Sobre o forcado as touradas e afins

domingo, setembro 02, 2012

Antes de mais eu gosto da arte que é tourear, de ver o cavalo a dançar, a andar a trote. Mas acima de tudo o que sempre gostei e gostarei de ver é a pega que é feita ao touro.Fui educada e ver touradas e confesso que se me lembrar que dá uma tourada na tv, eu vejo um bocado e principalmente a pega.
Aquela malta que pega os touros fá-lo com uma dose de paixão e outra tanta de loucura. Sabe o perigo que corre mais vai e faz a pega, e farão pegas ou serão "ajudas" o máximo tempo que possam. Quando deixarem de poder estarão do outro lado da barricada a dar incentivo aos que lá estão com a mesma dose de amor e de loucura.
Já há algum tempo que queria escrever um texto sobre a tourada, porque há quem goste, há quem aprecie aquele enlevo, há que delire com um bom ferro, e há aquele e aqueles que tremem e vibram com uma pega. Mas há quem não goste, não suporte, não compreenda como o oposto existe.

Mas há opiniões e opiniões, mas todas devem e merecem ser respeitadas quando providas de bom senso, e aí é o que falta a muitos dos que são a favor da tourada (parte da nossa cultura e sim), e também aos que são contra. Mas neste momento e principalmente hoje, muitos dos que defendem a abolição das touradas causaram-me "impressão".

Por um motivo muito simples que fui observando ontem e especialmente hoje pelo facebook.
Um forcado do grupo de forcados amadores da Moita, foi colhido na praça e ficou paraplégico. É um motivo de tristeza para qualquer ser humano. Isto é simples: há quem morra e tenha acidentes graves a fazer o que gosta, e aí a expressão que usamos é a típica (pelo menos foi a fazer o que gostou). Este caso não é diferente, foi a fazer o que gostou, e consciente de todos os riscos que corria.

E sinceramente, faz-me "impressão" deparar-me com fotografias do momento, legendas a dizer "não desejo mal a ninguém,mas não terá sido castigo?", e comentários quase regozijantes como "colhemos o que plantamos".

É feio este "aproveitamento da situação". Dá-me a impressão de que há pessoas à espera de que ocorram estes e outras situações semelhantes para que a sua luta tenha fundamento. Mas para mim a luta de quem é contra as touradas feita desta maneira desrespeitosa perde muito valor.
Não se agarra numa situação grave para se fazer mais bandeira, uma causa, e não se pode tirar proveito de ter acontecido algo a alguém que estava a fazer o que gostava, e que muito provavelmente faria novamente o mesmo.


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