terça-feira, julho 31, 2012

Suposta linha de pensamento

A minha mãe acomodou-se à  doença bipolar. Não aprendeu a viver com ela, a controlá-la, tratá-la. Acomodou-se, não tratou da doença como devia e esta foi tomando a pose da minha mãe, tal como o diabo toma conta de nós. E a minha mãe ajudou a essa acomodação. Deu casa, comida e roupa lavada à doença bipolar e esta instalou-se. Não a colocou no devido lugar, a doença fez da minha mãe a sua casa, e passou a coabitar com um feitio tramado.
Ao invés de expulsar, a minha permitiu que a doença habitasse com ela, e a doença ficou por cá, ora com umas manifestações paranóicas ora com períodos depressivos, (com tudo a que as crises bipolares têm direito). E uma doença mental com um feitio que não é dos melhores que existem não é coisa bonita de se ver.
Não tenho e nunca terei dúvidas de que a minha mãe tem crises, crises fortes. Mas por vezes assola-me a dúvida e questiono o porquê de ela ter permitido que a doença habitasse nela, da forma como habita. Questiono o porquê da falta de luta, de revolta e vontade não de sobreviver, mas de viver com a doença e de não permitir os estragos que esta fez e faz a todos os que lidam com a doença bipolar. A minha mãe permitiu, e penso que até gostou. Afinal de contas um doente bipolar tem em sua volta toda a atenção e mais alguma, (todos gostamos de ter a atenção de outros, e muitos fazem o que podem para despertar a sua atenção). Para mim essa é uma das verdades. Dura e crua bem o sei.
Há pouco enquanto tentava incutir algum bom-senso na minha mãe, dei por mim a pensar novamente na falta de esforço dela, mas no que respeita aos pensamentos maus, como lhe chamamos. Apesar de questionar se os pensamentos maus estão com ela ou não (parte das vezes sim, outras tantas partes não), questiono a falta de vontade para enxotá-los e pensar em outra coisa (nem que pense na lógica da batata frita), questiono-me sobre a acomodação,questiono a falta de vontade que por vezes toma conta dela, a quase inexistência de revolta, a força, a luta.
Questiono-me sobre quase tudo.

E quando me observo ao espelho questiono-me sobre tanta coisa, penso e volto a pensar. Revolto-me, não me conformo, não me submeto, não me acomodo.Nem com a doença da minha mãe nem com a minha depressão que se encontra quieta e sossegada.
Mas vejo-me ao espelho e com 31 anos e mais qualquer coisa questiono-me sobre a minha infância, a adolescência, o ser jovem adulta e agora o adulta como deve ser. Questiono-me onde esses tempos estão, procuro-os, encontro-os e observo-os. Medito sobre eles e questiono-me sobre o que poderia ter sido, o que é no presente e tento antever um futuro. Vejo-me ao espelho e por vezes sinto-me exausta, cansada, sem ponto de viragem. Penso no futuro e digo mentalmente "ora bolas para isto."
E nestes momentos que me vejo ao espelho pergunto-me muitas vezes sobre o que está reservado para o futuro, o que me está destinado, se encontra pré-definido. Pergunto-me onde ficaram as metas dos 30 anos porque nenhuma se cumpriu, se tenho um mau karma, se sou a reencarnação de algo mau. Tento em vão adivinhar o que destino me escreveu.
Olho para o espelho e penso que muitas e muitas vezes estou só na multidão, que tento remar num barco de papel contra a maré, penso no porquê de ser eu e não outra pessoa. Penso no até quando os meus ombros aguentam, como se têm aguentado.
Volto a olhar e vou pensando, questionado, considerando, revoltando.
E vou sorrindo de vez em quando, penso que apesar de tudo ainda consigo sorrir.Mas até quando?


