sábado, abril 02, 2011

2 de Abril




O dia 2 de Abril é o Dia Internacional do Livro Infantil. Foi escolhida esta data, porque coincide com o nascimento de Hans Christian Anderson. Este dia é coememorado desde 1967 por iniciativa do  IBBY (International Board on Books for Young People).

O meu livro infantil preferido é da autoria dos Irmãos Grimm: João e Maria (Hänsel und Gretel).
Podia preferir uma história mais bonita e simpática, mas de facto foi esta que ficou na memória...

"Era uma vez...
 Há muito tempo, numa cabana perto de um grande bosque, vivia um pobre lenhador com os seus dois filhos, um rapaz e uma rapariga.
O menino chamava-se Hansel, e a menina Gretel, e o lenhador era tão pobre que tinha muita dificuldade em sustentá-los.
Um dia, Hansel e Gretel foram com o seu pai ao bosque buscar lenha e, sem darem por isso, afastaram-se tanto dele que, quando escureceu, acabaram por se perder.
- Papá! Papá! Onde estás? - gritavam em coro os meninos.
Mas, tendo andado durante horas a tentar encontrar o seu pai ou, pelo menos, sair do bosque, quanto mais andavam mais se afastavam da sua casa. Cheios de fome e muito assustados, vaguearam a noite inteira pelo bosque escuro, pensando que nunca mais voltariam à sua casa, até que, por fim, muito cansados, aninharam-se debaixo de uma árvore e acabaram por adormecer.
De manhã recomeçaram a caminhada, mas cada vez penetravam mais no bosque, e tinham tanta fome que quase não conseguiam andar:
- Olha - disse Hansel olhando para o ramo de uma árvore - que pássaro tão bonito! Um pássaro, branco como a neve, estava pousado num ramo. O seu canto era tão bonito que os meninos pararam para o ouvir. Quando o pássaro branco parou de cantar, abriu as asas e levantou voo.
Sem saber muito bem porquê, Hansel e Gretel seguiram o pássaro branco, que voava baixinho e muito devagar, como se os quisesse levar a algum sítio.
Seguiram durante várias horas o pássaro, que finalmente pousou numa bonita casinha.
As crianças dirigiram-se para lá, muito contentes porque tinham encontrado um sítio onde podiam arranjar alguma coisa para comer, e saber como podiam sair rapidamente daquele bosque sinistro. Mas qual não foi a sua surpresa quando chegaram ao pé da casinha e viram que as paredes eram de bolo, o telhado de chocolate, e os vidros das janelas de rebuçado transparente.
- Que grande banquete que vamos ter Gretel! - exclamou Hansel. Vou já comer um grande bocado do telhado! Correram para a apetitosa casinha. Hansel subiu ao telhado e começou a comer uma telha. Gretel aproximou-se de uma janela e lambeu o vidro. Ao ver que era doce, e como era muito gulosa, arrancou um pedaço e chupou-o.
De repente, abriu-se a porta da casinha e saiu de lá de dentro uma velhinha. As crianças ficaram tão assustadas que deixaram cair as guloseimas que estavam a comer, mas a velhinha acalmou-as dizendo-lhes:
- Não tenham medo, queridos meninos.
Como é que chegaram até aqui?
- Perdemo-nos no bosque - respondeu Gretel.
- E temos muita fome - disse Hansel.
- Então venham - disse a velhinha. Venham e comam o que quiserem.
Dito isto, a velha fê-los entrar para dentro de casa. Depois preparou-lhes uma apetitosa refeição, com bolos e leite, maçãs e nozes.
Mas a velha era na realidade uma bruxa malvada, que tinha construído a casinha para atrair as crianças e as devorar.
Ao anoitecer, a bruxa preparou uma cama para as crianças que, como estavam muito cansadas, se deitaram contentíssimas, pensando que tinham tido muita sorte em encontrarem aquela velhinha tão boazinha, e adormeceram logo. Mas de manhã, a bruxa tirou Hansel da cama bruscamente e fechou-o numa gaiola. Depois disse a Gretel:
- Prepara comida para o teu irmão, que está muito magro e tem de engordar. Quando estiver gordo, vou assá-lo no forno e comê-lo... Ah, ah, ah!
Todos os dias Gretel tinha de preparar muita comida para Hansel, que ia engordando pouco a pouco.
- Mostra-me um dedo para ver se estás a engordar - dizia a bruxa ao menino. Mas Hansel mostrava um osso de galinha, e a bruxa, que via muito mal, acreditava que o osso era o dedo da criança e que este ainda estava magro.
Depois de quatro semanas, a bruxa cansou-se de esperar e disse a Gretel:
- Já estou farta. Acende o forno que eu vou comer o Hansel assim mesmo.
- Não sei acendê-lo; vais ter de me ensinar - respondeu Gretel.
- Pequena inútil! - gritou a bruxa.
Vê lá se aprendes como se faz.
A velha abriu a porta do forno e meteu metade do corpo dentro dele para o acender. Então, Gretel empurrou-a e fechou-a lá dentro.
A bruxa gritava e batia na porta do forno, mas esta era de ferro e não havia forma de a abrir por dentro.
Gretel correu a libertar o seu irmão. As crianças abraçaram-se e pularam de alegria, e, como a bruxa já não lhes podia fazer mal, foram fazer um reconhecimento à casa.
Qual não foi o seu espanto ao encontrarem vários cofres cheios de pérolas preciosas! Encheram os bolsos de jóias e saíram a correr da casinha de chocolate, ansiosos por voltar para ao pé do seu pai.
Não demoraram muito a encontrar caminho de regresso a casa, onde o pai os recebeu chorando de alegria. E com as jóias da bruxa, viveram felizes para sempre."

