domingo, agosto 25, 2013

O meu diário

Enquanto andava à procura de fotografias da minha adolescência deparei-me com os meus diários. Confesso que senti pena em acessos de raiva com a vida em ter rasgado folhas de ambos. São dois diários.
Um da Inês pré-adolescente e já adolescente, com uma escrita própria, mas já com umas quantas dúvidas existenciais das boas, dificuldade e falta de crença nela mesma, mas com vontade de lutar, de se tornar alguém melhor aos olhos dos outros (as avaliações escritas das notas e respectivas considerações da minha pessoa mostram isso).

 É curioso ver que nos idos anos 90, as notas escritas dos directores de turma não abordavam o comportamento, mas sim a insegurança e a falta de auto-estima no trabalho e no relacionamento. É quase estranho ver que as minhas dúvidas, as minhas angústias, as minhas vivências passaram de um diário pré-adolescente e adolescente, para o diário de adolescente grande e "adultazinha".

As mesmas questões, a mesma forma de as colocar passaram de uma faixa etária para outra, mudando apenas a forma como eram escritas. No segundo diário logicamente que falei dos "amores", que foram um misto de platonismo com uma insegurança e medos terríveis, um provável síndroma do patinho feio. Contudo permaneceu sempre na escrita os mesmos "problemas" existenciais da minha pessoa, mas já com alguma revolta embutida, bem como vontade e coragem de lutar, mas também um medo enorme de fraquejar e de se tornar num ser igual ao que via em casa.

Ao terminar de ler os diários (tenho imensa pena dos meus acessos de raiva adolescente com a vida), constatei que apesar de me rever perfeitamente no que escrevi, de sentir e de saber que sou eu mesma naquelas folhas perfumadas, parece-me que aquelas minhas dúvidas quase que seriam premonitórias. Felizmente aprendi a gostar de mim e a trabalhar a minha auto-estima  (a mim o devo), a confiar em mim e nas minhas capacidades, mas caramba.....não consigo deixar de pensar em que parece quase "adivinhação" ver escrito inúmeras vezes palavras como "será que vou ficar igual à minha mãe", "sinto-me sozinha", "como é que vou aguentar", "eu não quero esta vida", "eu vou ganhar auto-estima", "eu vou gostar de mim", "eu vou aguentar", "eu quero uma vida normal"......

6 comentários

  1. Gostei tanto de ler este post...por me ter revisto em vários pontos.

    Grandes vitórias já conseguiste Inês, outras virão!!!
    Sabes que tens escrito outro diário? Daqui a muitos anos vais gostar de o rever:)

    jinhosssssss

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    1. Este já tem três anos e por acaso nunca teve pausas.
      E confesso que já o vou relendo.

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  2. Eu tive diários durante toda a adolescência, até aos 18 ou 19 anos. Não eram diários de desabafos, mas sim de resumos dos meus dias. Muito bom de recordar.

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    1. Os meus também têm resumos do dia-a-dia da típica adolescente. Foi impossível não sorrir com esta leitura

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  3. Também tive a minha fase de diários, aliás como todas as adolescentes (este comportamento é mais usual nas meninas), julgo eu. Ainda guardo um deles mas que não tenho coragem para ler... penso que há memórias que devem ficar como memórias não atualizadas!

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    1. No meu caso, as memórias vieram para os dias de hoje.

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