Fantástico

Telefono para o hospital a fim de falar com o psiquiatra que está a fazer urgência, e mandam-me telefonar para a saúde 24. Como se na saúde 24 conhecessem um doente "especial de corrida" como a minha mãe.
Isto está cada vez melhor....

domingo, julho 29, 2012

Hora do Vitinho (136)



Ditados

Já diz o ditado que "burro velho não aprende línguas", e tal facto aplica-se à minha relação com cremes hidratantes.
Todos os anos digo a mim mesma que é desta vez que vou usar um creme hidratante nas pernas e no resto do corpo
Todos os anos compro e começo a usar algum hidratante.
Todos os anos faço-o meia dúzia de vezes.
Todos os anos deixo de o fazer com frequência após a meia dúzia de vezes.
E como todos os anos, este ano também não excepção....deixei de usar o creme novamente.

sábado, julho 28, 2012

Histórias

Hoje casou-se uma amiga minha. Uma menina/mulher. Entrou no meu curso no ano em que o terminei. Com um namoro problemático praticamente acabado, mas com ilusões de que esse voltasse à harmonia do antes, e  que da outra parte houvesse cedência, mais liberdade, enfim....uma relação mais saudável. Não funcionou, mas ela manteve sempre o sorriso, o sonho dos 20 anitos que ele deveria ter na altura.
E com esse mesmo sorriso ela voltou a apaixonar-se de forma repentina (dizem que as paixões são assim, não é verdade???) e foi de certa forma correspondida. Lembro-me muito bem de ela me dizer " Mãe adoptiva....eu gosto dele, estou apaixonada por ele.Ainda bem que fui ter explicações de matemática com ele". Eu lembro-me de ter dito algo como "Eh pá....vê bem onde te estás a meter...ele tem para aí a minha idade.Vê como te trata, se não és mais uma e assim, assado, cozido, frito e grelhado".
Lembro-me de não dar um tostão por esta relação, de pensar que ela não ia ser tratada da forma como merecia (e todos merecemos), que iria ser enganada, mil e uma coisas. Verdade seja dita não achava que durasse mais do alguns meses, não acreditava na relação, não acreditava que funcionasse, via a menina deslumbrada e não acreditava na outra parte.

Mas a menina acreditou sempre. Mostrou persistência, coragem e acima de tudo determinação e luta. E mais que a menina, ele também acreditou, apesar de todos os altos e baixos que tiveram, os problemas e angustias que surgiram e foram ultrapassados.
Mesmo já longe fui acompanhando o evoluir, o crescer e cimentar de algo em que no inicio não acreditava.E como me soube bem "dar o braço a torcer", como fiquei contente e com uma lágrima no canto do olho quando soube de um dos mais originais pedidos de casamento de sempre (o pedido de casamento foi escrito com giz num quadro pequeno, numa sessão fotográfica). Caramba....foi o inicio da concretização de um sonho.

Hoje a menina/mulher cumpre aquele que sei ser um dos maiores sonhos de vida dela: casamento com tudo a que uma noiva tem direito. Prova que apesar dos altos e baixos, tudo se consegue e supera, que a paixão se torna em amor, que o amor se junta com a cumplicidade, com a amizade e a lealdade.Sei que a menina hoje dá uma "chapada de luva branca" a quem desdenhou, prova que os sonhos são realidade. E sei que vai voltar a prová-lo novamente no dia em que for mãe (outra prova a ultrapassar).

Eu não acredito em contos de fadas com finais felizes. Acredito em histórias com altos e baixos, alegrias e tristezas, acredito na máximas "na saúde e na doença, na alegria e na tristeza". Acredito que existem histórias  reais com finais felizes que se vão trilhando passo a passo. E são estas histórias que me fazem sorrir, me deixam com uma lágrima no canto do olho e fazem pensar que esta coisa do amor, afinal de contas até pode ser bonita....

sexta-feira, julho 27, 2012

Nudismo

Grande parte das pessoas já terão feito nudismo, ou no caso das mulheres nudismo, topless, ou pelo menos um deles. Não tenho a menor dúvida do que digo.
Quem é que aqui não andou nu na praia quando era criança???
Quem é que aqui nunca andou quando era criança só em cuecas na praia??Ou no rio??Ou na piscina??


