quinta-feira, junho 30, 2011

Para mais tarde recordar

Estive a ver agora a reportagem sobre o funeral do Angélico. Não me espanta ver por ali centenas de pessoas, neste tipo de funerais é normal, a malta tem que lá estar, e isso tanto se passa em Portugal como na Espanha, como em qualquer país.
Agora o que espanta nestes casos é ver as pessoas a dizerem aos repórteres "Não o conheci, só o via na tv, mas tive que vir vê-lo ao vivo e a o cores." Estas respostas só me lembram as carpideiras e as falsas beatas, que em vez de mostrarem alguma solidariedade para com os que sofrem, vão ver as lágrimas ao vivo e a cores porque isso é que é bonito.
Ir ver-se o nível de berros, de choros e desmaios, se existem muitos olhos vermelhos. Ter-se a certeza de que o morto está mesmo morto, vê-lo bem com estes olhinhos que a terra há-de comer. Já agora estar de olho na câmara de tv, porque elas andam aí e é sempre bom aparecer na televisão. É bonito, fica bem.
E não esquecer de contar à vizinhança tudo o que viu, porque isto de se ir ver a desgraça alheia é bonito e fica bem (vai-se a ver, pelo caminho ainda se pedem uns autógrafos e tiram-se umas fotos às escondidas que podem vir a dar jeito, e fica sempre bem guardar estes momentos para mostrar aos que não puderam ir prestar o seu carpideirismo ao local.

quarta-feira, junho 29, 2011

Irra para mim

"Nunca pensei que nos deixasses pendurados.Ficámos apenas três pessoas. Nunca pensei que fosses capaz, ofereces-te para tudo."
Foi chato, eu sei que foi. Se me tira o sono, não não tira. Se faz de mim um ser maquiavélico? Não me parece.
Mas ser boazinha e estar sempre a perguntar e a oferecer ajuda e a ser boa samaritana cansa-me a "beleza", e faz-me ganhar rugas e cabelos brancos, e perco peso por tomar as dores dos outros e estar sempre sempre disponível para fazer o possível às vezes quase dentro do impossível.
Temos pena, mas não posso estar sempre a oferecer um dedo e levarem-me o braço inteiro. Às vezes acho que já estou desmembrada, que tenho próteses em vez de braços, mãos, pés e pernas.
Todos encaram como obrigatório a boa samaritana ser boazinha e estar sempre disposta a ajudar. E o facto é que estou sempre disposta a isso, mas nesse dia não calhou. Temos pena, mas às vezes a vocação angelical vai-se. E de vez em quando precisa de ir. 
A culpa é minha, habituo mal as pessoas.
Irra para mim!!!!! 

terça-feira, junho 28, 2011

Leadership



Eu não percebo nada do assunto,mas julgo que a liderança autoritária ou autocrática não deve ser nada motivacional para o proletariado, mesmo nada.

Hora do Vitinho (96)




"Nascemos todos com vontade de amar. Ser amado é secundário... Prejudica o amor que muitas vezes o antecede.
Um amor não pode pertencer a duas pessoas, por muito que o queiramos. Cada um tem o amor que tem, fora dele...
É esse afastamento que nos magoa, que nos põe doidos, sempre à procura do eco que não vem.
Os que vêm são bem-vindos, às vezes, mas não são os que queremos.
Quando somos honestos, ou estamos apaixonados, é apenas um que se pretende.
Tenho a certeza que não se pode ter o que se ama. Ser amado não corresponde jamais ao amor que temos, porque não nos pertence.
Por isso escrevemos romances - porque ninguém acredita neles, excepto quem os escreve.
Viver é outra coisa. Amar e ser amado distrai-nos irremediavelmente. O amor apouca-se e perde-se quando se dá aos dias e às pessoas. Traduz-se e deixa ser o que é. Só na solidão permanece...
 O amor é fodido. Hei-de acreditar sempre nisto. Onde quer que haja amor, ele acabará, mais tarde ou mais cedo, por ser fodido (...)
E por que é que fodemos o amor? Porque não resistimos. É do mal que nos faz. Parece estar mesmo a pedir.

