terça-feira, abril 24, 2018

Fiquemos

Quando as palavras soam vãs e gastas, fiquemos então com o silêncio.

Deixemo-lo dizer o que as palavras não conseguem fazer.


domingo, março 04, 2018

Sobre os filtros


Esta escrita deriva de um comentário que fiz num post de facebook.
Num post que deriva sobre os "testes" que mostram como fica a nossa a aparência se fôssemos capas de revistas ou estrelas de Hollywood. O comentar a plasticidade da imagem remeteu-me desde logo para os filtros de cores e para as  "beauty faces" com que somos confrontados no momento em que abrimos as nossas páginas de facebook, e contas de instagram, onde pululam imagens com cores brilhantes e vibrantes...Sorrisos tão perfeitos, juntamente com o olhos e a face numa perfeita simbiose com a câmara. Tudo isto numa ânsia de mostrar um mundo perfeito, uma pessoa perfeita, e quando entramos no quotidiano, a casa perfeita, o fim-de-semana perfeito, as férias de sonho (e perfeitas), e, a refeição perfeita e perfeitamente alinhada num degradé de diferentes cores e texturas.
Pessoalmente, e com as excepções para o filtro básico, o que ajusta o essencial da imagem, não uso filtros. Assim como não uso "beauty faces", bem como não sei como me enquadrar com a câmara para fazer a imagem perfeita.
Nas imagens, e bem como no dia, no espaço e no tempo, não maquilho ou mascaro. Escolhi apenas fazer o ajuste básico e se for necessário. E o mesmo se aplica ao "beauty mode/face". Não apago rugas, nem ajusto o pormenor de intensificar a intensidade do olhar, ou de branquear o sorriso. Não procuro mostrar a perfeição.
Aliás, creio que essa procura e ânsia de mostrar a perfeição nos torna somente em autómotos: tornamo-nos iguais, somos iguais, e pensamos de forma igual.
Tudo isto para a vã tentativa de plasmar ao outro uma aparente felicidade e perfeição, quando a verdadeira imagem é baça, desenquadrada, imperfeita, mas real. Acima de tudo real.
As pessoas tentam tanto mostrar a imagem de felicidade e de perfeição, que se esquecem delas mesma, e assim se anulam, tornando-se em meros autómatos.

Ao som de uma bossa nova

A escrita liberta.

Liberta especialmente quando conseguimos abrir a alma (ou parte dela), e, colocamos num papel o que temos aprisionado dentro nós.

Nunca fui boa com as palavras na forma falada. As palavras na forma falada têm o dom costumeiro de me falharem. Ou talvez não me falhem, mas falharei eu.

Em contrapartida, creio ser melhor nos gestos. Creio conseguir pôr nos gestos e nas coisas mas simples do dia, aquilo que não consigo pôr na palavra falada.

A palavra, essa, não é pensada ou pré-concebida. É sentida. É tudo. E é nada. É escrita com alma, com o coração. Somente eles bastam: a alma e o coração.

E assim, sou eu, apenas eu. Nada mais, apenas eu.

E hoje, aqui escrevo. Escrevo porque sim. Apenas, porque sim.
© Brainstorming
Maira Gall