Quem é que nunca disse ou ouviu dizer "tira-lhe isso!!! A criança fica mais à vontade sem nada vestido!!!"
Quem é que nunca enquanto criança terá andado nu ou quase numa praia, num rio ou numa piscina??

quarta-feira, julho 25, 2012

Sobre livros

Recuperei o prazer de ler há cerca de um mês. E com esse prazer recuperei o desprazer de acordar de manhã com menos horas de sono por ter estado a ler até tarde.

Assim, neste espaço de tempo "despachei" os livros "Frágil" e "Uma questão de fé" de Jodi Picoult (estavam há muito à espera que os pegasse neles), e li "Dona Maria II tudo por um reino", de Isabel Stiwell.
Sobre os primeiros, "Uma questão de Fé", foge da linha do que a escritora escreve....uma das coisas que é abordada é a palavra estigmas, e fico-me por aqui. O segundo está completamente dentro da leitura a que se está habituado e tem um fim que eu não esperava.


Quanto ao de Isabel Stiwell recomendo a leitura, O livro é semelhante aos anteriores. O Marcelo Rebelo de Sousa recomenda-o como uma biografia, mas eu considero que é um romance biográfico e histórico. Basicamente Dona Maria II teve um reinado cheio de revoltas, governou (não bem), e "vestia as calças". O desgraçado do Rei mandava na casa, opinava na educação dos filhos e dava ordens para a construção do Palácio da Pena. Recomendo o livro, mas se quiserem enquadrar bem o reinado no contexto histórico (como eu), ou forem meramente curiosos vão pesquisando o reinado dela, as guerras liberais, e as revoluções que se seguiram.


Como a vontade de ler não se foi embora, olhei para a minha estante e tirei de lá "As luzes brancas de Paris" de Theresa Révay. Só o li uma vez e quis relembrar-me da história. O livro foca as duas guerras mundiais e na minha opinião dá um bom contexto social do pós 1ª guerra mundial. O romance entre as personagens é delicioso o suficiente para eu já ter transcrito algumas das frases.

terça-feira, julho 24, 2012

Hora do Vitinho (135)

(...) Entre os dois nasceu uma atracção viscera, total e transbordante. Ficaram estáticos, de olhos fixos um no outro, quase assustados. Quando dois corpos se desejam, reconhecem-se de imediato. As epidermes anseiam subitamente por se conhecer e tudo que as separa torna-se insuportável. O instante fica suspenso. incandescente e ao mesmo tempo terrível(...).
Teresa Révay - As luzes brancas de Paris 

Pequenas considerações

Infelizmente já é comum nos EUA, alguém acordar de manhã, entrar num local publico e assassinar as pessoas que aparecem à frente da mente perturbada que está no corpo de uma pessoa aparentemente normal.
Situações destas sempre aconteceram e vão acontecer. Uma das mais conhecidas foi o massacre de Columbine, que originou o filme de Michael Moore com o mesmo nome, (recomendo que o vejam).
Infelizmente este tipo de situações não me espanta, mas não consigo deixar de me espantar com as declarações de algumas pessoas não sobre o acontecimento, mas a forma como poderiam ter sido evitadas mais mortes e ainda sobre a posse de armas e a sua compra.

(...)John Oberly, defensor do porte de arma nos EUA argumenta que se houvesse alguém armado no cinema o número de mortos teria sido menor.(...) De facto, se estivesse alguém com uma arma lá, isso poderia ter reduzido a tragédia. Se eu estivesse lá, teria impedido o que aconteceu.
Ora aqui está bem patente a mentalidade dos Norte-Americanos: o comum cidadão armado num local público, teria prestado um grande serviço à comunidade a responder com tiros a quem estava atirar. Seria provavelmente um salvador da pátria, mesmo que no escuro do cinema tivesse eventualmente acertado em alguém e depois eventualmente matava o atirador. Se não matasse o atirador, tê-lo-ia tentado: por si, pelos seus e pelo Povo Americano, esse povo constantemente atemorizado.