De resto, ninguém suporta viver num amor que não esteja pelo menos parcialmente fodido. Tem de haver escombros. Tem de haver progresso para pior e desejo de regresso a um tempo mais feliz.
Porque é que conseguimos foder com quem não amamos? Não haverá aqui qualquer coisa de errado? Pensamos que o amor fica resguardado, mas a verdade é que [ele] vai-se fodendo à medida que se fode.

Quando se perde um homem, há outro igual ao virar da esquina. Quando se perde uma mulher, é uma vida. Os amigos arranjam-se e as mulheres também, mas as mulheres ninguém sabe como é. As mulheres sabem. Os homens pensam. As mulheres pensam que sabem. Os homens sabem que não sabem. Mas são as mulheres que acabam por ter razão.A vida é simples e fácil de perder. Mas o amor é fodido. E gostei de fodê-lo contigo."

Miguel Esteves Cardoso - O amor é fodido

segunda-feira, junho 27, 2011

Um minuto de indignação

A Confederação do Turismo Português é o órgão que "tutela"o que se relacione directa ou indirectamente com o turismo: hotelaria, restauração, animação, agências de viagens,operadores e por aí adiante.
Basicamente é quem manda, daí os seus órgãos sociais terem representantes de todas as sub-áreas do turismo. Por ser quem "manda", a CTP é um parceiro social, e por ser isso, teve a sua reunião com a Troika, e reuniu hoje com o Ministro da Economia, como todos os parceiros sociais reúnem.
O Presidente da CTP saiu bastante satisfeito da reunião com o Ministério da Economia (ainda não decorei os restantes nomes).  Fiquei agradada por ler e ouvir que temos um Ministro que parece ter uma visão "ampla" sobre os motores de economia nacionais (em contraponto temos uma Secretária de Estado sem experiência na área, mas isso vê-se depois).
Em contraponto, fiquei desagradada, triste, boquiaberta, espantada por o Presidente da CTP dizer que a preocupação é o combate ao desemprego e não o aumento do SMN.
O Presidente da CTP vive no mesmo planeta de José Sócrates, ou no planeta ao lado para proferir esta alarvidade. Lá por 15€ custarem as entradas no restaurante onde provavelmente almoça, ao comum mortal 15€ fazem muita diferença. E desenganem-se os que pensam que a malta que trabalha em hotelaria e turismo recebe a remuneração adequada às funções e tem uma boa vida, (os que trabalham para o Estado até podem ter, mas os que trabalham para o privado não têm), porque isso é uma mentira, uma ilusão e das grandes. O sector de hotelaria e turismo e afins é regido por CCT'S que dão a volta a muita coisa. O próprio Código do Trabalho quando bem esmiuçado contorna tudo, basta fazer uma leitura mais profunda (nem é preciso ser-se advogado para se concluir este facto).
Os contratos a prazo (temporários) são aplicáveis a esta matéria. O Código do Trabalho estipula que um contrato a prazo pode ser feito quando destinado a actividades sazonais ou com acréscimo excepcional do trabalho. O Presidente da CTP não sabe que nesta área existem muitos e muitos precários??Que esses precários são mal pagos??Que esses precários não recebem o que a lei estipula??O Presidente da CTP não sabe que muitos deste precários não vêem os seus direitos, mas em contraponto têm 1001 deveres para cumprir e ai deles que não cumpram????
Têm dúvidas?Dêem um salto a um hotel da vossa terra e perguntem o ordenado de um dos funcionários, e façam o mesmo num restaurante, numa empresa de turismo. E já agora perguntem qual a forma de contrato que possuem.
E se as dúvidas persistem, passem nas Escolas que leccionam estas matérias de Turismo e afins e perguntem o mesmo.
Senhor Presidente da CTP, desça ao Planeta Portugal, e reflicta sobre a alarvidade que disse. 15 € fazem falta, muita falta, só não fazem falta a quem nunca precisou deles para fazer contas à vida.

Sem título

Eu sei que tenho que responder aos comentários que estão por aqui, mas já lá vou.
Mas ando a ficar extremamanete inrigada e irritada porque tenho os malditos widgets e afins todos fora do lugar!!!
Para além disso, não vejo quem me segue!!Basicamente as vossas "caras" desapareceram e a "coisa" que mostra as vossas caras está activa.
Resumindo e concluindo, está-me a parecer que vou retirar as sacanas das aplicações ou dos widgets e depois vou fazer sei lá o quê!!!
E o raio da barra de ferramentas parece querer à força toda que o raio do estabelecimento blogosférico tenha um twitter.
Por vezes estas novas tecnologias dão cabo de mim, da minha paciência.
Será que ando a precisar de aulas de informática??????

