Dicionário

quinta-feira, dezembro 05, 2013

Pois que me apareceu no facebook um dicionário de Leiriense para Português. Posto isto, abri o link para ler o dicionário, e descobri que mesmo não sendo de Leiria, nem vivendo lá, neste dicionário constam algumas palavras que eu uso, e que muitas vezes ouvi e ainda oiço:

Arrochar: ser vencido pela preguiça (a outra) e acabar por adormecer no sofá. Também se aplica ao sono pós-ganza, cujo resultado é semelhante.

Cachaporra: Se vos oferecerem uma malha de cachaporra, não aceitem com um sorriso agradecido. Não é oferenda, é mesmo ameaça. O melhor a fazer, nessa altura, é dar corda aos pés e porem-se ao fresco o mais rápido que conseguirem porque é sinal de que alguém está na iminência de vos chegar a roupa ao pêlo. Cachaporra, no dialecto leiriense, significa isso mesmo: porrada no lombo, pancada, bordoada, traulitada. Quando se metem mais pessoas ao barulho, está o arraial de cachaporra montado.

Castiço: adjectivo muito usado no quotidiano leiriense, normalmente aplicado para qualificar pessoas. A frase “É um tipo castiço” pode significar que o indivíduo em questão é curioso, idiossincrático ou simplesmente um gajo porreiro.

Catota: Quem não é de Leiria, por esta altura já deve estar a comentar, entre risos, o que é que vai sair daqui agora. E isto porque na gíria alfacinha usa chamar-se tal coisa aos bocadinhos de cocó que por vezes teimam em ficam agarrados ao rabo. Tchiii, que porcaria que para aí vai. No reino de D. Dinis não é nada disso! Conotações escatológicas à parte, as catotas são aquelas migalhas de ganza incandescente que às vezes caem e fazem buracos na roupa. Pronto, mais dia menos dia, muitas mães iriam perceber que aquilo que acontecia aos casacos dos filhos não era culpa das traças. Hoje foi o dia.

Encabrar(-se): É provavelmente o verbo mais utilizado para designar o vulgar acto de entornar uns copos valentes pela goela abaixo.

Fónix: Fónix, falta uma palavra começada por F. Ah, afinal não falta. Não é exclusivo destas bandas, mas é o mais leiriense dos substitutos de f*%#-se.

Morcela: Morcela, para um leiriense, também é nome de enchido, feito de sangue e tripa porcina. A diferença é que leva arroz lá dentro. Parece um pequeno pormenor, mas faz toda a diferença. Não há restaurante famoso da zona que não sirva morcela de arroz de entrada e quem vem de fora dificilmente lhe resiste. E faz muito bem.

Papo-seco: É de um tipo de pão que se trata, aquele mais banal de todos. Em Lisboa chamam-lhe carcaça, mas aqui é papo-seco. Bem vistas as coisas, em qualquer uma das designações a ideia é a mesma – remete para uma coisa oca e ressequida – e nenhuma das duas especialmente apetitosa, de onde se conclui que quem inventou o nome não devia ser grande apreciador desta variedade. Apesar de soar mal, não tem conotações sexuais implícitas. Antes assim.

Patusca: 
Cloche? Mas o que raio é uma cloche? Aquele objecto vintage que faz as vezes de um forno, tipo nave espacial em miniatura com uma pega em cima? Isso, minha gente, chama-se patusca. Bem podem tentar convencer um leiriense do contrário, que não têm a mínima hipótese.

Sapatilhas: Leiriense que se preze não calça ténis, mas sim sapatilhas. Claro que viajando 100 quilómetros para sul, se nos lembrarmos de dizer tal coisa o mais certo é dispararem-nos logo o olhar mortífero número 3 (com direito ao rótulo imediato de provinciano), ou então pensarem que estamos a falar de sabrinas, daquelas que se usam no ballet ou nas aulas de ginástica.

Variar (tás a): Expressão leiriense que, numa conversa, tem como objectivo constatar a aparente alteração momentânea/súbita da sanidade mental do interlocutor. Quando usada em tom interrogativo serve para invectivá-lo, como quem diz: ‘Tás doido ou quê?’.

Retirado daqui.

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