(...)Localizada entre um café e um restaurante mexicano, o lugar tem a aparência de um grande armazém. Dedicada principalmente aos amantes da caça e decorada com animais embalsamados, a loja oferece espingardas, pistolas, munições, trajes e artigos de campismo.
O ambiente é familiar. Uma menina de 5 ou 6 anos experimenta uma espingarda. "Querida, essa é muito grande para ti. Vamos procurar outro", diz a mãe. 
Nos EUA, praticamente que se compram armas, como nós vamos ao supermercado comprar um litro de leite e um quilo de açucar. Entramos, compramos a arma e umas munições, e ainda mais uns extras que podem vir a dar jeito.Se uma arma encrava pode ser necessária outra, ou mais outra, ou ainda outra. E aqui também se aplica a máxima que é de "pequenino que se troce o pepino". Muitas crianças são educadas a verem estes brinquedos, a quererem e a puderem usá-los. Provavelmente tornar-se-ão no adulto que tem que ter obrigatoriamente uma arma em casa, porque o "diabo pode tecê-las", e dá jeito.

(...) A licença ao porte de arma é um direito consagrado na Constituição e que não deve ser retirado aos cidadãos americanos.
Está na Constituição, na Constituição fica. Direitos são direitos e há que respeitá-los. Mas os direitos podem e devem ser doseados, e junto com os direitos vêm os deveres, as obrigações sociais e morais. 
E aqui os EUA pecam. Qualquer pessoa pode comprar uma arma. Basta que não tenha cadastro e tem-se um manancial de armas à disposição do freguês. 
Este é um pensamento retrógrado, triste, insensato. Não há quem ponha limites à lei do uso e do porte de arma nos EUA, e situações como esta surtem o efeito oposto: em vez de consciencializar a população para o perigo de comprar uma arma como quem pede um café, as pessoas vão comprar a primeira arma, repôr o stock, ou actualizar a manancial que já possuem. Por um motivo muito simples: existem malucos em todo o lado, e nunca se sabe quando é necessário dar um tiro em alguém.  

domingo, julho 22, 2012

Pilas e economia

Já que se fazem estudos sobre tudo e mais alguma coisa, porque não estudar as pilas, a economia, e a relação entre ambas???
Foi o que um economista Finlandês fez. Em vez de trocar o assunto em miúdos, opto por trocá-lo por pilas, neste caso por pilinhas: já que todos os estudos se baseiam nos factores ditos comuns, porque não analisar a  economia de um país tendo como base o tamanho das pilas???
Não sei se o senhor andou de país em país a medir pilas e a compará-las com estudos sobre economia, e também isso não interessa para nada.
O que é relevante para aqui é a brilhante conclusão: nos países com grandes economias e um bom PIB, os seus habitantes têm pilas pequenas.
Segundo li, as pilas dos portugueses possuem um tamanho médio de 9,85 cm quando flácidas e de 15,82 erectas.
Posto isto, tenho a dizer que agora sim....agora entendo porque é que a China tem uma grande economia: os chineses têm pilas pequenas.
Mas este estudo tem a sua lógica, por sinal bastante simples: quanto menores as pilas, mais as pessoas produzem no trabalho. Há medida que o tamanho das pilas aumenta as pessoas produzem menos no local de trabalho, provavelmente produzem mais em casa.
Olhando para o mapa abaixo, não entendo o seguinte: se a nossa pila média é semelhante à dos EUA, porque não temos a mesma economia que eles??
Será que os americanos são pagos por produzirem em casa e assim contribuem para a economia americana??
Quanto ao caso português proponho o seguinte: sigam o exemplo a cima, ou então diminuam o tamanho das pilas, para o país crescer.


sábado, julho 21, 2012

Hora do Vitinho (134)