Medicinas

Ouvi / Vi este monólogo na Anatomia de Grey e gostei. Gostei de a ver, ouvir e ler.



"Há uma razão para eu ter dito que seria feliz sozinha.
Não foi por pensar que seria feliz sozinha.
Foi por pensar que se amasse alguém e isso corresse mal, podia não aguentar.
É mais fácil estar sozinho.
E se aprendemos que gostamos de amor, e depois não o temos? 
E se gostarmos disso?
E dependermos dele?
E se nos apoiarmos nisso?
E se construirmos a nossa vida em torno disso, e depois tudo se desmoronar?
Conseguimos sobreviver a esse tipo de dor?
Perder o amor é como uma lesão num órgão.
É como morrer. A única diferença é que a morte termina.
Isto?
Isto pode durar para sempre."

domingo, junho 26, 2011

Bandeiras e cintos

Eu tenho a sorte de viver bem perto do mar.E aqui está-se mesmo muito bem na praia.Temperatura acima dos 35 graus na terrinha e 29 graus na praia. Uma verdadeira maravilha. A minha praia de eleição tem um areal com 6km de extensão, basicamente é areia até perder de vista. Uma coisa soberba.
O único "senão" desta praia é ser indicada para estarmos ao sol, e não nos arriscarmos dentro de água, olhar para a bandeira e "fazer" o que ela "diz".
São 6km de Oceano Atlântico bem puro. São algumas as vezes em que a bandeira está verde, grande parte do tempo a bandeira está amarela ou vermelha. É do saber comum que bandeira verde significa que podemos tomar banho, bandeira amarela podemos tomar banho com cuidado, bandeira vermelha não se pode tomar banho porque é perigoso, para o parvo que resolve mergulhar num mar que tem uma força bruta e para o nadador-salvador que desgraçado pode ter que arriscar a vida por causa do espertinho que não consegue sair do mar de maneira alguma.
Hoje a bandeira estava vermelha, a maré estava cheia e a puxar bastante.Via-se logo no topo do cruzamento para a praia. A praia tem dois nadadores-salvadores, e tem uns caramelos armados em espertos que teimam em mergulhar no mar. E quando o nadador-salvador exerce a sua função, que é algo como "saí daí antes que arranjes problemas", o caramelo saí a resmungar porque o mandaram sair da água. E se o nadador o deixasse estar a dar os seus mergulhos entretido da vida e acontecesse alguma coisa?A culpa logicamente era do parvo do nadador-salvador que não exerceu o seu dever.

Gente, as bandeiras existem e funcionam como uma lei e como um aviso. Há que cumprir para não dar problemas a ninguém.Elas estão lá por algum motivo, não para enfeitar o mastro. Os nadadores estão lá para cumprir a função (alguns estão entretidos a apanhar sol ou na conversa, o que também é mau). Mas é básico o conhecimento e as normas das bandeiras.

É um pouco como o uso dos cintos de segurança. São para se pôr em que circunstância for, faça-se uma viagem de metros ou de km. Servem para proteger, trancam e bloqueiam com travagens bruscas. Podem magoar se for uma paragem muito forte.A pessoa pode ter que ficar quieta porque o cinto não desbloqueia. Mas provavelmente não é cuspida de um veiculo, sofre um acidente mas em menor escala. Não tem a vida em risco e não está em coma induzido, nem sofre operações de muitas horas.

