi apesar de ter a tv na Fox, vejo a repetição). Não foi difícil de descobrir e basicamente fala de aproveitarmos enquanto por cá andamos.



A que sabe o Verão

Os meus parabéns a quem concebeu o texto de VerãoLimão da Sumol. Para além de falar da minha zona em duas frases está fantástico. Capta a nossa atenção e descreve o Verão e o que traz. Eu gostei tanto que pedi no café uma das tolhas de papel da sumol, para transcrever  o dito.

"Sabes a fresco, sabes a pop e a lolipop, neons fluorescentes e a chuva de estrelas cadentes.
Sabes a areia do e sal e beijos de sereias.
Sabes a Ich Lieb Dich, que hoje não há amanhã.
Sabes a imprevistos, pneus furados e comboios trocados.
Sabes a olhos verdes, a arriscar e a ir.
Sabes a 7800 quilómetros a curtir.
Sabes a festas instantâneas e a mergulhos secretos.
Sabes a Moledo, a São Martinho, a Algarve só com um L.
Sabes a topless, stressless, room, chambre e zimmer.
Sabes a dias maiores que as noites, a camas sem sono, em câmara lenta como na tv.
Sabes a jogos sem fronteiras e a barcos do amor.
Sabes a óculos escuros e a summer mix, rodelas fininhas e uma palhinha.
Sabes a pump up the jam.
Sabes a melhores amigos, a asneiras sem castigos.
Sabes a dançar de olhos fechados sem medo nem vergonha.
Sabes diferente para toda a gente.
Sabes a novo.
Sabes a Verão.
Sabes a limão."


A mim o Verão sabe ao sal,e cheira a ele, e a mar. Vai saber sempre a isso.Sabe a trabalho.Já soube a noites quentes, a tardes na praia, a jantaradas, a noites sem fim.Já soube a loucuras e devaneios.Já soube a tentar fazer uma maldita de uma coreografia que se dançava em tudo quanto era discoteca (eu e coreografias de grupo não nos entendemos, temos falta de sincronização).Sabe a ter o melhor bronze do país ( e não é o do Algarve).


domingo, maio 27, 2012

Rock in Rio (eu quero mas não vou!!!)

Aiiiiii o que eu gostava de estar no Rock in Rio a ver os concertos de hoje...eu ia adorar,ia quase como que voltar atrás no tempo!!Todas estas bandas passaram pela minha adolescência,faço parte da malta que ia para a melhor discoteca aqui do Oeste para a pista 2 curtir este som. 

God bless Sic Radical, que transmite em directo!!!Agora venham os Smashing!!!E que toquem isto....





Tive tanta pena em não ver Offspring e Limp bizkit....

E gostava tanto de ir dia 1 e dia 2...Queria tanto ver o Lenny Kravitz, Stevie Wonder...

Adenda: e tocaram!!!Logo no início!!!E estão a tocar os clássicos!!

quarta-feira, maio 23, 2012

Diz-se que é mentira: a verdade


1º Tirei a minha licenciatura em Lisboa.

É mentira. Licenciei-me em Tomar. Gestão Turística e Cultural.



2º Considero a minha impulsividade uma virtude.

É mentira. Já a tomei como virtude, já fui impulsiva em muita coisa, nas palavras nos actos. Hoje vejo-a como um semi defeito, como algo que não é carne e nem é peixe. Não significa que não faça ainda uso dela, mas estou a aprender a controlá-la,e este é um processo longo. Não acredito que deixe de o ser, mas controlar a dita dá jeito.


3º Sou uma pessoa ambiciosa.

Mentira. Não sou nada ambiciosa, nunca foi. Percebo quem o é, e não critico de forma alguma quem tem ambições, excepto quando querem o céu, a terra, o sol, a lua e as estrelas. Acho que devemos ficar satisfeitos com um deles e não querer sempre mais, mais e mais. Ambição a mais não é saudável.


4º Gosto da solidão, e da introspecção.

Verdade. Gosto, gosto, e gosto. E sou muito introspectiva e penso muito.Sempre me conheci assim. 


5º Sou reservada, quiça roço a timidez.

Verdade. Sou reservada, e sim roço a timidez. E sim muitas vezes ambas as coisas são confundidas com alguma arrogância. É feitio. Só tiro a timidez quando confio na pessoa que está ao meu lado.


6º Acredito que o sonho comanda a vida.

Verdade. Apesar de ser terra a terra, demasiado realista, acredito que o sonho comanda a vida, e que todos devemos sonhar. Eu apesar de tudo sonho, e acredito que todos devemos sonhar.



7º Aprendi a viver com os meus complexos.

Aprendi sim senhora. E ficou devidamente postado. Temos que saber viver com as nossas qualidades, defeitos, e complexos. 

Questões parvas

Estou a questionar-me se os cabelos brancos que hoje tenho na franja, a reluzirem ao sol, já cá estavam mas escondidos, ou apareceram esta noite....
Malditos...mesmo na franja...
Sacanas dos cabelos.....

segunda-feira, maio 21, 2012

Quanto aos globos de ouro

Medo muito medo.
Medo da cor do vestido...
Medo das unhas....
Medo da cor das unhas...
Medo do tamanho das unhas...
Só me lembro da bruxa má com as unhas grandes...

Robin Gibb

O disco sound é um dos meus guilty pleasures, e é não pelo facto de ter visto o Travolta amexer a anca e o resto no saturday night fever, mas graças a esta banda, a este trio, autores e cantores das músicas em que Travolta mexia a sua anca.
O "You should be dancing", o "Night fever" e o famoso "Satyin' alive" terão provavelmente trazido a fama ao grupo, o irmão mais velho terá sido tido como vocalista principal, mas Robin Gibb tinha uma voz extraordinária.


sexta-feira, maio 18, 2012

O ruivo

Eu sou fã do ruivo. Deste O ruivo tem uma voz fantástica e dá um grande espectáculo. O ruivo tem uma voz poderosa, sabe estar em palco e cativa o publíco. Não é à toa que ele foi, é e será os Simply Red.
Tenho a certeza que se visse o ruivo ao vivo não iria parar de dançar o "Ain't that of love" ( a partir do minuto 2.40).
Neste momento estou sentadita, "but this music makes me groove".


"Ain't that a lot of love for one heart to hold
Your lips are so sweet, honey you're my every need
You got a smile so rare
A love like yours I just can't compare"

  

quinta-feira, maio 17, 2012

Hora do Vitinho (125)





"My Funny Valentine
Sweet Comic Valentine
You Make Me Smile With My Heart
You're Looks Are Laughable,
Unphotographable
Yet You're My Favorite Work Of Art
Is Your FigureLess Than Greek
Is Your Mouth A Little Weak
When You Open It To Speak
Are You Smart
Don't Change A Hair For Me
Not If You Care For Me
Stay Little Valentine Stay
Each Day Is Valentine's Day."