"(...)Nunca amamos alguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É um conceito nosso – em suma, é a nós mesmos – que amamos.
Isto é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma idéia nossa. O onanista é abjecto, mas, em exacta verdade, o onanista é a perfeita expressão lógica do amoroso. É o único que não disfarça nem se engana.
As relações entre uma alma e outra, através de coisas tão incertas e divergentes como as palavras comuns e os gestos que se empreendem, são matéria de estranha’ complexidade. No próprio acto em que nos conhecemos, nos desconhecemos. Dizem os dois “amo-te” ou pensam-no e sentem-no por troca, e cada um quer dizer uma ideia diferente, uma vida diferente, até, porventura, uma cor ou um aroma diferente, na soma abstracta de impressões que constitui a actividade da alma.
Estou hoje lúcido como se não existisse. Meu pensamento é em claro como um esqueleto, sem os trapos carnais da ilusão de exprimir. E estas considerações, que formo e abandono, não nasceram de coisa alguma – de coisa alguma, pelo menos, que me esteja na plateia da consciência.
Talvez aquela desilusão do caixeiro de praça com a rapariga que tinha, talvez qualquer frase lida nos casos amorosos que os jornais transcrevem dos estrangeiros, talvez até uma vaga náusea que trago comigo e me não expeli fisicamente…
Disse mal o escoliasta de Virgílio. É de compreender que sobretudo nos cansamos. Viver é não pensar (...)."
Fernando Pessoa - O Livro do Dessassosego

sexta-feira, julho 20, 2012

Sobre os incêndios

Pergunta:
O que vão plantar na área ardida???Eucaliptos???Esses catalizadores de incêndios, "comedores" de água, e bem útil para a industria da celulose?? (E não é que foi aprovada por estes dias uma lei que obriga à plantação dos ditos em árvores ardidas, em detrimento da antiga lei que estipulava plantem-se sobreiros se arderam sobreiros))))

Pergunta: 
Com mais de 800 bombeiros e um número bonzito de meios aéreos no terreno, onde é que estão os militares?? 

Pergunta:
Onde está a alguém que saiba mobilizar decentemente esta malta toda???Mais de 800 bombeiros e não se consegue controlar um incêndio que passou de um concelho para outro??

Pergunta:
Onde está o nosso PM para se mostrar solidário com as populações afectadas, declarar estado de emergência e pedir ajuda à UE??

Pergunta: 
Quem é que apanha os grandes filhos da p*** que estão constantemente a provocar incêndios seja para caçar, vender ou terreno, beneficiar empresas, ou que pura e simplesmente se deleitam com acto cometido??

Pergunta:
Quando é que existe uma verdadeira consciencialização para os proprietários de que as matas têm que ser limpas???

Pergunta: 
Quando é que a limpeza das ditas começa a fazer parte de um serviço comunitário??

Não me digam que acreditam que estes fogos são acidentais....
Nem aqui nem na China...
Claro que têm uma mãozita humana....
Uma mãozita??? Não....várias mãozitas....
Fogos com mais de 48 horas de duração não são acidentais e não são alvos de uma mão

quarta-feira, julho 18, 2012

Infames declarações



"O problema é civilizacional, porque é ético. Eu não acredito nestes tipos, em alguns destes tipos, porque são equívocos, porque lutam pelos seus interesses, porque têm o seu gangue, porque têm o seu clube, porque pressionam a comunicação social, o que significa que os anteriores, que foram tão atacados, eram uns anjos ao pé destes diabinhos negros que acabam de aparecer", afirmou, sem papas na língua, D. Januário.
"Há jogos atrás da cortina, habilidades e corrupção. Este Governo é profundamente corrupto nestas atitudes a que estamos a assistir", disse D. Januário: "Nós estamos numa peregrinação em direção a Bruxelas e quando tudo estiver pago daqui de Portugal sai uma procissão de mascarados a dizer: vamos para um asilo, salvem-nos".

O que dizer das infames declarações de D. Januário Torgal Ferreira?
Mais do que completamente descontextualizadas, ofendem e difamam o actual governo.
Se fosse uma voz pelo governo, estariam todos a aplaudir de pé. 
Como não é o caso, e foi expressa uma opinião pessoal, por esse mesmo facto,logo se colocaram em causa as ditas declarações, logo o ministro da Defesa veio a público dizer para D. Januário Torgal Ferreira escolher entre "ser bispo das Forças Armadas e ser comentador político".