Bandeiras e cintos. São coisas básicas de respeitar. Custa assim tanto???

sexta-feira, junho 24, 2011

Sonho

Um dos sonhos, ou uma das coisas que eu queria/quero fazer é adoptar. Não é por estar na moda, nem por ser bonito, ser um acto de caridade, solidariedade, pena, nada disso. Desde a minha adolescência que quero um dia adoptar uma criança. Tenho a certeza de que daria tanto amor a ela, como daria a um filho biológico.E o sonho continua a existir, mas tenho bem presentes as dificuldades da adopção em Portugal. Passam desde um interminável tempo de espera, a burocracias, em escolherem este em detrimento daquele devido a factores X ou Y, em dar primazia a casal do que a uma pessoa solteira que terá as mesmas ou melhores condições de vida e principalmente amor para oferecer a uma criança. 
Acho injusto,estúpido, surreal que se ponham outras condições à frente das emocionais (eu sei o quanto importantes são as condições económicas e sociais), que vivamos num país com uma mentalidade em que um filho tem que ter um pai e uma mãe, em que querer adoptar sozinho e vir de uma familia dita "disfuncional", é por si só um entrave. Adopção por homossexuais é um tabu.
Não estou preocupada com a idade, com a cor, a religião, a hora e o local onde nasceu. Gostava apenas dar o meu amor, independentemente de vir a ser solteira ou casada, com filho biológico ou não. E sim, tenho a plena consciência dos grandes Se's que a adopção coloca.
E eu, como muitas outras pessoas queremos adoptar porque temos amor para dar, queremos cuidar, tratar, educar.
É uma questão de amar, tão somente isso. Mas querer amar neste país custa muito.Custa um sonho, custa tempo, custa parte de uma vida.

quinta-feira, junho 23, 2011

Livro do desassossego

Salvador Dali - Study for the dream sequence in Spellbound, 1944

"A arte consiste em fazer os outros sentir o que nós sentimos, em os libertar deles mesmos, propondo-lhes a nossa personalidade para especial libertação. O que sinto, na verdadeira substância com que o sinto, é absolutamente incomunicável; e quanto mais profundamente o sinto, tanto mais incomunicável é. Para que eu, pois, possa transmitir a outrem o que sinto, tenho que traduzir os meus sentimentos na linguagem dele, isto é, que dizer tais coisas como sendo as que eu sinto, que ele, lendo-as, sinta exactamente o que eu senti. E como este outrem é, por hipótese de arte, não esta ou aquela pessoa, mas toda a gente, isto é, aquela pessoa que é comum a todas as pessoas, o que, afinal, tenho que fazer é converter os meus sentimentos num sentimento humano típico, ainda que pervertendo a verdadeira natureza daquilo que senti.

Tudo quanto é abstracto é difícil de compreender, porque é difícil para ele a atenção de quem o leia. Darei, por isso, um exemplo simples, em que as abstracções que formei se concretizarão. Suponha-se que, por um motivo qualquer, que pode ser o cansaço de fazer contas ou o tédio de não ter que fazer, cai sobre mim uma tristeza vaga da vida, uma angústia de mim que me perturba e inquieta. Se vou traduzir esta emoção por frases que de perto a cinjam, quanto mais de perto a cinjo, mais a dou como propriamente minha, menos, portanto, a comunico a outros. E, se não há comunicá-la a outros, é mais justo e mais fácil senti-la sem escrever.

Suponha-se, porém, que desejo comunicá-la a outros, isto é, fazer dela arte, pois a arte é a comunicação aos outros da nossa identidade íntima com eles; sem o que nem há comunicação nem necessidade de o fazer. Procuro qual será a emoção humana vulgar que tenha o tom, o tipo, a forma desta emoção em que estou agora, pelas razões inumanas e particulares de ser um guarda-livros cansado ou um lisboeta aborrecido. E verifico que o tipo de emoção vulgar que produz, na alma vulgar, esta mesma emoção é a saudade da infância perdida.

Tenho a chave para a porta do meu tema. Escrevo e choro a minha infância perdida; demoro-me comovidamente sobre os pormenores de pessoas e mobília da velha casa na província; evoco a felicidade de não ter direitos nem deveres, de ser livre por não saber pensar nem sentir - e esta evocação, se for bem feita como prosa e visões, vai despertar no meu leitor exactamente a emoção que eu senti, e que nada tinha com a infância.

Menti? Não, compreendi. Que a mentira, salvo a que é infantil e espontânea, e nasce da vontade de estar a sonhar, é tão-somente a noção da existência real dos outros e da necessidade de conformar a essa existência a nossa, que se não pode conformar a ela.
A mentira é simplesmente a linguagem ideal da alma, pois, assim como nos servimos de palavras, que são sons articulados de uma maneira absurda, para em linguagem real traduzir os mais íntimos e subtis movimentos da emoção e do pensamento, que as palavras forçosamente não poderão nunca traduzir, assim nos servimos da mentira e da ficção para nos entendermos uns aos outros, o que, com a verdade, própria e intransmissível, se nunca poderia fazer.

