Pequenas considerações

terça-feira, julho 24, 2012

Infelizmente já é comum nos EUA, alguém acordar de manhã, entrar num local publico e assassinar as pessoas que aparecem à frente da mente perturbada que está no corpo de uma pessoa aparentemente normal.
Situações destas sempre aconteceram e vão acontecer. Uma das mais conhecidas foi o massacre de Columbine, que originou o filme de Michael Moore com o mesmo nome, (recomendo que o vejam).
Infelizmente este tipo de situações não me espanta, mas não consigo deixar de me espantar com as declarações de algumas pessoas não sobre o acontecimento, mas a forma como poderiam ter sido evitadas mais mortes e ainda sobre a posse de armas e a sua compra.

(...)John Oberly, defensor do porte de arma nos EUA argumenta que se houvesse alguém armado no cinema o número de mortos teria sido menor.(...) De facto, se estivesse alguém com uma arma lá, isso poderia ter reduzido a tragédia. Se eu estivesse lá, teria impedido o que aconteceu.
Ora aqui está bem patente a mentalidade dos Norte-Americanos: o comum cidadão armado num local público, teria prestado um grande serviço à comunidade a responder com tiros a quem estava atirar. Seria provavelmente um salvador da pátria, mesmo que no escuro do cinema tivesse eventualmente acertado em alguém e depois eventualmente matava o atirador. Se não matasse o atirador, tê-lo-ia tentado: por si, pelos seus e pelo Povo Americano, esse povo constantemente atemorizado.

(...)Localizada entre um café e um restaurante mexicano, o lugar tem a aparência de um grande armazém. Dedicada principalmente aos amantes da caça e decorada com animais embalsamados, a loja oferece espingardas, pistolas, munições, trajes e artigos de campismo.
O ambiente é familiar. Uma menina de 5 ou 6 anos experimenta uma espingarda. "Querida, essa é muito grande para ti. Vamos procurar outro", diz a mãe. 
Nos EUA, praticamente que se compram armas, como nós vamos ao supermercado comprar um litro de leite e um quilo de açucar. Entramos, compramos a arma e umas munições, e ainda mais uns extras que podem vir a dar jeito.Se uma arma encrava pode ser necessária outra, ou mais outra, ou ainda outra. E aqui também se aplica a máxima que é de "pequenino que se troce o pepino". Muitas crianças são educadas a verem estes brinquedos, a quererem e a puderem usá-los. Provavelmente tornar-se-ão no adulto que tem que ter obrigatoriamente uma arma em casa, porque o "diabo pode tecê-las", e dá jeito.

(...) A licença ao porte de arma é um direito consagrado na Constituição e que não deve ser retirado aos cidadãos americanos.
Está na Constituição, na Constituição fica. Direitos são direitos e há que respeitá-los. Mas os direitos podem e devem ser doseados, e junto com os direitos vêm os deveres, as obrigações sociais e morais. 
E aqui os EUA pecam. Qualquer pessoa pode comprar uma arma. Basta que não tenha cadastro e tem-se um manancial de armas à disposição do freguês. 
Este é um pensamento retrógrado, triste, insensato. Não há quem ponha limites à lei do uso e do porte de arma nos EUA, e situações como esta surtem o efeito oposto: em vez de consciencializar a população para o perigo de comprar uma arma como quem pede um café, as pessoas vão comprar a primeira arma, repôr o stock, ou actualizar a manancial que já possuem. Por um motivo muito simples: existem malucos em todo o lado, e nunca se sabe quando é necessário dar um tiro em alguém.  

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