Complexos




Ler este segredo levou-me a escrever ou a voltar a escrever sobre o assunto, e mais qualquer coisa.
Eu tenho mamas pequenas, visto tamanho 32 de soutien, na adolescência ouvi os famosos "tábua de passar a ferro....saís ao teu pai".
Também ouvi o famoso "se não gostares de ti ninguém gostará", mas convenhamos que não foi fácil....cara de rapariga perfeitamente comum que não se achava propriamente bonita na altura (hoje vejo-me ao espelho e considero-me normal, nem carne, nem peixe, normal), magra (ainda sou), estrábica (operada duas vezes), gaga, caixa de óculos e com um tamanho 32 de mamas. Basicamente a quase rainha dos complexos (safa-se o traseiro que sempre foi "saliente"). Como é que se ultrapassam estes complexos todos???Basicamente não sei, mas sei que foi ultrapassado. 

Aprendi a conviver com o tamanho 32, descobri que lá por ser magra ainda tinha algumas curvas. Mas a maior luta terá sido a com o estrabismo, não as mamas, não a gaguez, não o ser magra, sim o estrabismo. 

Esse sempre foi o meu maior complexo. Verdade seja dita, não olhava as pessoas nos olhos,  não gostava de que olhassem nos meus olhos, odiava que me mandassem levantar a cabeça e olhar nos olhos. Esta foi a minha luta, esta foi a condicionante para a timidez (se não falo, não olham para mim, logo passo despercebida com o olho torto). Seria um estrabismo à Rita Pereira, não exagerado, mas que se notava. 

Como ultrapassei??? Levei muito nas orelhas para olhar para as pessoas, custou-me aprender a fazer o que é normal para o comum mortal. Começei a aprender a olhar "olhos nos olhos" ( e a descobrir o bom que é olhar, a falar sem desviar o olhar, ou a fazê-lo menos). Depois veio a esperança: a operação para endireitar o olho pela segunda vez, com riscos (ficar tudo na mesma,e a pálpebra descair). Mas a operação, uma questão de saúde e sim também uma questão de estética ( a meu ver as duas), fez-me bem, fez bem à minha auto-estima, fez definitivamente com que olhasse as pessoas nos olhos. As mamas passaram em definitivo para último plano, assim como o resto.

Se operava as mamas, como operei o olho?

Não, nunca o faria. Estou habituada ao tamanho 32, não me iria sentir bem, com umas laranjas, ou umas meloas. Ia ficar desproporcional em mim, sempre o achei, e ainda acho.

Como faço com os decotes? Alguns não uso por ter "alguma noção do ridículo", outros componho com acessórios de que sempre gostei: écharpes, fios, e está feito a coisa.
Quanto ao olho, anda direitinho, no devido lugar desde os 18 anos (acho eu), e assim vai continuar. A gaguez por cá anda, o tamanho 32 e o ser magra idem, o rabiosque ibidem, os óculos também.
Mas gosto dos meus olhos....tenho pena em ter passado parte da adolescência a escondê-los.

Quanto ao resto também importante, aprendi a gostar de mim, assim como sou, com restos de complexos, qualidades e defeitos incluídos, e quem gostar de mim, tem que gostar do pacote inteiro. Não há lugar a silicones, a lentes de contacto, a nada.  

quarta-feira, maio 16, 2012

Obscenidades para uma dona de casa


"Três da tarde ainda, ficava ansiosa. Andava para lá, entrava na cozinha, preparava nescafé. Ligava televisão, desligava, abria o livro. Regava a planta já regada, girava a agenda telefônica, à procura de amiga a quem chamar. Apanhava o litro de martíni, desistia, é estranho beber sozinha às três e meia da tarde. Podem achar que você é alcoólatra. Abria gavetas, arrumava calcinhas e sutiãs arrumados. Fiscalizava as meias do marido, nenhuma precisando remendo. Jamais havia meias em mau estado, ela se esquecia que ele é neurótico por meias, ao menor sinal de esgarçamento, joga fora. Nem dá aos empregados do prédio, atira no lixo.


Quatro horas, vontade de descer, perguntar se o carteiro chegou, às vezes vem mais cedo. Por que há de vir? Melhor esperar, pode despertar desconfiança. Porteiros sempre se metem na vida dos outros, qualquer situação que não pareça normal, ficam de orelha em pé. Então, ele passará a atenção no que o carteiro está trazendo de especial para a mulher do 91 perguntar tanto, com uma cara lambida. Ah, aquela não me engana! Desistiu. Quanto tempo falta para ele chegar? Ela não gostava de coisas fora do normal, instituiu sua vida dentro de um esquema nunca desobedecido, pautara o cotidiano dentro da rotina sem sobressaltos. Senão, seria muito difícil viver. Cada vez que o trem saía da linha, era um sofrimento, ela mergulhava na depressão. Inconsolável, nem pulseiras e brincos, presentes que o marido trazia, atenuavam.


Na fossa, rondava como fera enjaulada, querendo se atirar do nono andar. Que desgraça se armaria. O que não diriam a respeito de sua vida. Iam comentar que foi por um amante. Pelo marido infiel. Encontrariam ligações com alguma mulher, o que provocava nela o maior horror. Não disseram que a desquitada do 56 descia para se encontrar com o manobrista, nos carros da garagem? Apenas por isso não se estatelava alegremente lá embaixo, acabando com tudo.


Quase cinco. E se o carteiro atrasar? Meu deus, faltam dez minutos. Quem sabe ela possa descer, dar uma olhadela na vitrine da butique da esquina, voltar como quem não quer nada, ver se a carta já chegou. O que dirá hoje? Os bicos dos teus seios saltam desses mamilos marrons procurando a minha boca enlouquecida. Ficava excitada só em pensar. A cada dia as cartas ficam mais abusadas, entronas, era alguém que escrevia bem, sabia colocar as coisas. Dia sim, dia não, o carteiro trazia o envelope amarelo, com tarja marrom, papel fino, de bom gosto. Discreto, contrastava com as frases. Que loucura, ela jamais imaginara situações assim, será que existiam? Se o marido, algum dia, tivesse proposto um décimo daquilo, teria pulado da cama, vestido a roupa e voltado para casa da mãe. Que era o único lugar para onde poderia voltar, saíra de casa para se casar. Bem, para falar a verdade, não teria voltado. Porque a mãe iria perguntar, ela teria que responder com honestidade. A mãe diria ao pai, para se desabafar. O pai, por sua vez, deixaria escapar no bar da esquina, entre amigos. E homem, sabe-se como é, é aproveitador, não deixa escapar ocasião de humilhar a mulher, desprezar, pisar em cima.