A arte mente porque é social. E há só duas grandes formas de arte - uma que se dirige à nossa alma profunda, a outra que se dirige à nossa alma atenta.
A primeira é a poesia, o romance a segunda. A primeira começa a mentir na própria estrutura; a segunda começa a mentir na própria intenção. Uma pretende dar-nos a verdade por meio de linhas variadamente regradas, que mentem à inerência da fala; outra pretende dar-nos a verdade por uma realidade que todos sabemos bem que nunca houve.

Fingir é amar. Nem vejo nunca um lindo sorriso ou um olhar significativo que não medite, de repente, e seja de quem for o olhar ou o sorriso, qual é, no fundo da alma em cujo rosto se sorri ou olha, o estadista que nos quer comprar ou a prostituta que quer que a compremos. Mas o estadista que nos compra amou, ao menos, o comprar-nos; e a prostituta, a quem compremos, amou, ao menos, o comprarmo-la. Não fingimos, por mais que queiramos, à fraternidade universal. Amamo-nos todos uns aos outros, e a mentira é o beijo que trocamos."

Bernardo Soares
Livro do desassossego - Trecho 230

São João

Porque hoje ai para o Norte é noite de festa...



E porque estas senhoras conseguem dizer mais asneiras do que eu, e põem o tio de  Lisboa no devido lugar...


Nesta coisa dos santos acho que o meu preferido é o São Pedro. Trabalho para ele, tem as chaves do céu, e decide sobre o tempo. O São João é uma pobre criancinha, não quero ser acusada de pedofilia, de abusos ou de exploração de menores, e o Santo António tem a mania que casa as pessoas.

quarta-feira, junho 22, 2011

Pedido

 

Solicita-se o envio dos objectos acima mostrados em tamanho XXXXXXXL para a minha pessoa usar como anti-stress.
Grata pela atenção.

Tempo

Ontem enquanto estava a vegetar na fox life, a fazer tempo para adormecer vi um daqueles célebre diálogos sobre o tempo. Não, não é sobre se hoje chove ou se amanhã está sol ou nevoeiro pela manhã. é mesmo sobre o "o tempo" nas relações. 
Muito sinceramente, não sei se a coisa é defeito,se é feitio,estou longe mas muito longe de ser uma sumidade na matéria, mas acho essa coisa de pedir "um tempo" uma grande treta. Para mim é querer tapar o sol com a peneira. Se a coisa não está bem, sentem-ser, falem e decidam. Escolham se vale a pena insistirem numa coisa que pode ou não ter futuro, ou se não preferível dizer adeus, até um dia.
Agora pedir tempo para pensar se vale ou não a pena, para reflectir e dormir sobre o assunto???Para mim não tem pés nem cabeça, nem braço.Não tem ponta por onde se pegue, é uma maneira querida e fofinha de se "acabar" com uma relação. O problema no meio disto tudo é que há sempre um desgraçado que deve ficar com pensamentos do género "eu vou dar o tempo porque ele (a) precisa de respirar e de espaço. E provavelmente a culpa é minha, só minha. Vou ali carpir e já volto porque sei e tenho a certeza que ele (a) volta". Depois é ver a outra pessoa na fase do tempo que pediu a fazer a sua vida normal, quem sabe com um ar mais leve devido ao tempo que lhe foi concedido para reflectir. E aí o que é que fazem??? Aí está...o tempo pode ser definitivo.


Por mero acaso encontrei um texto que exemplifica o que eu penso do "tempo", e deixo aqui a parte que para mim deve ser enfatizada.
A questão aqui é que aplico-o aos dois. Sim...não acredito que sejam só os homens a pedir "tempo", a querer fazer uns meses sabáticos numa relação. Para mim, toca a todos, a diferença será que provavelmente serão ainda as mulheres as mais lamechas e a acreditarem que o tempo e a sua doação são a poção mágica para as relações.


