Complexos

quinta-feira, maio 17, 2012




Ler este segredo levou-me a escrever ou a voltar a escrever sobre o assunto, e mais qualquer coisa.
Eu tenho mamas pequenas, visto tamanho 32 de soutien, na adolescência ouvi os famosos "tábua de passar a ferro....saís ao teu pai".
Também ouvi o famoso "se não gostares de ti ninguém gostará", mas convenhamos que não foi fácil....cara de rapariga perfeitamente comum que não se achava propriamente bonita na altura (hoje vejo-me ao espelho e considero-me normal, nem carne, nem peixe, normal), magra (ainda sou), estrábica (operada duas vezes), gaga, caixa de óculos e com um tamanho 32 de mamas. Basicamente a quase rainha dos complexos (safa-se o traseiro que sempre foi "saliente"). Como é que se ultrapassam estes complexos todos???Basicamente não sei, mas sei que foi ultrapassado. 

Aprendi a conviver com o tamanho 32, descobri que lá por ser magra ainda tinha algumas curvas. Mas a maior luta terá sido a com o estrabismo, não as mamas, não a gaguez, não o ser magra, sim o estrabismo. 

Esse sempre foi o meu maior complexo. Verdade seja dita, não olhava as pessoas nos olhos,  não gostava de que olhassem nos meus olhos, odiava que me mandassem levantar a cabeça e olhar nos olhos. Esta foi a minha luta, esta foi a condicionante para a timidez (se não falo, não olham para mim, logo passo despercebida com o olho torto). Seria um estrabismo à Rita Pereira, não exagerado, mas que se notava. 

Como ultrapassei??? Levei muito nas orelhas para olhar para as pessoas, custou-me aprender a fazer o que é normal para o comum mortal. Começei a aprender a olhar "olhos nos olhos" ( e a descobrir o bom que é olhar, a falar sem desviar o olhar, ou a fazê-lo menos). Depois veio a esperança: a operação para endireitar o olho pela segunda vez, com riscos (ficar tudo na mesma,e a pálpebra descair). Mas a operação, uma questão de saúde e sim também uma questão de estética ( a meu ver as duas), fez-me bem, fez bem à minha auto-estima, fez definitivamente com que olhasse as pessoas nos olhos. As mamas passaram em definitivo para último plano, assim como o resto.

Se operava as mamas, como operei o olho?

Não, nunca o faria. Estou habituada ao tamanho 32, não me iria sentir bem, com umas laranjas, ou umas meloas. Ia ficar desproporcional em mim, sempre o achei, e ainda acho.

Como faço com os decotes? Alguns não uso por ter "alguma noção do ridículo", outros componho com acessórios de que sempre gostei: écharpes, fios, e está feito a coisa.
Quanto ao olho, anda direitinho, no devido lugar desde os 18 anos (acho eu), e assim vai continuar. A gaguez por cá anda, o tamanho 32 e o ser magra idem, o rabiosque ibidem, os óculos também.
Mas gosto dos meus olhos....tenho pena em ter passado parte da adolescência a escondê-los.

Quanto ao resto também importante, aprendi a gostar de mim, assim como sou, com restos de complexos, qualidades e defeitos incluídos, e quem gostar de mim, tem que gostar do pacote inteiro. Não há lugar a silicones, a lentes de contacto, a nada.  

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