E vocês que me lêem, e me seguem, e me comentam.....qual é o vosso livro infantil de eleição? Aquele que não esquecem de maneira nenhuma??

6 comentários

  1. Eu tenho várias histórias infantis que gosto... a gata borralheira, a bela adormecida... sei la tantas tantas.
    ah e adoro contos tradicionais portuguêses também.
    Mas olha Inêsita emocionei-me a ler esta história, como já te contei a minha irmã que é cenógrafa e figurinista e o meu cunhado que é programador já trabalharam num espectáculo que era precisamente a história da casinha de chocolate!
    Foi há anos, quando eles estavam a começar nas andanças das artes e do teatro.
    Agora já trabalham não só em Portugal mas também no estrangeiro...
    Como o tempo passa mulher.
    Lembro-me perfeitamente de ir ao espectáculo la no porto com a minha sobrinha mais velha no colo.
    Ela agora já é uma adolescente.....

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  2. Livros infantis não leio muito actualmente...devorei na minha infância várias histórias, conheço-as e gostava sobretudo das ilustrações...porque dariam asas à imaginação! Os livros infantis carregam em si lições de moral que marcam e ficam para a vida...mas passados estes anos todos sinto que fui enganada.. ninguém adormece tanto tempo e com um beijo renasce...não há príncipes encantados, não há madrastas tão más...hoje inverteu-se o que eles nos transmitiram os príncipes na sua maioria são sapos, hoje são as mães que maltratam os filhos...Valorizo-os porque ainda hoje se "impingem " às crianças fazendo-as acreditar num mundo bom onde os finais são sempre felizes e para sempre...fantasia e imaginação em que a criança se coloca no papel das personagens. Têm um papel importante no desenvolvimento da percepção e da sensibilidade.. já não falando no vocabulário que depois lhes permite escrever melhor. Talvez seja importante nunca nos esquecer-mos deles para que a criança adquira hábitos de leitura...que possa depois transformá-los...Nunca me vou esquecer de alguns..porque me eram contados antes de dormir..( antes de saber ler)..o que criava sempre laços...o que talvez me agradou mais.. se bem que é difícil escolher.. era o Capuchinho Vermelho...e todos onde as fadas eram presenças constantes...A sua linguagem metafórica dos contos permite projectar-se em diferentes personagens e situações...e onde há fadas há sempre outra resolução de conflitos.. será por isso que os distingue dos outros!Ensina sempre que certos perigos, problemas e situações podem ser ultrapassados se forem encarados com perseverança...
    Neles encontramos sempre questões com as quais todo o indivíduo se vê confrontado mais tarde durante a vida: rivalidade de gerações, integração dos mais novos no mundo adulto, tabu do incesto, antagonismo dos sexos. Lida com aspectos da vida social e do comportamento humano, com as etapas fundamentais da vida como o nascimento, o namoro, o casamento, a velhice e a morte, com episódios caracteristícos da vida da maior parte das pessoas. Do campo emocional fazem parte o amor e o ódio, a desconfiança, a alegria, a perseguição, a felicidade, a rivalidade, a amizade. Muitas vezes, o mesmo conto refere-se a estes fenómenos em pares contrastantes: o bem contra o mal, o êxito contra o fracasso, a benevolência contra a malevolência, a pobreza contra a riqueza, a fortuna contra a desgraça, a vitória contra a derrota, a modéstia contra a vaidade, ou seja, o branco contra o preto...

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  3. Quem melhor que Tim Burton ( meu realizador preferido) para nos contar histórias infantis no cinema???

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  4. Petra: esta história tem um lado humano muito grande.
    Tenho pena de nunca a ter visto no teatro.
    :)

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  5. Marge: estas histórias para mim são metafóricas e têem sempre por detrás uma lição de moral como a fábula da lebre e da tartaruga.Eu acho que é bonito as pessoas enquanto crianças gostarem de fadas e princesas, porque faz parte do nosso imaginário.
    Quanto ao Tim Burton, tive pena de não ver a Alice, mas ele é muito bom.

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  6. Essa pergunta é fácil e difícil ao mesmo tempo.
    Eu em criança não tive acesso a muitos livros infantis... só comecei a ler mais compulsivamente a partir dos 12, 13 anos (já não era uma criança, portanto). Lembro-me de haver lá em casa muitos livros dos meus pais e dos meus irmãos mais velhos... mas livros infantis mesmo só me lembro de um livro de contos jugoslavos que faziam as minhas delícias. Esse eu li e reli... contava histórias assombrosas de gigantes e ogres da montanha, de dragões de 9 cabeças, de um príncipe com orelhas de burro...
    E pronto, mesmo sem saber bem qual o título, este foi o livro infantil que marcou a minha infância.

    Beijinhos :)

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