As amigas da mãe discutiriam o episódio e a condenariam. Aquelas mulheres tinham caras terríveis. Ligou outra vez a tevê, programa feminino ensinando a fazer cerâmica. Lembrou-se que uma das cartas tinha um postal com cenas da vida etrusca, uma sujeira inominável, o homem de pé atrás da mulher, aquela coisa enorme no meio das pernas dela. Como podia ser tão grande? Rasgou em mil pedaços, pôs fogo em cima do cinzeiro, jogou tudo na privada. O que pensavam que ela era? Por que mandavam tais cartas, cheias de palavras que ela não ousava pensar, preferia não conhecer, quanto mais dizer. Uma vez, o marido tinha dito, resfolegante, no seu ouvido, logo depois de casada, minha linda bocetinha. E ela esfriou completamente, ficou dois meses sem gozar. 
Nem dizia gozar, usava ter prazer, atingir o orgasmo. Ficou louca da vida no chá de cozinha de uma amiga, as meninas brincando, morriam de rir quando ouviam a palavra orgasmo. Gritavam: como pode uma palavra tão feia para uma coisa tão gostosa? Que grosseria tinha sido aquele chá, a amiga nua no meio da sala, porque tinha perdido no jogo de adivinhação dos presentes. E as outras rindo e comentando tamanhos, posições, jeitos, poses, quantas vezes. Mulher, quando quer, sabe ser pior do que homem. Sim, só que conhecia muitas daquelas amigas, diziam mas não faziam, era tudo da boca para fora. A tua boca engolindo inteiro o meu cacete e o meu creme descendo pela tua garganta, para te lubrificar inteira. Que nojenta foi aquela carta, ela nem acreditava, até encontrou uma palavra engraçada, inominável. Ah, as amigas fingiam, sabia que uma delas era fria, o marido corria como louco atrás de outras, gastava todo o salário nas casas de massagens, em motéis. E aquela carta que ele tinha proposto que se encontrassem uma tarde no motel? Num quarto cheio de espelhos, para que você veja como trepo gostoso em você, enfiando meu pau bem no fundo. 
Perdeu completamente a vergonha, dizer isso na minha cara, que mulher casada não se sentiria pisada, desgostosa com uma linguagem destas, um desconhecido a julgá-la puta, sem nada a fazer em casa, pronta para sair rumo a motéis de beira de estrada. Para que lado ficam?


Vai ver, um dos amigos de meu marido, homem não pode ver mulher, fica excitado e é capaz de trair o amigo apenas por uma trepada. Vejam o que estou dizendo, trepada, como se fosse a coisa mais natural do mundo.


Caiu em si raciocinando se não seria alguém a mando do próprio marido, para averiguar se ela era acessível a uma cantada. Meu deus, o que digo? Fico transtornada com estas cartas que chegam religiosamente, é até pecado falar em religião, misturar com um assunto deste, escabroso. E se um dia o marido vier mais cedo para casa, apanhar uma das cartas, querer saber? Qual pode ser a reação de um homem de verdade, que se preze, ao ver que a mulher está recebendo bilhetes de um estranho? Que fala em coxas úmidas como a seiva que sai de você e que eu provoquei com meus beijos e com este pau que você suga furiosamente cada vez que nos encontramos, como ontem à noite, em pleno táxi, nem se importou com o chofer que se masturbava. Sua louca, por que está guardando as cartas no fundo daquela cesta? A cesta foi a firma que mandou num antigo natal, com frutas, vinhos, doces, champanhe. A carta dizia deixo champanhe gelada escorrer nos pêlos da tua bocetinha e tomo em baixo com aquele teu gosto bom. Porcaria, deixar champanhe escorrer pelas partes da gente. Claro, não há mal, sou mulher limpa, de banho diário, dois ou três no calor. Fresquinha, cheia de desodorante, lavanda, colônia. Coisa que sempre gostei foi cheirar bem, estar de banho tomado. Sou mulher limpa. No entanto, me pediu na carta: não se esfregue desse jeito, deixe o cheiro natural, é o teu cheiro que quero sentir, porque ele me deixa louco, pau duro. Repete essa palavra que não uso. Nem pau, nem pinto, cacete, caralho, mandioca, pica, piça, piaba, pincel, pimba, pila, careca, bilola, banana, vara, trouxa, trabuco, traíra, teca, sulapa, sarsarugo, seringa, manjuba.


Nenhuma. Expressões baixas. A ele, não se dá nenhuma denominação. Deve ser sentido, não nomeado. Tem gente que adora falar, gritar obscenidades, assim é que se excitam, aposto que procuram nos dicionários, para encontrar o maior número de palavras. Os homens são animais, não sabem curtir o amor gostoso, quieto, tranqüilo, sem gritos, o amor que cai sobre a gente como a lua em noite de junho. Assim eram os versinhos no almanaque que a farmácia deu como brinde, no dia dos namorados. Tirou o disco da Bethânia, comprou um LP só por causa de uma música, Negue. Ouvia até o disco rachar, adorava aquela frase, a boca molhada ainda marcada pelo beijo seu. Boca marcada, corpo manchado com chupadas que deixam marcas pretas na pele. Coisas de amantes. Esse homem da carta deve saber muito. Um atleta sexual. Minha amiga Marjori falou de um artista da televisão. Podia ficar quantas horas quisesse na mulher. Tirava, punha, virava, repunha, revirava, inventava, as mulheres tresloucadas por ele. Onde Marjori achou estas besteiras, ela não conhece ninguém de tevê?


Interessa é que a gente assim se diverte. Se bem que se possa divertir, sem precisar se sujeitar a certas coisas. Dessas que a mulher se vê obrigada, para contentar o marido e ele não vá procurar outras. Que diabo, mulher tem que se impor! Que pensam que somos para nos utilizarem? Como se fôssemos aparelhos de barba, com gilete descartável. Um instrumento prático para o dia-a-dia, com hora certa! Como os homens conseguem fazer barba diariamente, na mesma hora? Nunca mudam. Todos os dias raspando, os gestos eternos. É a impressão que tenho quando entro no banheiro e vejo meu marido fazendo a barba. Há quinze anos, ele começa pelo lado direito, o esquerdo, deixa o queixo para o fim, apara o bigode. Rio muito quando olho o bigode. Não posso esquecer um dia que os pelinhos do bigode me rasparam, ele estava com a cabeça entre as minhas pernas, brincando. Vinha subindo, fechei as pernas, não vou deixar fazer porcarias deste tipo. Quem pensa que sou? Os homens experimentam, se a mulher deixa, vão dizer que sou da vida. Puta, dizem puta, mas é palavra que me desagrada. E o bigode faz cócegas, ri, ele achou que eu tinha gostado, quis tentar de novo, tive de ser franca, desagradável. Ele ficou mole, inteirinho, durante mais de duas semanas nada aconteceu. O que é um alívio para a mulher. Quando não acontece é feriado, férias. Por que os homens não tiram férias coletivas? Ia ser tão bom para as mulheres, nenhum incômodo, nada de estar se sujeitando. Na carta de anteontem ele comentava o tamanho de sua língua, que tem ponta afiada e uma velocidade de não sei quantas rotações por segundo. Esse homem tem senso de humor. É importante que uma pessoa brinque, saiba fazer rir. O que ele vai fazer com uma língua a tantas mil rotações? Emprestar ao dentista para obturar dentes? Outra coisa engraçada que a carta falou, só que esta é uma outra carta, chegou no mês passado, num papel azul bonito: queria me ver de meias pretas e ligas. Ridículo, mulher nua de pé no meio do quarto, com meias pretas e ligas. Nem pelada nem vestida. E se eu pedisse a ele que ficasse de meias e ligas? Arranjava uma daquelas ligas antigas, que meu avô usava e deixava o homem pelado com meias. Igual fazer amor de chinelos. Outro dia, estava vendo o programa do Sílvio Santos, no domingo. Acho o domingo muito chato, sem ter o que fazer, as crianças vão patinar, meu marido passa a manhã nos campos de várzeas, depois almoça, cochila, e vai fazer jockeyterapia. 
Ligo a televisão, porque o programa Sílvio Santos tem quadros muito engraçados. Como o dos casais que respondem perguntas, mostrando que se conhecem. O Sílvio Santos perguntou aos casais se havia alguma coisa que o homem tivesse tentado fazer e a mulher não topou. Dois responderam que elas topavam tudo. Dois disseram que não, que a mulher não aceitava sugestões, nem achava legal novidade. A que não topava era morena, rosto bonito, lábio cheio e dentes brancos, sorridente, tinha cara de quem topava tudo e era exatamente a que não. A mulher franzina, de cabelos escorridos, boca murcha, abriu os olhos desse tamanho e respondeu que não havia nada que ele quisesse que ela não fizesse e a cara dele mostrava que realmente estavam numa boa. Parece que iam sair do programa e se comer.