"(...)Não achas que a vida é muito curta para desperdiçarmos meses e anos com alguém que se acha no direito de nos empatar e fazer parar no tempo, a viver de “migalhas”, como um telefonema por mês, ou um olhar sedutor só para nos ir dando esperanças? Outra muito típica é quando eles acabam o namoro e dizem que não é por nossa causa, é por causa deles, porque são indignos de nós e portanto, merecemos alguém melhor! Alguns até choram, para que o final seja em grande! Depois lá ficamos feitas parvinhas com pena do menino, à espera que ele resolva os “pseudo traumas”! Insistimos, insistimos até ao dia que ele nos pergunta, qual foi a parte do não que ainda não entendemos!
Um dia alguém me disse, (nunca mais esqueci), que “um homem apaixonado é pior que uma mulher! Vai até à China se for preciso, só para estar com a sua amada.” Quantas mulheres e mesmo homens, não andam a viver de recordações, de ilusões, de expectativas, por causa de um olhar, de um sorriso mais sexy, de uma “migalha”? Quantas pessoas, não andam angustiadas a olhar para os telefones a cada 5 minutos, para ver se existe alguma chamada não atendida, ou alguma mensagem? E depois ficam a “moer” neste reboliço de esperanças com frases como: “Eu sei que ele gosta de mim, está é inseguro!”, “Foi a mãe que lhe fez a cabeça!”, “A culpa é minha, não devia ter dito isto ou aquilo”, etc… (...)"

Gente que sofre com o tempo...sigam em frente porque atrás vem gente, se não o fizerem um dia acordam e dão por vós a cantar o célebre refrão da Severa do Tony de Matos.


"Ò tempo volta para trás 
Dá-me tudo o que eu perdi 
Tem pena e dá-me a vida 
A vida que eu já vivi 
Ò tempo volta p'ra trás 
Mata as minhas esperanças vãs 
Vê que até o próprio sol 

Volta todas as manhãs."

terça-feira, junho 21, 2011

Etimologia de mais uma palavra portuguesa

O firefox da Malena é um púdico, enquanto que o meu é um devasso. Posso escrever toda a asneira e toda a asneirola que ele não se queixa de nada.Escrevi puta e logo se abriu um google com várias ligações para a palavra. As indicações sobre a palavra puta no dicionário estavam na 2ª ou na 3ª página, mas em compensação a definição do mundo Pédia estava bem à vista, felizmente.

Posto isto, conclui que o nome puta tem história, é antigo, é do tempo dos romanos, e não se refere às senhoras que vemos nos mais variados pontos deste nosso país, mas sim a divindades.
A Wikipedia, sempre bem informada diz que a etimologia da palavra puta tem origem latina e que o seu significado de origem é a palavra "poda". A Poda era uma Deusa Romana menor da agricultura. Os festivais em sua honra eram a poda das árvores,e  durante as festividades, era feitos uns pelas sacerdotizas uns regabofes sagrados, onde a Deusa Poda era honrada e festejada. Provavelmente os romanos diziam algo como
"Viva  a poda!!"
"Venham mais podas como esta!!"
"Para o ano há mais podas!!!"
Basicamenete deduz-se que o regabofe teria cariz sexual e daí a evolução para a palavra puta, e respectivas variâncias.
Já a Desciclopédia dá uma outra versão de puta, esta mais conhecida entre nós:

"As putas (...) são as mulheres que (...) decidem encarar a vida de frente, de costa, de lado ou em pé mesmo. (...)Ser puta consiste em simplesmente receber "algo" em troca de "alguma coisa"(...)"

As putas também merecem destaque na música portuguesa. Aqui pela voz dos Irmãos Catita.


 Quanto aos filhos da puta, encontrei o que pode ser a provável origem da expressão:  

 "filho da puta é, simplesmente, o filho da puta. Rui Barbosa diria que é o indivíduo cuja genitora exerce atividades profissionais remuneradas relativas ao coito.(...)Filho da Puta é um termo bastante conhecido nos meios sociais e em vários idiomas (Motherfuck ou Son of a Bitch )(...). Segundo historiadores, na idade média haviam muitas prostitutas, e elas tinham seus filhos, por sempre serem muito pobres, os filhos das putas tinham que ajudar as suas mães roubando comerciantes, pessoas, entre outros pequenos furtos, logo quando sumia algo logo diziam "foi o filho de alguma puta!" logo... Filho da puta!"
No que diz respeito aos filhos das senhoras, encontrei este poema que fala precisamente dos filhos da puta. Fala dos grandes dos pequenos, do que querem ser, do que não podem ser, do que sonham, anseiam e ambicionam.

