Consciência

sexta-feira, agosto 10, 2012

Faço parte daquelas pessoas que ficam contentes por verem pessoas conhecidas grávidas. Fico feliz pela felicidade de outros, às vezes fico quase com uma lágrima no olho.
Há uns dias encontrei uma conhecida minha que está grávida. Inevitavelmente deu-se uma conversa deste tipo:
"E tu??não pensas nisso??"
(encolhendo ligeiramente os ombros) "Não muito."
"Não faz parte dos teus planos."
"Não é bem isso...tenho o gene de uma doença mental."
" Essa é outra questão.És consciente, e poucas pessoas o são".

Até aos 29, 30 anos pensava em ter filhos. Dois de preferência, e com pouca diferença de idades. Para se acompanharem, dividirem, compartilharem daquela maneira que um filho único não faz de maneira alguma.
Mas com os 30 (posso parecer muito conscienciosa e segura aos 31 e qualquer coisa), provavelmente surgiu de uma vez por todas a dita consciência. A consciência da genética, do gene que tenho e que muito provavelmente o posso transmitir a um filho meu. Ao transmiti-lo, eleva-se a probabilidade de ele vir a ter uma qualquer doença mental. É tão simples como isto: metade consciência, metade medo.
Concluindo, uma amiga minha disse e bem, que muito dificilmente eu conseguiria suportar se isto viesse a acontecer. E é verdade, muito dificilmente iria suportar a situação, porque em parte eu seria a causadora da mesma.E se dificilmente suportaria a situação, dificilmente conseguiria viver com o peso do que poderia ou posso dar como "herança".

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