Como se pode ir a público e falar desse jeito, sem constrangimento, com a cara lavada, deixando todo mundo saber como somos, sem nenhum respeito? Há que se ter compostura. Ouvi esta palavra a vida inteira, e por isso levo uma vida decente, não tenho do que me envergonhar, posso me olhar no espelho, sou limpa por dentro e por fora. Talvez por isso me lave tanto, para me igualar, juro que conservo a mesma pureza de menina encantada com a vida. Aliás, a vida não me desiludiu em nada. Tive pequenos aborrecimentos e problemas, nunca grandes desilusões e nenhum fracasso. Posso me considerar realizada, portanto satisfeita, sem invejas, rancores. Sou uma das mulheres que as famílias admiram neste prédio. Uma casa confortável, bem decorada, qualquer uma destas revistas de onde tiro as idéias podia vir aqui e fotografar, não faria vergonha. Nossa, cinco e meia, se não voar, meu marido chega, o carteiro entrega o envelope a ele, vai ser um sururu. Prestem atenção, veja a audácia do sujo, me escrevendo, semana passada. (Disse que faz três meses que recebo as cartas? Se disse, me desculpem, ando transtornada com elas, não sei mais o que fazer de minha vida, penso que numa hora acabo me desquitando, indo embora, não suporto esta casa, o meu marido sempre na casa de massagens e na várzea, esses filhos com patins, skates, enchendo álbuns de figurinhas e comendo como loucos.) Semana passada o maluco me escreveu: Queria te ver no sururu, ia te pôr de pé no meio do salão e enfiar minha pica dura como pedra bem no meio da tua racha melada, te fodendo muito, fazendo você gritar quero mais, quero tudo, quero que todo mundo nesta sala me enterre o cacete.


Tive vontade de rasgar tal petulância, um pavor. Sem saber o que fazer, fiquei imobilizada, me deu uma paralisia, procurei imaginar que depois de estar em pé no meio da sala recebendo um homem dentro de mim, na frente de todos, não me sobraria muito na vida. Era me atirar no fogão e ligar o gás. Entrei em pânico quando senti que as pessoas poderiam me aplaudir, gritando bravo, bravo, bis, e sairiam dizendo para todo mundo: "sabe quem fode como ninguém? A rainha das fodas?" Eu. Seria a rainha, miss, me chamariam para todas as festas. Simplesmente para me ver fodendo, não pela amizade, carinho que possam ter por mim, mas porque eu satisfaria os caprichos e as fantasias deles. Situações horrendas, humilhantes, desprezíveis para mulher que tem um bom marido, filhos na escola, uma casa num prédio excelente, dois carros.


Apanho a carta, como quem não quer nada, olho distraidamente o destinatário, agora mudou o envelope, enfio no bolso, com naturalidade, e caminho até a rua, me dirijo para os lados do supermercado, trêmula, sem poder andar direito, perna toda molhada. Fico tão ansiosa, deve ser uma doença que me molho toda, o suco desce pelas pernas, tenho medo que escorra pelas canelas e vejam. Preciso voltar, desesperada para ler a carta. O que estará dizendo hoje? Comprei puropurê, tenho dezenas de latas de puropurê. Cada vez que desço para apanhar a carta, vou ao supermercado e apanho uma lata de puropurê. O gesto é automático, nem tenho imaginação de ir para outro lado. Por que não compro ervilhas? Todo mundo adora ervilhas em casa. Se meu marido entrar na despensa e enxergar esse carregamento de puropurê vai querer saber o que significa. E quem é que sabe?


É dele mesmo, o meu querido correspondente. Confesso, o meu pavor é me sentir apaixonada por este homem que escreve cruamente. Querer sumir, fugir com ele. Se aparecer não vou agüentar, basta ele tocar este telefone e dizer: "Venha, te espero no supermercado, perto da gôndola do puropurê." Desço correndo, nem faço as malas, nem deixo bilhete. Vamos embora, levando uma garrafa de champanhe, vamos para as festas que ele conhece. Fico louca, nem sei o que digo, tudo delírio, por favor não prestem atenção, nem liguem, não quero trepar com ninguém, adoro meu marido e o que ele faz é bom, gostoso, vou usar meias pretas e ligas para ele, vai gostar, penso que vai ficar louco, o pau endurecido querendo me penetrar. Corto o envelope com a tesoura, cuidadosamente. Amo estas cartas, necessito, se elas pararem vou morrer. Não consigo ler direito na primeira vez, perco tudo, as letras embaralham, somem, vejo o papel em branco. Ouça só o que ele me diz: Te virar de costas, abrir sua bundinha dura, o buraquinho rosa, cuspir no meu pau e te enfiar de uma vez só para ouvir você gritar. Não é coisa para mulher ler, não é coisa decente que se possa falar a uma mulher como eu. Vou mostrar as cartas ao meu marido, vamos à polícia, descobrir, ele tem de parar, acabo louca, acabo mentecapta, me atiro deste nono andar. Releio para ver se está realmente escrito isso, ou se imaginei. Escrito, com todas as palavras que não gosto: pau, bundinha. Tento outra vez, as palavras estão ali, queimando. Fico deitada, lendo, relendo, inquieta, ansiosa para que a carta desapareça, ela é uma visão, não existe e, no entanto, está em minhas mãos, escrita por alguém que não me considera, me humilha, me arrasa.


Agora, escureceu totalmente, não acendo a luz, cochilo um pouco, acordo assustada. E se meu marido chega e me vê com a carta? Dobro, recoloco no envelope. Vou à despensa, jogo a carta na cesta de natal, quero tomar um banho. Hoje é sexta-feira, meu marido chega mais tarde, passa pelo clube para jogar squash. A casa fica tranqüila, peço à empregada que faça omelete, salada, o tempo inteiro é meu. Adoro as segundas, quartas e sextas, ninguém em casa, nunca sei onde estão as crianças, nem me interessa. Porque assim me deito na cama (adolescente, escrevia o meu diário deitada) e posso escrever outra carta. Colocando amanhã, ela me será entregue segunda. O carteiro das cinco traz. Começo a ficar ansiosa de manhã, esperando o momento dele chegar e imaginando o que vai ser de minha vida se parar de receber estas cartas."