I
O pequeno filho-da-puta
é sempre
um pequeno filho-da-puta;
mas não há filho-da-puta,
por pequeno que seja,
que não tenha
a sua própria
grandeza,
diz o pequeno filho-da-puta.


no entanto, há
filhos-da-putaque nascem
grandesefilhos-da-puta
que nascem pequenos,
diz o pequeno filho-da-puta.
de resto,
os filhos-da-puta
não se medem aos
palmos,diz ainda
o pequeno filho-da-puta.


o pequeno
filho-da-puta
tem uma pequena
visão das coisas
e mostra em
tudo quanto faz
e diz
que é mesmo
o pequeno
filho-da-puta.


no entanto,
o pequeno filho-da-puta
tem orgulho
em ser
o pequeno filho-da-puta.
todos os grandes
filhos-da-puta
são reproduções em
ponto grande
do pequeno
filho-da-puta,
diz o pequeno filho-da-puta.


dentro do
pequeno filho-da-puta
estão em ideia
todos os grandes filhos-da-puta,
diz o
pequeno filho-da-puta.
tudo o que é mau
para o pequeno
é mau
para o grande filho-da-puta,
diz o pequeno filho-da-puta.

o pequeno filho-da-puta
foi concebido
pelo pequeno senhor
à sua imagem
e semelhança,
diz o pequeno filho-da-puta.

é o pequenofilho-da-puta
que dá ao grande
tudo aquilo de que
ele precisa
para ser o grande filho-da-puta,
diz o
pequeno filho-da-puta.
de resto,
o pequeno filho-da-puta vê
com bons olhos
o engrandecimento
do grande filho-da-puta:
o pequeno filho-da-puta
o pequeno senhor
Sujeito Serviçal
Simples Sobejo
ou seja,
o pequeno filho-da-puta.

II
o grande filho-da-puta
também em certos casos começa
por ser
um pequeno filho-da-puta,
e não há filho-da-puta,
por pequeno que seja,
que não possa
vir a ser
um grande filho-da-puta,
diz o grande filho-da-puta.

no entanto,
há filhos-da-puta
que já nascem grandes
e filhos-da-puta
que nascem pequenos,
diz o grande filho-da-puta.

de resto,
os filhos-da-puta
não se medem aos
palmos, diz ainda
o grande filho-da-puta.

o grande filho-da-puta
tem uma grande
visão das coisas
e mostra em
tudo quanto faz
e diz
que é mesmo
o grande filho-da-puta.

por isso
o grande filho-da-puta
tem orgulho em ser
o grande filho-da-puta.

todos
os pequenos filhos-da-puta
são reproduções em
ponto pequeno
do grande filho-da-puta,
diz o grande filho-da-puta.
dentro do
grande filho-da-puta
estão em ideia
todos os
pequenos filhos-da-puta,
diz o
grande filho-da-puta.

tudo o que é bom
para o grande
não pode
deixar de ser igualmente bom
para os pequenos filhos-da-puta,
diz
o grande filho-da-puta.

o grande filho-da-puta
foi concebido
pelo grande senhor
à sua imagem e
semelhança,
diz o grande filho-da-puta.

é o grande filho-da-puta
que dá ao pequeno
tudo aquilo de que ele
precisa para ser
o pequeno filho-da-puta,
diz o
grande filho-da-puta.
de resto,
o grande filho-da-puta
vê com bons olhos
a multiplicação
do pequeno filho-da-puta:
o grande filho-da-puta
o grande senhor
Santo e Senha
Símbolo Supremo
ou seja,
o grande filho-da-puta.
 Alberto Pimenta

segunda-feira, junho 20, 2011

Pode ser ou está díficil???

É possível que esta música e respectiva letra já por aqui ande, mas adiante.
Esta é provavelmente a melhor canção de engate puro e duro que ouvi até hoje, e foi escrita pelo próprio George Michael.
Por isso é que gosto dela. É pura e dura. Diz qualquer coisa como 
"Vamos passar um bom bocado??Mas olha que não sou flor que se cheire..."
Atentem na letra...

© Brainstorming
Maira Gall