As declarações e comentários feitos pelo Bispo sobre os nossos governantes já são há muito conhecidas.
Se o governo de Sócrates não escapou às duras e boas críticas feitas, porque iria o de Pedro Passos Coelho escapar??


O que vai o governo fazer???
Processar o Bispo das Forças Armadas??
Demiti-lo??
Ordenar ao Cardeal Patriarca a sua excomungação???


terça-feira, julho 17, 2012

Silly season

Já que a recessão não é tão má como o esperado, a comissão europeia propõe que os salários voltem a baixar.
Vejamos:
A nossa média de ordenados, é muito elevada...
O nosso poder de compra é muito bom....
Não temos o dinheiro contado até ao último tostão...
Ninguém ganha o maravilhoso ordenado minimo...
O nosso ordenado minimo é bastante elevado, facto que nos permite manter um nível de vida dentro do aceitável.

A silly season chegou à comissão europeia.
Senhores....apanhem menos sol.  

quinta-feira, julho 12, 2012

Corpinhos bem feitos

Começa o verão, começa a sily season, e começam a proliferar os corpinhos por esses facebooks fora.
Ele é biquinis grandes, biquinis pequenos, biquinis mais ou menos, mini biquinis.
Ele á calção, calçãozito e cuecão.
Ele é corpo de corpanzão, corpanzil e corpinho.
Ele é miúdas e miudezas.
Ele é mini banha, banha e super banha.
Ele é poses à modelo, e poses " tira uma foto ao jeito não estou a olhar para a máquina".
Ele é corpinho bem feito ou então não.

Cada vez que me deparo com estes casos, faço a mim mesma as seguintes perguntas:
Qual a necessidade deste exibicionismo???
Para quê este exibição de ossos e de carne??
Não chega mostrar a bela da pernoca??
Faz bem à auto-estima??
Aumenta o número de piropos facebookinaos??
Aumenta a lista de amigos???
Qual é a necessidade deste exibicionismo???




quarta-feira, julho 11, 2012

Hora do Vitinho (133)


"Não me prendo a nada que me defina. Sou companhia, mas posso ser solidão. Tranquilidade, inconstância, pedra e coração. Sou abraços, sorrisos, ânimo, bom humor, sarcasmos, preguiça e sono. Música alta e silêncio. Serei o que você quiser, mas só quando eu quiser. Não me limito, não sou cruel comigo! Serei sempre apego pelo que vale a pena e desapego pelo que não quer valer... suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contacto. Ou toca, ou não toca. "

Clarice Lispector

Leonor Mel

Foi impossível ficar indiferente à reportagem da Sic sobre a Leonor Mel. 
Uma criança de dois anos que não vê, não ouve, não fala, não come sozinha, tem o peso de um bebé de 4 meses e a altura de um bebé de 9.

Agora pergunto...
Onde estão os apoios?
Onde é que um subsidio de assistência de menos 100€ é suficiente??
Onde está o Estado Social
Onde estão os meios de diagnósticos??
Se temos investigação avançada para tanta coisa, onde estão os métodos de investigação para as doenças raras??


A doença não tem nome, porque nem sequer tem um diagnóstico plausível. Um problema de genética.
E por este país existem tantas Leonores e tantas Ineses...
Eu não posso fazer muito, não posso contribuir muito, mas caramba não consigo de forma alguma ficar indiferente. E não sou mãe, não preciso de ser mãe para sentir a emoção e perceber o sofrimento de uma mãe que luta e lutará pela filha enquanto puder, mas que se questiona e bem do que será desta no dia em que ela mesma faltar....

Não me importo de fumar menos um maço de tabaco e contribuir, mesmo que seja uma quantia ínfima.
E sim, sei que existem muitos casos destes pelo país, mas infelizmente nem todos chegam a uma Sic, a uma TVI, a uma RTP.
Mas este chegou, e eu não consigo ficar de forma alguma indiferente.
Aqui está o NIB para ajudar a Inês a levar a Leonor a Israel, para tentar encontrar um diagnóstico para o maldito gene que não está no devido lugar, para colmatar o sofrimento de uma mãe que não sabe o que mais pode fazer mais pela filha.