Ignácio de Loyola Brandão - Obscenidades para uma dona-de-casa



Foi à procura deste texto , com a intenção de o colocar aqui com o título de "o poder libertador do palavrão". Contudo, ocorreu-me a ideia de pesquisar no estaminé a palavra palavrão e descobri que já aqui consta o dito texto. Nesta minha procura, voltei a reler mais este, que fala dos palavrões à boa maneira Portuguesa.


Nestas procuras veio aterrar à minha frente o texto que se encontra acimam um conto chamado "Obscenidades para uma dona de casa." Este conto faz parte de uma coletânea chamada "Cem Melhores Contos Brasileiros do Século". Considerado um conto erótico, este texto foi alvo de "censura" entre pais e professores.
No Brasil, definitivamente não estudam Bocage, não o lêem, ou se o fizeram terão provavelmente benzido-se, rezado 2 pais nossos e três Avé-Marias devido ao conteúdo dos seus poemas.
Mas esta censura espanta-me na medida em que existe pudor em abordar este texto, (acredito que o estudo deste texto não seja fácil de fazer com  adolscentes).Contudo ao mesmo tempo espanta-me este puritanismo num país onde não só existe apelo ao sensual, ao erótico, como mesmo ao sexo. Basta ligar a televisão num qualquer canal brasileiro.

segunda-feira, maio 14, 2012

Hora do Vitnho (124)


"Eu tenho uma espécie de dever, de dever de sonhar,de sonhar sempre, pois sendo mais do que um espectador de mim mesmo, Eu tenho que ter o melhor espectáculo que posso.E assim me construo a ouro e sedas, em salas supostas, invento palco, cenário para viver o meu sonho entre luzes brandas e músicas invisíveis".

Fernando Pessoa - O Livro do Desassossego



Uma espécie de fama

Quem aqui vem há algum tempo,sabe que de vez em quando ou de quando em vez, eu falo de política. Não faço dissertações, limito-me a pegar em algo que tenha ficado "no ouvido" (seja bom ou seja mau....na maior parte das vezes é mau), e transponho para aqui. Por a maioria das coisas que oiço serem desagradáveis, os posts são críticos, e alguns seriam bons de questionar aos mencionados nos ditos. Não me alongo em comentários, não disseco cada expressão dita pelos nossos políticos, limito-me a exprimir a minha opinião. E ela é expressa sobre este governo e estes políticos, como foi no anterior governo e respectivos políticos da altura.
Por me limitar a escrever uma opinião,e por vezes questionar o que foi dito por A, B ou C, continuo descansada da minha vida, até mesmo porque não sou de nenhum partido, e não tendo a votar sempre no mesmo só porque sim. Sou a pessoa que antes de votar mede o prós e os contras, pensa e volta a pensar, (e há um ano atrás tive que pensar muito porque as minhas intenções de voto tiveram que ser modificadas). Sou uma pessoa completamente independente. Voto em ideias, não em cores, não em lados.
Mas adiante. Na sexta-feira as declarações de PPC deixaram-me literalmente a ferver. As reacções e declarações de PPC deixam-me a ferver. Custa-me ver um PM a admitir que temos uma carga de impostos enorme em cima de nós, a afirmar que tem consciência de tal, e depois a dizer algo como "tenham paciência".E fiquei literalmente em ponto de erupção sobre a ultima infeliz declaração sobre o desemprego em Portugal. E foi precisamente esse post, que foi mencionado no blogue "A educação do meu umbigo".
E qual a minha opinião sobre este facto???
Fiquei de boca aberta e a falar sozinha"que raio....quem é que leu estas linhas e achou bom de "linkar"???São meia dúzia de linhas, eu não me alonguei na coisa..." 
Mas de qualquer forma, agradeço a quem achou o meu nome digno de aparecer num enorme espaço blogosférico, como é a educação do meu umbigo. 
Quanto ao resto, este blogue volta ao seu funcionamento "normal" dentro de momentos, mas não deixarei de falar de política quando bem entender, bem como os posts sobre o assunto irão seguir a mesma linha de raciocínio.  

domingo, maio 13, 2012

Porque entendo que também posso falar disto

Lá por não fazer parte das pessoas que encaixam no grupo dos que amam e que estão apaixonados, que sentem 1001 borboletas no estômago, arrepios na espinha e por aí adiante, não quer dizer que não possa juntar Nat King Cole a cantar o Amor, e o MEC (sim o de sempre), a falar do mesmo. 





"No amor, somos todos meninos. Meninas, pequenos, pequeninos. Sentimo-nos coisas poucas perante a glória descarada de quem amamos. Quem ama não passa de um recém-nascido, que recém-nasce todos os dias.Hoje não é diferente. Hoje é o dia, no ano de 2000, em que tive a sorte de me casar com a Maria João, cega, linda e enganada nesse momento como até agora, graças a um Deus que privilegia os que não merecem.Os casamentos estão para os números e para a sorte como as rifas e as lotarias. Havendo amor, passa-se a semana a pensar que se vai ganhar e depois há um dia em que se perde - quando há discussões - seguido de mais uma semana com uma nova esperança. O amor está lá sempre, quer se ganhe ou se perca. O amor corresponde ao jogo em si. Há jogos sucessivos com resultados diferentes, mas o jogo é sempre o mesmo. Aos jogadores apenas se pede o impossível, facilmente concedido: acreditar que podem ganhar. Estamos casados há 11 anos. Passaram num instante. Pareceram mais do que 11 dias, mas menos, muito menos do que 11 meses.Dizem que os números não querem dizer nada. Mas querem. Nós é que nem sempre queremos que eles nos digam o que querem dizer. A Maria João e eu somos o número 11. Cada um, para ser 11, é inseparável. Sozinho eu era só um. Meramente somados, não seríamos mais do que dois. Onze somos nós, um ao lado do outro, um número único, que tem uma tabuada reconfortantemente previsível, geminada e ecóica. Ama-nos sempre, Maria João!"

Miguel Esteves Cardoso, in 'Jornal Público (30 Set 2011)

Uma espécie de guilty pleasure

Música pois está claro, uma espécie de guiluty pleasure musical.
"Mais música?????" o eventual pensamento de quem está a ler. E digo eu: "sim, mais música. Só música, musica e texto, música e citações". Por aqui "dá-se música", e gosto de pensar que consigo abranger o famoso "é para o menino e para a menina".O culpado deste post é nada mais e nada menos do que o VH1 (canal de música), que dedicou o fim-de-semana ao Justino. E o Justino (fora da boyband) e respectivas músicas são algo que oiço com uma espécie de pensamento de "não digo a ninguém....."



sexta-feira, maio 11, 2012

PPC

Pedro Passos Coelho.....declaração infeliz feita hoje. Certo que é uma de muitas, mas retive-a muito bem.
Primeiro mandam-se as pessoas emigrarem, passados uns meses, vem-se dizer que  "desemprego pode ser oportunidade".
Pode ser uma oportunidade como???? Aonde?? Aqui??
Onde é que são dadas as condições para que sejamos empreendedores????
Pedro Passos Coelho, típico jotinha que tudo o que fez na vida foi através do partido....aí está um verdadeiro empreendedor!!
A única coisa de jeito feita até hoje, foi aumentar a reforma da minha mãe e muitos como ela....Ups...mas nem  é um ministro PSD que tutela essa pasta...

Momento insano do dia (86) / Vestir as calças

O que tem um momento insano a ver com vestir as calças??? Há partida nada, mas até pode ter...
A minha mãe tem um namorado!!!Disse-mo ontem, e hoje uma funcionária do Centro de dia confirmo-mo.
Agora pergunto-me: será que vai surgir a altura de vestir as calças, assumir o papel de "chefe", e perguntar ao senhor:
"Quais são as suas intenções para com a minha mãe???"
Só a mim.....
Só a mim.....


Éfemeros

Nós somos mesmo efémeros....
Que raio de morte....



quinta-feira, maio 10, 2012

Momento insano do dia (85)

Uma insanidade por dia e nem sabem o bem que vos fazia.....
Pronto, está dito....

A vinda de dias quentes de repente deixa-me com as ideias toldadas.As ideias e o resto.



quarta-feira, maio 09, 2012

Hora do Vitinho (123)





      "Do you remember what you told me once? That every passing minute is a another chance to turn it all around.I'll see you in another life... when we are both cats."

 Vanilla sky





Miguel Sousa Tavares, sexo e .....

No outro dia, a meio de uma qualquer conversa disseram-me que o Miguel Sousa Tavares tinha escrito sobre....minetes.
E eu???
Minetes???
Escreveu sobre....minetes??
Sexo oral feito ao mulherio???
Espera aí.....tenho que ir à procura do dito texto, tenho que ler o texto do MST que fala sobre minetes.
E li, tanto que o dito texto está aqui em baixo.
O dito texto, que não foi díficil de descobrir usando as palavras certas (texto, Miguel Sousa Tavares, minetes),é uma resposta a um artigo de Ana Anes (não sei se é jornalista, escritora, sexóloga, mas isso também não interessa para nada).
O que interessa é que a senhora se queixou dos maus minetes de que foi alvo. Ora isto é grave.Tão grave é ser alvo de uma coisa má, como é fingir que a coisa má é uma coisa boa....Mas 80% de maus minetes???Ou 80% de homens que os fazem mal???
Isto é um descalabro, falta de sorte, azar, má pontaria para a coisa e para o coiso.
Mas oh senhores.....esta história dos minetes é como as dos broches, ou se tem jeito ou não se tem. Existe o jeito natural, e o que vai adquirindo com a prática.....a malta não nasce ensinada, no es verdad  ( como dizem os vizinhos do lado)
???
E fingir??Uma vez ou duas pronto......mas siempre???? Assim induzem-se as pessoas em erro ora bolas!!
E isso é feio, não se pode enganar a coisa, o coiso, na coisa, ou nas coisas. Seja lá que coisa for.
E é por coisas destas que de facto existe o dito mau sexo, ou má queca, ou mau fazer o amor....Sai um ai para aqui, ui para ali, um Oh si cariño me gusta, fuerte fuerte, más,más.....Oh siiiiiiiiii, depois a malta como eu tem que gramar os caramelos que dizem:
"oh comigo é duas horas!!!E sempre a andar!!!"
"Comigo todas pedem e todas gostam!!!"
"Ninguém se queixa, tudo adora!!!"
"Sou um Adónis!!"
E dizem isto porquê??Porque não houve ninguém com a coragem de dizer "olha...tens que aprender umas coisitas, porque isso...."
Ninguém nasce ensinado. Uns nascem com jeito,outros com algum que é trabalhado, outros têm que trabalhar muito o jeito para a coisa e para o coiso.
Estamos sempre a aprender...essa é que é essa.
Mas agora fiquei com a interrogação......acciona-se o modo São Bernardo quando se faz o belo do minete???
É mesma coisa que nós acharmos que o broche é o equivalente a comer um gelado...lambe-se, abocanha-se e siga.... 




"Escrevo está crónica em plena quadra natalícia, numa altura em que os homens, coitados, na sua pequenez de vista, acham que nós queremos receber jóias, um casaquito do Cavali, um fim-de-semana numa linda pousada, um microondas para enfiarmos a cabeça lá dentro, etc, etc.Nem estão enganados os pobres.

Mas o que nós queríamos mesmo era homens que soubessem fazer um minete "comme il flaut".
Eu explico.
Estas almas penadas vieram ao mundo com um gene que lhes meteu na cabeça que fazer um bom minete é um dado adquirido.
Pois vai uma notícia: não é !
E o mais giro é que, perguntando aos desgraçados dos meus amigos, "Ex" e afins (o leque é grande e a probabilidade de acertar quase igual à da EuroSondagem), todos acham que fazem "o" minete.
Extraordinário!
Mas alguém se lembrou de às respectivas? Não.
E todos continuam convencidos de que são os maiores nesta lide particular. Burros!
Ora, da mesma forma que nós grandes falsas – esperneamos, dizemos "aaahhh! sssimm hhuuuummm!!" e nos mexemos "à canal 18" para fingir um orgasmo durante o acto, o mesmo nos estão a meter a cara entre as pernas.
Assumindo uma posição tipo "Dra Ruth" – é o que chama, no gozo a minha editora-, arrisco dizer que 80 por cento dos homens fazem minetes como os São Bernardo lambem as vitimas perdidas na neve, Lambem, lambem… sem saber porquê e onde.
E nós fazemos o nosso papel, para os pobre coitados não ficarem cheios de complexos (de vez em quando, algumas ganham coragem e dizem "querido, não te importas de fazer assim ou assado?", mas ainda é raro).
Depois, há cerca de dez por cento que têm jeito prà coisa : um potencial elevado para um "minete colibri" – Bate as asinhas e "truca", acerta no alvo sem grandes lambidelas ou aparato.
E, finalmente, vêm os abençoados, que já foram como os anteriores mas entretanto leram livros das especialidade e fazem os "minetes de oiro"- coisa rara nos dias que correm .
Mais uma vez os caracteres lixam-me a prosa não as ideias. Mas não é por isso que ficam os senhores leitores sem uma ideia para uma prenda jeitosa para o Natal, daquelas que , uma vez aprendida, é só dar."