 0035 0386 0001 5736 4008 0  
Caixa Geral de Depósitos 
Leonor Mel Ahrens Teixeira


Agora deixo o pedido...partilhem a história da Leonor e da Inês. Sei que me vou repetir, porque tenho a consciência de que existem muitas histórias por aí....mas esta chegou a nós, e tocou.

Este país não é

Este país não é para velhos.
Este país não é para novos.
Este país não é para aqueles que nem são novos nem velhos.
Este país não é para quem recebe ordenados miseráveis, e já não tenta viver, mas sobreviver.
Este país não é para quem necessita de cuidados de saúde.
Este país não é para quem precisa de assistência.
Este país não é para as crianças.
Este país não é para pessoas qualificadas, que querem contribuir para o seu crescimento.
Este país não é para pessoas menos qualificadas que apenas querem um trabalho.
Este país não é para aqueles que querem uma sociedade justa, sem fossos entre classes sociais.
Este país não é para os funcionários públicos.
Este país não é para os funcionários do privado.
Este país não é para quem tenta levar uma vida digna.


Este país é para os detentores das grandes fortunas que em nada são cortados.
Este país é para os grandes gestores e administradores que põem e dispõem, monopolizam.
Este país é para aqueles que recebem reformas que envergonham quem passou anos a trabalhar e agora estão privados de tudo o que é deles por direito.
Este país é para aqueles que exploram que quer e precisa de um trabalho.
Este país é para aqueles que despedem trabalhadores em massa sem sequer olharem os direitos destes.
Este país é para aqueles que nos governam, que na teoria estão do lado de quem paga, de quem se vê privado das necessidades mais básicas, mas que na prática não estão cientes do que passamos.
Este país é para aqueles que aproveitam greves e manifestações, e que com uma grande lata estão do lado do povo, mas que no fim continuam com os seus ordenados e benesses.
Este país é para quem cresce à sombra de um qualquer partido político, se vai alimentando deste e vivendo deste até ao fim.
Este país é para os grandes ladrões.
Este país é para os grandes vigaristas.
Este país é para quem nos tira tudo o que pode, e o mais que houver.
Este país é para quem nos chupa até ao tutano.

Não estou farta do meu país, mas estou farta do rumo que o meu país está a levar.
Estou farta da forma como somos tratados.
Estou farta da forma como somos desrespeitados.
Estou farta da forma como somos explorados, sem sermos tidos ou achados.


Hora do Vitinho (132)





(...)Either way, win or lose,When you're born into trouble,You live the blues,I've been thinking about you, baby.See: it almost makes me crazy.

Child, nothing's right if you ain't hereI'd give all that I have, just to keep you nearI wrote you a letter, and tried to make it clear,But you just don't believe that I'm sincere.I've been thinking about you, baby.(woohoooo hoooo)

Plans and schemes, hopes and fears,Dreams I've denied for all these yearsI, I've been thinking about you, babyLiving with me, wow(...).

segunda-feira, julho 09, 2012

Licenciaturas em self service

As licenciaturas de Miguel Relvas e  José Sócrates lembram-me pedidos de refeições em restaurantes, cafés  e prontos a comer. Enquanto nós chegamos a um destes locais e com alguma pressa pedimos o prato do dia, um bitoque ou uma sopa, os senhores chegaram às secretarias das respectivas instituições de ensino e terão feito um pedido semelhante a este exemplo:

"Olhe, quero uma licenciatura boa e rápida. Uma licenciatura que fique bem no Curriculum Vitae e que encha os olhos às pessoas. De preferência que seja feita ao Domingo, e que não seja necessária a presença nas aulas, a frequência de exames. Sabe, sou uma pessoa influente e com pouco tempo para ser sequer um trabalhador estudante".

domingo, julho 08, 2012

Oh meus amigos....

Mas como é possível uma miúda ter dito há pouco nos ídolos que gosta muito de Zeca Afonso, mas que não conhece os Índios da Meia Praia??