“Minha Cara,
Tenho, sinceramente, muita pena de si…
Em primeiro lugar, tive a pena de constatar que só se sentiu realizada, ou minimamente realizada, em 20% dos minetes que lhe fizeram. Concordo consigo quando diz que os homens devem perguntar às respectivas se estão contentes com o seu desempenho. Nesse caso, porque é que assume claramente que finge os seus orgasmos? Das duas uma, ou a menina nunca foi “comida” como devia, ou então, coitadinha, não tem mesmo jeitinho nenhum para o sexo. Nós, homens, também lhe podemos fazer, por exemplo uma estatistica de quantas mulheres são ou não boas na cama. Ou quantas fazem ou não, bons broches. O que nunca lhe vamos poder fazer é fingir um orgasmo. Isto, claro, se conseguir que atinjamos um.
Acredite que há muitos homens que perguntam às parceiras se estão contentes com o seu desempenho. E acredite também que a maior parte dos homens não teve que ler um manual para fazer bons minetes. Apenas teve que os fazer, uma e outra e outra vez. Só com treino se consegue melhorar a performance minha cara.
Em segundo lugar, informo-a que, caso ainda não tenha percebido, o que você está a fazer é, muito simplesmente, a aumentar o número de homens que pratica mau sexo. Você e as mulheres como você. Ora repare: se você finge um orgasmo de cada vez que está com um homem, em primeiro lugar, está a fazer com que o homem acredite que realmente percebe do assunto (Sim, há homens que não percebem). Em segundo lugar, está a fazer com que este mesmo homem, não se esforçe o suficiente para agradar a parceira na relação seguinte. Penso que estamos ambos de acordo, quando digo que uma situação destas não é agradável, nem tão pouco desejável , certo?
O meu conselho, se o quiser aceitar, é: Faça mais sexo!!! A sério, penso que você precisa. Mas faça mais sexo sem fingir orgasmos. Vai ver que a sua vida sexual melhorar exponencialmente, e excusa de se vir queixar para as revistas. É obvio que nem todos os homens lhe vão dar um orgasmo, ambos sabemos isso. Mas vão tentar, isso , eu garanto…
E já agora. Informo-a também que não é assim tão raro uma mulher pedir ao “querido” para fazer assim ou assado. Não julgue todas as mulheres por si, “Dra . Ruth” .
Um Cordial abraço,
Miguel Sousa Tavares




Porra!!!

Apesar de saber que o Governo está preocupado com o desemprego, eu, apesar de não constar actualmente da estatística também estou. No geral (não sei quanto tempo vou estar fora), e no particular.
Custa-me como tudo falar com as minhas colegas de trabalho, e nada, nada, nada, nada. Nem propostas, nem respostas, nada de nada. Zero, número redondo.
Eu tive sorte, a oportunidade caiu-me literalmente do céu, eu agarrei-a, e faço o melhor que posso e que sei. Dou os 100 % e se houver mais uns "por centos", também ponho.
Mas apesar da minha sorte (sim, a competência também ajudou e ajuda), custa-me ver pessoas que me são próximas nesta situação, por alvo de uma injustiça de que fomos alvo.
Sim, eu sei bem que tudo é feito de justiças e injustiças, e que há mais pessoas assim, muitas delas a passarem necessidades.
Mas....Porra!!!Estas são-me próximas!!!Foram colegas de trabalho e somos amigas!! Esta situação mexe-me com o sistema, pela injustiça que lhe vem alicerçada, por eu não ter forma de ajudar.
Porra para isto!!!


Hora do Vitinho (122)


"O amor é fodido. Hei-de acreditar sempre nisto. Onde quer que haja amor, ele acabará, mais tarde ou mais cedo, por ser fodido.

É melhor do que morrer. Há coisas, como o álcool e os livros que continuam boas. A morte é mais aborrecida.Por que é que fodemos o amor? Porque não resistimos. E do mal que nos faz. Parece estar mesmo a pedir. De resto, ninguém suporta viver um amor que não esteja pelo menos parcialmente fodido. Tem de haver escombros. Tem de haver esperança. Tem de haver progresso para pior e desejo de regresso a um tempo mais feliz.

Um amor só um bocado fodido pode ser a coisa mais bonita deste mundo."

Miguel Esteves Cardoso - O Amor é fodido

(Este excerto é das melhores coisas que reti do MEC).



segunda-feira, maio 07, 2012

Politiquices

França virou à esquerda,com um novo PR que contrasta em tudo com o seu opositor, a começar pela ideologia e acabando nos interesses e ideias económicas. A eleição deste senhor é bastante importante para a UE ( a quem convém), a nós (paus mandados da Senhora Merkel e do seu ex seguidor Francês). Vamos lá ver no que vai dar,se a montanha não pariu um rato, ou se o senhor vive numa utopia....
A Grécia ficou com uma "benetton" política, partidos e deputados para todos os gostos e feitios, onde estão incluídos a esquerda radical, e a extrema-direita. Com tanta "cor" na AR Grega, a Nova Democracia vai fazer a quase impossível tarefa (se não mesmo impossível), de se coligar por forma a ter maioria para governar.
Os Gregos vão ver-se Gregos nos próximos dias, e nos próximos tempos...vamos ver o caos político grego, não se transforma numa autêntica guerra.
Vamos lá ver no que vai dar....


sexta-feira, maio 04, 2012

Blogger falou e disse:





Hoje, duas vezes. Mas eu não senti nada. Nem no sentido literal, nem no sentido tradicional.

quinta-feira, maio 03, 2012

Hora do Vitinho (121)





"O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o príncipio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida. "
 Fernando Pessoa

Deve ser do ar...

Não tenho nada a ver com as opções políticas de cada um, até porque não sou a dona da verdade nestes (e muitos outros assuntos).
Mas fiquei literalmente de boca aberta e disse " é doido, só pode ser doido", quando numa reportagem na Sic, sobre as eleições Francesas, entrevistam um emigrante Português, que põe a família Le Pen num altar, e com muito orgulho, porque a familia vai almoçar ao seu restaurante. 
E Domingo vai votar em branco como Marine Le Pen. 
E a favor das medidas e das ideias da FN, porque é Português e Europeu, e a FN "adora" os emigrantes Europeus por serem cá do Continente.
Verdade seja dita, só me apeteceu entrar literalmente pela televisão, agarrar no braço do senhor e dizer algo como: 
"Oh chefe, lá por existirem muitos emigrantes Portugueses na França, isso não quer dizer nada. São emigrantes e ponto final. Se a FN subisse ao poder, todos os emigrantes estavam tramados, e nem o senhor, nem nenhum emigrante Português estava safo. Nem pelo país de origem, nem por serem do Continente Europeu. Estavam tramados!!!"
Isto deve ser do ar que respiram, na França....nunca pensei em ouvir isto. Já agora mude de nacionalidade
Portugueses da France...bem disse o jornalista que também foi entrevistado "querem ser mais papistas que o papa". 


Carta a Deus

"Deus,Bem avisaste que eras um Deus invejoso e vingativo. Também sei que Job era um caso-limite: uma ameaça do que eras capaz. Nem eu nem a Maria João temos um milésimo da obediência e da resignação de Job. E castigaste-nos menos. Mas foi de mais.De certeza absoluta que nos amamos mais um ao outro do que te amamos a Ti. Sabemos que isto não está certo. Mas foste Tu que nos fizeste assim. Admite: deste-nos liberdade de mais. Foste presunçoso: pensaste que Te escolheríamos sempre primeiro. Enganas-Te. Quando inventaste o amor, esqueceste-Te de que seria mais popular entre os seres humanos do que entre os seres humanos e Tu. Por uma questão de tangibilidade. E, desculpa lá, de feitio. Tu, Deus, tens o pior das arrogâncias feminina e masculina. Achas que só existes Tu. Como Deus, até é capaz de ser verdade. Mas, para quereres ser um Deus real e humanamente amado, tens de aprender a ser um amor secundário. Sabemos que és Tu que mandas e acreditamos que há uma razão para tudo o que fazes, mesmo quando toda a gente se lixa, porque não nos deste cabeça para Te compreender. Esta deficiência foi uma decisão tua: não quiseste dar-nos a inteligência necessária.Mas deste-nos cabeça suficiente para Te dizer, cara a cara, que nos preocupamos mais com os entes amados do que contigo.Ajuda a Maria João, se puderes. Se não puderes, não dificultes a vida a quem pode ajudar. Faz o que só um Deus pode fazer: reduz-te à tua significância. Que é tão grande”.

Miguel Esteves Cardoso - Jornal Público 





Ao ler este texto, volto-me a aperceber, que Tu Deus, és um verdadeiro sacana, quase (ou mesmo) egoísta. Pões e dispões das nossas vidas, do que somos, do que temos, do que amamos, do que nos faz falta, do que necessitamos. Por muito que nos dês, tiras muito de nós. Tiras tanto e por vezes com uma rapidez tal que não temos tempo de assimilar o porquê. Consegues tanto e de maneira tão brusca, que nos arranca o coração, que nos deixa divididos, partidos em fragmentos que muito dificilmente se voltam a juntar. Deus, tu partes-nos, com esse "agora dou, até dou tudo, mas depois levo o que dei e mais alguma coisa".Deus, Tu és um real sacana, um egoísta com esse hábito de quereres tudo para Ti, de levares o melhor está connosco, e que há de nós, sem hesitações. Verdade verdadinha, o comum mortal não passa de um mero brinquedo para Ti, ora brincas até à exaustão, ora Te cansas do brinquedo e logo pedes um novo. Mas nem sequer pedes, levas e pronto, porque para Ti tudo é adquirido. É como nos supermercados: chegar e levar. A diferença é que não pagas. Pagamos nós por ti.       

quarta-feira, maio 02, 2012

Hora do Vitinho (120)




"E escrevi o teu nome e o teu número de telefone numa página da agenda do mês de Fevereiro. E, ao escrevê-lo, sabia que era uma despedida, mas todo o mês de Março nos arrastámos na despedida, como caranguejos na maré vazia. Sem ti, lancei outras raízes, construí pátios e terraços, fontes cujo som deveria apagar todos os silêncios, plantei um pomar com cheiro a damasco, mandei fazer um banco de cal à roda de uma árvore para olhar as estrelas no céu, um caminho no meio do olival por onde o luar pousaria à noite, abóbadas de tijolo imaginadas pelo mais sábio dos arquitectos e até teias de aranha suspensas do tecto, como se vigiassem a passagem do tempo. Nada disso tu viste, nada te contei, nada é teu. Sozinhos, eu e a aranha pendurada na sua teia, contemplámo-nos longamente, como quem se descobre, como quem se recolhe, como quem se esconde. Foi assim que vi desfilar os anos, as paredes escurecendo, um pó de tijolo pousando entre as páginas dos mesmos livros que fui lendo, repetidamente. Heathcliff e Catarina Linton destroçados outra vez pela minúcia do tempo. Como explicar-te como tudo isto se te tornou alheio, como tudo te pareceria agora estranho, como nada do que foi teu vigia o teu hipotético regresso? Ulisses não voltará a Ítaca e Penélope alguma desfará de noite a teia que te teceste. E arranquei a página da agenda com o teu nome e o teu número de telefone. Veio a seguir Abril e depois o Verão. Vi nascer a flor da tremocilha e a das buganvílias adormecidas, vi rebentar o azul dos jacarandás em Junho, vi noites de lua cheia em que todos os animais nocturnos se chamavam rãs, corujas e grilos, e um espesso calor sobre a devassidão da cidade. E já nada disto, juro, era teu. E foi assim que descobri que todas as coisas continuam para sempre, como um rio que corre ininterruptamente para o mar, por mais que façam para o deter. Sabes, quem não acredita em Deus, acredita nestas coisas, que tem como evidentes. Acredita na eternidade das pedras e não na dos sentimentos; acredita na integridade da água, do vento, das estrelas. Eu acredito na continuidade das coisas que amamos, acredito que para sempre ouviremos o som da água no rio onde tantas vezes mergulhámos a cara, para sempre passaremos pela sombra da árvore onde tantas vezes parámos, para sempre seremos a brisa que entra e passeia pela casa, para sempre deslizaremos através do silêncio das noites quietas em que tantas vezes olhámos o céu e interrogámos o seu sentido.
Nisto eu acredito: na veemência destas coisas sem princípio nem fim, na verdade dos sentimentos nunca traídos. E a tua voz ouço-a agora, vinda de longe, como o som do mar imaginado dentro de um búzio. Vejo-te através da espuma quebrada na areia das praias, num mar de Setembro, com cheiro a algas e a iodo. E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."
Miguel Sousa Tavares - Não te deixarei morrer David Crockett

Quanto ao Pingo Doce

O Pingo Doce fez do um "black friday" Portugal. E pelos vistos nós imitámos bem os Americanos, com o que para mim foi uma notória falta de civismo. Façam isto à vontade, mas imponham limites nas compras.Há pouco ouvi nas notícias algo como:" vi pessoas a agarrarem em comida, e a dizerem isto não presta, e a mandarem para o chão!!" Isto é inconcebivel, seja com desconto, sem desconto ou mesmo dado. Mesmo que não seja comida, isto não se faz. É feio, é rude, é uma falta de respeito.Porrada??Ocorrências policiais??? Parece uma guerra. Eu percebo muito bem a necessidade, até porque ninguém está imune a ela e muito menos eu. Mas oh Senhores do Pingo Doce, para a próxima limitem o valor das compras que as podem levar. Mais que bom-senso, é uma questão de vida ou de morte. Sim....e se tivessem havido feridos ou algo mais entre os clientes e os funcionários? Onde é que ficava a responsabilidade?Já sei.....provavelmente o cliente foi bruto ao agarrar numa embalagem de leite, ou o funcionário não se soube defender decentemente da multidão em fúria dentro de um hipermercado sem mercadoria. 

Me, myself and I

Eu sou a rainha das parvoíces, das frases mal contextualizadas, ou das frases cujo conteúdo tem vários significados. Logicamente que o primeiro é o meu, que será bom, ou não será muito mau, que está mais explícito. Depois vem o segundo significado, o que vem entrelinhas, o dito que me faz ficar boquiaberta mentalmente, e dizer mentalmente:
"Jasus....oh Inês....pl'amor da Santa. Já viste bem o que disseste???"
Ontem, disse provavelmente uma das minhas melhores expressões que pode levar uma dupla conotação. Sem qualquer intenção disse apenas isto:
"Gosto de coisas pequenas, para as ver crescer".
Posto isto, não acabei o raciocinio, e do outro lado ouvi um afamado 

    "Oh Inês já viste o que disseste?"

seguido de uma gargalhada.O que eu fiz após o inicio da pergunta e de ter assimilado o contexto da coisa?Parti-me a rir com a minha própria desgraça.   

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Maira Gall