É giro dizer que se gosta de Zeca Afonso, dá um ar intelectual,  alguma cultura musical. Fica bem dizer, é fixe. Pode ser vintage. 

Teria-se safado se dissesse que conhecia uma das muitas versões: a da Dulce Pontes, as vozes da Rádio, ou as versões mais recentes do Cd Zeca sempre. 

Eu não sou iluminada, conheci a música através desta versão, depois descobri de quem era.

Oh meus amigos....quem conhece, ouve ou ouviu Zeca Afonso conhece os Índios da Meia Praia.... 

?????

Expliquem-me como eu fosse muito burra...
Em boa verdade, em certas coisas sou um asno, especialmente quando mudo um template.
A questão é??Como é que eu "alargo" o corpo do blogue???

sexta-feira, julho 06, 2012

Hora do Vitinho (131)



"Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós."

Antoine de Saint-Exupéry - O Principezinho



quinta-feira, julho 05, 2012

Hora do Vitinho (130)

Politiquices

Quer-se dizer que quem tem um bom curriculum profissional, tem equivalência a 36 cadeiras de um curso.


Vendo as coisas desse prisma penso o seguinte:


Um desempregado de longa duração pode ter uma licenciatura em recursos humanos, devido ao elevado envio de anúncios a que respondeu, às entrevistas a que foi e aos nãos que ouviu...


Um talhante pode ir para medicina e fazer uma especialização em cirurgia pelo facto de ter cortado muita carne.


Um psicopata pode licenciar-se em psiquiatria por saber avaliar a mente humana.


Um ladrão que tenha escapado à prisão e saiba contornar as leis, pode licenciar-se em Direito.


E quanto ao facto de o TC considerar inconstitucinoal o  corte dos subsídios à FP nos anos seguintes, a solução é prática e eficaz: pondera-se em cortar ao privado e está tudo resolvido. Provavelmente já estaria pensado não????


Então e quando é que se cortam os grandes salários dos grandes gestores??

Quando é que se cortam nas empresas publico-privadas??´


Quando é que se cortam nos ordenados da AR??


Quando é que se taxam as grandes fortunas??


Quando é que se mudam as leis das reformas desses intocáveis que são os nossos políticos, gestores, administradores, presidentes, banqueiros e afins???


Já agora taxem os subsídios de desemprego e as reformas miseráveis e os RSI'S dados a quem deles tem direito.
 

quarta-feira, julho 04, 2012

Sobre o post abaixo

A minha mãe falou e disse algo como:


"Deixa-te de coisas e volta a tomar a medicação. Mil vezes tu a tomares o medicamento do que andares a sofrer. Ainda arranjas lenha para te aquecer. E já te disse para teres cuidado contigo. Não queres ir ao médico??


Não, não quero ir ao médico. Não preciso de ir ao médico. Só queria deixar de tomar isto....

Aguentar à bronca

Deixei de tomar o Rivotril para dormir.


A sensação que tenho desde alguns dias para cá (ainda não fez uma semana) é a de ter apanhado uma brutal bebedeira e consequentemente estar a ter uma brutal ressaca.


Mas felizmente durmo, os sintomas da abstinência não se manifestaram no sono, mas no acordar e no resto do dia: tonturas, tremores, falta de apetite, dor de cabeça.


O facto é que esta é a primeira vez em que estou a sentir o sintomas da abstinência por deixar de tomar medicamentos. Nunca me tinha acontecido isto, nem quando deixei o anti-depressivo, o ansiolítico e mesmo este, nas vezes anteriores.


Grande porra...

segunda-feira, julho 02, 2012

Parvoíces

O Professor Astromar do Roque Santeiro...

A Mulher de Branco da Tieta...

O Sérgio Cabeleira da Pedra sobre Pedra...

Parte da novela A Viagem

A versão longa do "Thriller"...

O que têm em comum os pontos acima???


Tinha medo...principalmente do Professor Astromar.

Vendo bem as coisas, acho que ainda tenho...o vídeo está no youtube e eu não o vejo...

© Brainstorming
Maira Gall